Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 11 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

“Venda” de mão de obra

Você pode ter acesso a conteúdo pornográfico grátis se solucionar alguns Captchas, aquelas caixas de texto distorcidas usadas para bloquear bots de spam. Ironicamente, o que você, na verdade, está fazendo é utilizar suas habilidades humanas de estabelecer a correspondência entre padrões para decifrar um texto que se originou em algum outro site, um de interesse dos spammers, que usa esses Captchas para mantê-los do lado de fora. Uma vez que esses testes são solucionados, os spammers ganham acesso a esses sites, que valem muito mais para eles do que a largura de banda que você consumirá vendo algumas imagens estimulantes. No que diz respeito a eles, trata-se de uma caixa-preta – eles incluem Captchas e recebem o texto decifrado. Mas dentro da caixa, está a mão de obra involuntária gratuita de milhares de pessoas. O mesmo se aplica à classificação de histórias no Digg, à votação no Yahoo

Answers ou à utilização do serviço 411 do Google 1 (veja o quadro na página 124). A cada vez que você faz uma busca no Google, está ajudando a empresa a melhorar seus algoritmos de localização de anúncios. Em cada caso, a utilização do serviço cria algo de valor, melhorando o serviço em si ou criando informações que podem ser úteis em outro lugar. Sabendo ou não, você está pagando com seu trabalho por algo que recebe de graça.

 

Pirataria

Nada descreve melhor a música on-line do que a pirataria. Entre a reprodução digital e o compartilhamento de arquivos, o custo real de distribuir música realmente chegou ao fundo do poço. Esse é um caso em que o preço do produto caiu a zero devido à pura gravidade econômica, com ou sem um modelo de negócios. Essa força é tão poderosa que leis, proteções contra reprodução, culpa ou qualquer outra barreira contra a pirataria que as gravadoras conseguiram inventar fracassaram (e continuam fracassando). Alguns artistas dão de graça a música on-line como uma forma de divulgar shows, artigos promocionais, licenciamento e outros itens pagos. Mas outros aceitaram o fato de que, para eles, a música não é um negócio para ganhar dinheiro. É algo que eles fazem por outras razões, de diversão a expressão criativa. O que, é claro, sempre se aplicou à maioria dos músicos de qualquer forma.