Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 86 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

9. O Grátis incentiva a pirataria.

Mas observe que os custos ambientais do Grátis são, em sua maior parte, sentidos no mundo dos átomos. Como discutimos, é difícil fazer os átomos serem verdadeiramente grátis – a razão de não sentirmos os custos ambientais é que não precificamos direito o mercado. Aqueles sacos plásticos só são grátis porque não cobramos diretamente pelos custos de eliminação. Mas cada vez mais, estamos começando a mensurar e prestar contas pelos fatores externos negativos (tornando-os fatores internos negativos, já que agora explicitamente fazem parte de um sistema econômico fechado). Dessa forma, você está começando a ver se o supermercado oferece descontos pela utilização de sacolas não descartáveis (o que, na verdade, é o mesmo que cobrar a mais pelos sacos plásticos) ou bane totalmente os sacos plásticos.

No mundo dos bits, os custos ambientais são muito menos problemáticos. A utilização esbanjadora de processamento, armazenamento e largura de banda basicamente se resume em eletricidade e o mercado está ficando cada vez melhor na precificação dos custos ambientais da eletricidade. Limites de emissão de carbono, leis exigindo fontes de energia renovável e limites de emissão local forçaram empresas como Google, Microsoft e Yahoo! a construírem seus centros de dados perto de fontes de energia hidroelétrica, que não emitem carbono. No futuro, eles também serão construídos perto de fontes de energia térmica, eólica e geotérmica. Simples fatores econômicos – regulamentações que tornam a eletricidade geradora de carbono mais cara que a eletricidade renovável – garantirão que o desperdício de bits não terá as consequências ambientais do desperdício de átomos.

Mas o Grátis digital também tem custos ainda não levados em consideração. Considere o acesso à largura de banda de pagamento fixo, no qual a utilização incremental é grátis. (Pense no plano padrão de sua conexão DSL ou via cabo.) Algumas pessoas alteram o comportamento com essa capacidade grátis e compartilham arquivos enormes em aplicativos de compartilhamento como o BitTorrent. Essa minoria acaba usando a maior parte da capacidade da rede e, como resultado, o acesso à Internet de todos fica mais lento.

É por isso que os provedores de Internet como a sua operadora de Internet a cabo estabelecem um limite máximo para os usuários individuais que utilizam capacidade demais ou cobram mais de pessoas que queiram transferir mais dados. Em geral, esse limite é relativamente alto e não afeta a maior parte dos usuários e os provedores se certificam de não alterar essa situação. Mas considerando que a maioria de nós pode escolher provedores de banda larga, poucas operadoras querem ganhar a fama de “lentas”.

 

9. O Grátis incentiva a pirataria.

Você é um comunista, não é, Mike? Posso dizer, com certeza, que você não é um capitalista. Os criadores de

conteúdo devem ser pagos pelo conteúdo que criam. Admito, aqui e agora, que baixo conteúdo e continuarei

roubando conteúdo sempre que puder. Mas não tento racionalizar minha imoralidade com uma retórica sobre

“fatores econômicos diante de uma falta de escassez”.

“Xenohacker”, em resposta a Mike Masnick no Techdirt