Free: grátis. O futuro dos preços
Estágio 4: Depressão
Depois da conferência, Houston entendeu por que a Microsoft não estava conseguindo progredir. “Precisávamos provar o que estávamos dizendo: que o Linux tinha um custo maior de propriedade.” Então, ele encomendou um estudo independente da IDC, uma empresa de consultoria, para descobrir se o Windows era realmente melhor do que o Linux se fosse considerado o custo total de propriedade. Os resultados mostravam que a Microsoft era uma vencedora clara, mas os executivos estavam divididos quanto a utilizar ou não o relatório. Afinal, eles haviam passado tanto tempo alegando isso, será que divulgar o relatório faria alguém mudar de ideia?
Talvez não, mas isso daria à Microsoft um lugar à mesa. Os clientes perceberam que a Microsoft não estava blefando – o Linux realmente era mais complicado e custoso do que parecia. Enquanto isso, a Microsoft decidiu mergulhar os próprios pés nas águas do código aberto. Ela anunciou um programa de “código compartilhado” no qual os clientes do governo poderiam ver o código básico do Windows e outros produtos da Microsoft. Se um dos apelos do código aberto era a transparência, a Microsoft a proporcionaria – mas só depois que os clientes jurassem segredo e garantissem que o código não vazaria. Alguns poucos compradores do governo se submeteram ao processo, mas isso nem chegou a arranhar o Linux. Chegara a hora de uma ação mais radical.
ESTÁGIO 4: DEPRESSÃO
No final de 2003, a Microsoft surpreendeu a todos com a contratação de Bill Hilf, que liderara a estratégia de sucesso do Linux na IBM. Durante o processo de recrutamento, Steve Ballmer, o CEO da Microsoft, disse a ele: “Precisamos ter uma resposta para o Grátis.” Nada que a empresa fizera até então bastou para deter a maré e, quando Hilf entrou e começou a conversar com os engenheiros, ele viu por quê. “Em minhas entrevistas, ficou claro que eles não tinham ideia de como o software livre funcionava”, ele disse. “Havia um enorme mal-entendido – eles o viam apenas como uma ameaça.”
Uma das razões pelas quais a Microsoft parecia tão mal informada em relação ao código aberto era que seus advogados haviam proibido os engenheiros da empresa de trabalhar com ele. A licença que o Linux e outros softwares de código aberto similares utilizam, conhecida como licença pública geral, requer que cada “trabalho derivativo” do software de código aberto também seja de código aberto. Os advogados decidiram que isso fazia do software um vírus: qualquer programador da Microsoft que o tocasse correria o risco de infectar tudo, com a possibilidade de um erro chegar a abrir acidentalmente o código do Windows.
Então, quando Hilf quis criar um laboratório de código aberto na Microsoft, a ideia foi tratada como uma instalação de risco biológico. O departamento encarregado dos prédios liberou um armazém e permitiu que Hilf instalasse cabos de rede. Mas depois disso, ele estava por conta própria, sem orçamento. Hilf precisou usar computadores reciclados e circular uma campanha “Ajude o Bill” para conseguir equipamentos que estavam sobrando. Qualquer pessoa que trabalhasse com o código aberto não podia trabalhar com qualquer outro projeto da Microsoft, por medo de disseminar a doença da licença pública geral. O Seattle Post-Intelligencer o nomeou “o homem mais solitário de Redmond”. ESTÁGIO 5: ACEITAÇÃO