Free: grátis. O futuro dos preços
Ferro e Vidro
Na economia, o paralelo é o seguinte: se o custo unitário da tecnologia (“por megabyte” ou “por megabit por segundo” ou “por milhões de operações de ponto flutuante por segundo”) cai pela metade a cada 18 meses, quando ele se aproxima o suficiente de zero para sabermos que chegamos e podemos arredondá-lo com segurança a zero? A reposta é: quase sempre antes do que você imagina.
O que Mead percebeu é que deve ocorrer uma mudança psicológica à medida que as coisas se aproximam de zero. Embora elas possam nunca se tornar totalmente gratuitas, à medida que o preço cai, a vantagem de agir como se elas fossem gratuitas é cada vez maior. Não baratas demais para medir, como previu Strauss, mas baratas demais para fazer diferença.
FERRO E VIDRO
A história do semicondutor se tornou uma fábula da economia digital, mas, como observei, a verdade é que duas tecnologias relacionadas – armazenamento e largura de banda – a superaram na corrida para o zero.
A primeira, o armazenamento digital, se baseia não na gravação do silício em filamentos cada vez mais refinados, mas sim em dispor partículas magnéticas em um disco de metal. É assim que funciona o disco rígido de seu computador pessoal: um minúsculo eletroímã flutua a alguns átomos de distância acima de um disco que gira e traça espirais nesse disco, alterando as partículas magnéticas abaixo dele para representar 1s ou 0s (junte um número suficiente deles e você obtém aquela apresentação de PowerPoint na qual está trabalhando ou o vídeo que acabou de baixar). Para que um disco comporte mais bits, essas trilhas precisam ser menores, o que se obtém com uma cabeça de leitura e gravação menor flutuando ainda mais perto de um disco composto de partículas ainda mais magnetizadas e ainda menores.
Isso é, em grande parte, uma questão de montagens mecânicas com uma precisão que faz um relógio suíço passar vergonha, além de um disco feito de materiais ferrosos capazes de manter intensos campos magnéticos. Embora o armazenamento se baseie em propriedades físicas distintas dos semicondutores, as curvas de aprendizado compostas de Mead prevalecem. Na verdade, isso tem pouca relação com os efeitos dos semicondutores que Moore observou, mas a capacidade de armazenamento de dados está aumentando (e o custo, caindo) ainda mais rapidamente do que prevê a Lei de Moore. Mais uma vez, a razão entre cérebro e músculo é alta e a inovação, frequente.
A segunda tecnologia, a largura de banda, explora ainda outro domínio da física e ciência dos materiais. Enviar dados por grandes distâncias é, em grande parte, uma questão de fótons, não de elétrons. Comutadores ópticos convertem os bits on/off do código binário em pulsos de luz de laser em diferentes frequências e esses “lambdas” (a letra grega usada para expressar comprimento de onda) viajam em fibras de vidro tão puro que a luz ricocheteia pelas paredes internas por centenas de quilômetros sem perda ou distorção.
Aqui, a ciência é a óptica, não a ciência dos materiais ou a precisão mecânica. No entanto, mais uma vez, a razão entre ingredientes intelectuais e físicos é elevada, de modo que as inovações também recomeçam com frequência o ciclo de melhoria. Mais uma vez, de acordo com as curvas de aprendizado compostas de Mead, as redes de fibra óptica e a comutação óptica estão melhorando ainda mais rapidamente do que a capacidade de processamento e armazenamento, com a estimativa de dobrar o preço/desempenho todos os anos.