Free: grátis. O futuro dos preços
11. Não é possível concorrer com o Grátis.
Esse grupo – a maioria das pessoas com menos de 20 anos no mundo desenvolvido – também espera que as informações sejam infinitas e imediatas. (Elas também são conhecidas como a Geração Google.) Elas estão cada vez menos dispostas a pagar pelo conteúdo e outras formas de entretenimento por terem tantas alternativas grátis. Essa é a geração que não pensaria em cometer pequenos furtos em lojas, mas que não pensa duas vezes antes de fazer o download de músicas em sites de compartilhamento de arquivos. Elas, intuitivamente, entendem os fatores econômicos dos átomos versus bits e percebem que o primeiro tem custos reais que devem ser pagos, mas o segundo normalmente, não. Desse ponto de vista, furtar em uma loja é roubo, mas compartilhar arquivos é um crime sem vítimas.
Eles insistem no Grátis não somente em termos de preço (gratis), mas também na ausência de restrições (libre): eles resistem a barreiras de registros, esquemas de controle de direitos autorais e conteúdo que não pode pertencer a eles. A questão não é “O quanto isso custa?”, mas “Por que eu deveria pagar?”. Esse comportamento não é um fruto da arrogância ou um sentimento de merecimento – mas sim da experiência. Eles cresceram no mundo do Grátis.
Quando explico a tese deste livro – de que ganhar dinheiro ao redor do Grátis será o futuro dos negócios –, a resposta dessa geração costuma ser: “E…?” Parece óbvio para eles. Essa é a diferença entre pessoas que nasceram na era digital e o restante do mundo. De alguma forma, elas já nasceram entendendo os custos marginais quase zero (embora talvez não nessas palavras).
Mas a Geração do Grátis não presume que o que se aplica aos bits deve aplicar-se aos átomos. Eles não esperam ganhar roupas ou apartamentos de graça; na verdade, eles estão pagando mais do que nunca por esses itens. Dê um crédito às crianças: elas sabem diferenciar entre o físico e o virtual e ajustam o comportamento em cada um desses domínios. O grátis on-line não tem mais chances de levar a uma expectativa de grátis off-line do que levar a uma expectativa de que as pessoas deveriam se parecer com personagens do World of Warcraft.
11. Não é possível concorrer com o Grátis.
Não existe um modelo de negócios produzido ou idealizado pelo homem capaz de competir com o grátis. Isso não
pode ser feito. Se eu tiver uma Pizza Hut e vendesse pizzas a $1,50 e alguém abrir uma Pizza Hut do lado da
minha e começar a dar as pizzas de graça, quem você acha que vai ficar com a clientela?
– Jack Valenti, Motion Picture Association of America
O Capítulo 14 foi todo sobre esse tema, analisando em particular como a Microsoft aprendeu a concorrer com o software livre. Mas o modo resumido de dizer a mesma coisa é que é fácil competir com o Grátis: basta oferecer algo melhor ou pelo menos diferente da versão gratuita. Existe uma razão pela qual os empregados de escritório passam batido pelo café grátis na cozinha e saem para pagar $4 por um cappuccino no Starbucks – o café do Starbucks é mais saboroso. Também existe um pouco de psicologia do consumidor em ação – um presentinho, o ritual de agradar a nós mesmos com uma pequena extravagância. É fácil encontrar café de graça, mas o que o Starbucks oferece é algo mais.