Free: grátis. O futuro dos preços
10. O Grátis está criando uma geração que não valoriza nada.
[a ortografia foi bem melhorada]
Não, é exatamente o contrário. O Grátis não incentiva a pirataria. A pirataria incentiva o Grátis. A pirataria ocorre quando o mercado percebe que o custo marginal de copiar e distribuir um produto é significativamente mais baixo do que o preço pedido. Em outras palavras, a única coisa que sustenta o preço alto é a lei que protege a propriedade intelectual. Se você violar a lei, o preço pode cair, algumas vezes até zero. Isso se aplica a tudo, de imitações de malas Louis Vuitton (para as quais o preço é baixo, mas não zero) a MP3s (que são compartilhados de graça).
Dessa forma, a pirataria é como a força da gravidade. Se você estiver tentando manter alguma coisa acima do solo, mais cedo ou mais tarde, a gravidade vencerá e esse objeto cairá. O mesmo se aplica aos produtos digitais – esquemas de proteção de direitos autorais, codificados na forma de leis ou incorporados ao software, estão mantendo um preço elevado contra a força da gravidade. Mais cedo ou mais tarde, o preço vai cair, por iniciativa do próprio dono do item ou porque os piratas o derrubarão ao chão.
Não digo isso para justificar ou incentivar a pirataria, mas só para dizer que ela é mais como uma força social do que um comportamento social que pode ser eliminado por meio da educação ou legislação. Os incentivos econômicos aos itens digitais pirateados – custo zero, recompensa idêntica – são tão grandes que é possível presumir que qualquer item de valor na forma digital mais cedo ou mais tarde será pirateado e depois livremente distribuído. Algumas vezes, isso se limita a uma obscura subcultura (pirataria de software empresarial) e algumas vezes se populariza (música e filmes). Mas é quase impossível impedir essa força. A economia tem pouco espaço para a moralidade pela mesma razão que a evolução não é sentimental em relação à extinção – ela descreve o que acontece, não o que deveria acontecer.
10. O Grátis está criando uma geração que não valoriza nada.
Apenas algumas décadas atrás, as pessoas tinham poucas expectativas e trabalhavam duro para ganhar a vida. Elas
não conheciam o grátis e nunca o esperavam. Agora, a tendência oposta prevalece, com o grátis passando a ser
esperado on-line. Será que a nova geração, a que espera algo por nada, trabalhará tão duro para manter os altos
padrões de vida que criamos?
– Alex Iskold, ReadWriteWeb
Isso tem sido um objeto de preocupação desde a Revolução Industrial – substitua “grátis” por “vapor” e você pode imaginar a preocupação vitoriana em relação a músculos e mentes flácidas. É verdade que cada geração deixa de valorizar algumas coisas que seus pais valorizavam, mas isso não significa que essa geração dá menos valor a tudo. Em vez disso, as pessoas valorizam coisas diferentes. De alguma forma, conseguimos parar de acordar de madrugada para ordenhar as vacas sem perder a disposição para trabalhar.
É verdade que, hoje em dia, qualquer pessoa que cresça em uma casa com banda larga provavelmente terá como pressuposto que tudo o que for digital deve ser grátis (provavelmente porque quase tudo é grátis). Vamos chamá-los de a Geração do Grátis.