Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 43 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

Estágio 1: Negação

A história que explica por que isso levou tanto tempo e sobre o que aconteceu depois pode ser contada melhor por meio do modelo dos Cinco Estágios para Lidar com a Perda, da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross.

 

ESTÁGIO 1: NEGAÇÃO

Onde estava a Microsoft durante a primeira década de existência do Linux? Em grande parte esperando que o sistema operacional grátis desaparecesse ou permanecesse insignificante, como acontecera com a maioria dos outros softwares livres até então. Mesmo que não desaparecesse totalmente, os executivos da Microsoft esperavam que o Linux atraísse, em grande parte, pessoas que já utilizavam o UNIX, em vez dos sistemas operacionais da Microsoft. Isso não era particularmente reconfortante – os clientes da UNIX constituíam um mercado que a Microsoft também queria –, mas era melhor que a concorrência direta. No entanto, mais do que tudo, os administradores da Microsoft não sabiam ao certo por que algum cliente optaria pelo software livre e por todas as dores de cabeça que acompanham produtos que não são profissionalmente acabados.

Mas era o que os clientes estavam fazendo, especialmente porque montavam centros de informática cada vez maiores para comportar a Web, de rápido crescimento. Manter um servidor Linux pode ser mais difícil do que sua contraparte da Microsoft, mas, se você tiver centenas ou milhares, aprender uma vez as excentricidades do Linux pode poupar uma pequena fortuna no longo prazo. Em 2003, a participação do Linux no mercado de servidores da Web havia crescido para quase um terço. Uma maneira de deter a onda seria igualar-se ao preço do Linux: zero. Mas isso era assustador demais para contemplar. Em vez disso, a Microsoft se manteve, em grande parte, de tocaia.

Na empresa, alguns engenheiros já vinham alertando para o fato de que a Linux representava uma ameaça competitiva de longo prazo para o modelo do negócio principal da Microsoft e argumentando que a empresa precisava de uma reação mais concreta. Em 1998, um programador circulou um memorando descrevendo o software de código aberto como uma “ameaça à receita e à plataforma da Microsoft”. O documento, que vazou e circulou como o “memorando do Dia das Bruxas” (tanto em referência à data em que vazou quanto à natureza assustadora do conteúdo), alerta que “o compartilhamento de ideias do software de código aberto não é replicável com nosso modelo atual de licenciamento e, portanto, representa grande ameaça à visibilidade da desenvolvedora no mercado em longo prazo”.

Mas publicamente, a Microsoft assumia uma postura muito diferente. Um relatório para a imprensa de dezembro de 1998 diz o seguinte: “Os executivos da Microsoft desprezam o código aberto como um modismo: ‘Projetos futuros complexos demandarão grandes equipes e muito capital’, disse Ed Muth, diretor de marketing da Microsoft. ‘Essas são coisas que Robin Hood e seus companheiros na floresta de Sherwood não estão capacitados a fazer.’”