Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 44 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

Estágio 2: Raiva

Uma vez que ficou claro que o Linux não só veio para ficar, como estava realmente concorrendo com o produto da Microsoft, a empresa assumiu uma postura hostil. Sim, o Linux era grátis, os vendedores diziam aos clientes hesitantes: “Grátis como um filhote de cachorro.” Visões de uma vida inteira de ração de cachorro, cocô e passeios duas vezes por dia persuadiam os vacilantes.

A Microsoft decidiu fazer dos fatores econômicos sua estratégia de ataque. A expressão-chave seria “custo total da propriedade”. O custo real do software não era seu preço, mas sua manutenção. O Linux, eles argumentavam, era mais difícil de manter, e os coitados que o escolhiam pagariam todos os dias pelos exércitos de programadores e pessoal de TI necessário para manter esse saco de gatos funcionando.

Em outubro de 1999, a Microsoft tirou as luvas de pelica e publicou um documento intitulado “Os cinco mitos do Linux”. O documento listava as deficiências técnicas e concluía que o desempenho do Linux não se comparava ao dos produtos da Microsoft. E o grátis, na verdade, não era grátis. “Os administradores de um sistema Linux precisam passar um tempo enorme descobrindo os mais recentes bugs do sistema e decidindo o que fazer a respeito”, o texto alertava. “A comunidade Linux falará da natureza de baixo custo do Linux. É importante saber que o custo de licenciamento constitui apenas uma pequena parcela do processo total de tomada de decisão para os clientes.”

No entanto, a estratégia não estava funcionando – na ausência de provas, os clientes rejeitaram o documento como mais um ato da Microsoft motivado por medo, incerteza e dúvida. O Linux e outros projetos de software de código aberto, como o servidor Apache, o banco de dados MySQL e as linguagens de programação Perl e Python, continuaram a ganhar terreno. Em novembro de 2002, um frustrado gerente de programação do Windows enviou um memorando ao departamento de relações públicas da Microsoft: “Precisamos reagir com mais eficácia aos relatos da imprensa que afirmam que governos e outras importantes instituições estão levando em consideração o [software livre] a nossos produtos… Precisamos estar preparados para reagir… rapidamente e com fatos para combater a percepção de que grandes instituições estão implementando [software de código aberto] ou o Linux, quando só estão pensando na possibilidade ou testando a tecnologia.”

 

ESTÁGIO 3: NEGOCIAÇÃO

Na ocasião do Linux World 2002, ficou claro na Microsoft que eles precisariam de uma nova estratégia. A IBM já criara uma divisão Linux e alocara engenheiros para começar a desenvolver um código para o projeto. Era a hora de a Microsoft desistir da habitual estratégia de espalhar veneno e encarar os fatos: o Linux não desapareceria e a raiva do cliente em relação às táticas da Microsoft era parte da razão para isso. “Percebemos que precisávamos tirar a emoção da equação se esperávamos que alguém nos levasse a sério”, diz Houston, que liderou a equipe da Microsoft que lidava com a concorrência com o Linux. “Como estávamos fazendo, tudo o que dizíamos só servia para cavar ainda mais nosso túmulo, para a alegria da concorrência.” No Linux World, os representantes da Microsoft usaram camisetas dizendo “Vamos Conversar”.