Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 60 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

Livros Grátis

Os avanços na tecnologia afetam todo mundo e todos nós precisamos nos adaptar. O importante

para a indústria da música é perceber que isso não prejudica os artistas. Um jovem fã pode ser tão

devotado e dedicado, não importa se comprou ou roubou a música. Os shows ficam lotados e a

indústria deve entender que precisa administrar todos os 360 ao redor de um artista. Eles [a

indústria] precisam maximizar a renda de shows e artigos promocionais.

 

LIVROS GRÁTIS

Por fim, este capítulo não estaria completo sem algumas palavras sobre os livros grátis, categoria na qual este livro, naturalmente, se inclui (pelo menos na forma digital). Os livros representam um caso especial de mídia impressa, com algumas revistas sofisticadas, da qual a forma física ainda é preferida pela maioria. A indústria de livros não está em queda, felizmente, mas isso não impediu centenas de autores (e alguns editores) de conduzir os próprios experimentos com o Grátis.

A grande diferença entre livros e música é que, para a maioria das pessoas, a versão superior ainda se baseia em átomos e não bits. Apesar de todas as desvantagens em termos de custos, as árvores mortas transformadas em papel ainda apresentam uma excelente vida de bateria, resolução de tela e portabilidade, sem mencionar o efeito decorativo na estante. Mas o mercado para livros digitais – audiobooks, e-books e download na Web – está crescendo rapidamente, em grande parte para atender a demandas que os livros físicos não suprem, da necessidade de algo para consumir enquanto dirige à necessidade de algo que pode ser obtido instantaneamente, onde quer que você esteja.

A maioria dos modelos de livros grátis se baseia no freemium, de uma forma ou de outra. Não importa se é um download grátis por tempo limitado de alguns capítulos ou o livro todo em um PDF bem formatado disponibilizado para sempre, a forma digital é uma maneira de permitir que o maior número possível de pessoas tenha uma amostra do livro, na esperança de que algumas delas venham a comprar.

Por exemplo, Neil Gaiman, escritor de ficção científica, disponibilizou gratuitamente o livro Deuses americanos pela Internet durante quatro semanas em 2008. Os temores e as objeções comuns foram apresentados desde o início: que isso canibalizaria as vendas nas lojas ou, no outro extremo, que a disponibilidade limitada era contraproducente, porque, quando muitas pessoas ficassem sabendo, não teriam mais acesso ao livro grátis. É difícil verificar a segunda objeção, mas a primeira se comprovou um engano. Deuses americanos não apenas se tornou um best-seller, como as vendas de todos os livros de Gaiman em livrarias independentes aumentaram 40% no período em que aquele livro foi disponibilizado de graça. Oitenta e cinco mil pessoas acessaram a versão digital do livro, lendo uma média de 45 páginas cada. Mais da metade disse que não gostou da experiência de ler on-line, mas aquele foi só um incentivo para comprar o livro físico, mais fácil de ler. Depois disso, Gaiman disponibilizou gratuitamente seu próximo livro infantil, The Graveyard, na forma de leituras on-line grátis em vídeo, um capítulo por vez, e esse livro também se tornou um best-seller.

Para livros de não ficção, especialmente livros de negócios, as versões grátis normalmente tendem a seguir o modelo da música grátis. O livro digital de baixo custo marginal é uma boa ferramenta de promoção da palestra ou do serviço de consultoria de alto custo marginal, da mesma forma que a música grátis promove os shows. Você pode ter a abundante versão genérica das ideias do autor de graça, mas, se quiser essas ideias customizadas para sua empresa, conferência do setor ou reunião de investidores, você terá de pagar pelo tempo escasso do autor. (Sim, esse é meu modelo também. Os detalhes do Speakers Bureau estão em meu Website!)

Isso pode até funcionar para livros físicos. Consultores costumam comprar milhares de exemplares dos próprios livros de sabedoria estratégica para distribuir gratuitamente a clientes potenciais, uma tática tão comum que as listas de best-sellers incorporaram métodos especiais para identificar e ignorar esse tipo de vendas. Na Europa, os jornais, algumas vezes, oferecem pequenos livros em brochura, algumas vezes aos poucos, gratuitamente com as edições vendidas em bancas, o que ajuda a aumentar as vendas de jornais. E os autores cada vez mais oferecem exemplares grátis para serem analisados por qualquer blogger que quiser – “A cauda longa dos críticos de livros” –, argumentando que o boca a boca gerado mais do que compensa o custo do exemplar.

Como todo o resto no Grátis, isso não é feito sem controvérsias. Howard Hendrix, então vice-presidente do Science Fiction Writers of America, chamou os autores que dão seus livros de graça de “webscabs”, algo como “as laranjas podres da Web”, e algumas editoras ainda têm dúvidas sobre a possibilidade de os livros grátis aumentarem a demanda, em vez de satisfazê-la (algumas vezes, com base na própria experiência). Mas em um mundo de espaço de prateleira cada vez menor nas livrarias e seções de análises de livros cada vez mais raras nos jornais, os autores estão ansiosos para tentar qualquer coisa que possa ajudá-los a aumentar o público leitor. Como diz o editor Tim O’Reilly, “o inimigo do autor não é a pirataria, é a obscuridade”. O Grátis é a forma de mais baixo custo de atingir o maior número possível de pessoas e, se a amostra funcionar, alguns comprarão a versão “superior”. Enquanto os leitores continuarem a querer livros feitos de átomos, continuarão a pagar por eles.