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Chris Anderson · Capítulo 69 de 98

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A Natureza Desperdiça Vida

Mas o interessante sobre o desperdício é que tudo depende de seu senso de escassez. Nossos avós cresceram em uma época na qual uma ligação telefônica de longa distância era um luxo caro, um evento que devia ser planejado e não podia levar muito tempo. Mesmo nos dias de hoje, pode ser difícil manter pessoas dessa geração muito tempo em uma ligação de longa distância – elas ainda imaginam um contador na cabeça e se apressam em desligar. Mas nossos filhos estão crescendo em uma época na qual as ligações de longa distância são gratuitas pelo telefone celular. E eles são capazes de conversar alegremente durante horas. Do ponto de vista dos custos das telecomunicações da década de 1950, isso é um desperdício incrível. Mas nos dias de hoje, em que os custos caíram para perto de zero, não paramos para pensar a respeito. Não nos parece um desperdício. Em outras palavras, a escassez de uma geração é a abundância de outra.

 

A NATUREZA DESPERDIÇA VIDA

Nosso cérebro parece programado para resistir ao desperdício, mas, como mamíferos, somos relativamente únicos na natureza a esse respeito. Os mamíferos têm o menor número de filhos no reino animal e, em consequência, investimos muito tempo e esforço na proteção de cada um deles para que atinjam a idade adulta. A morte de um único ser humano é uma tragédia da qual os sobreviventes algumas vezes nunca se recuperam, e, acima de tudo, valorizamos a vida individual.

Como resultado, temos um senso muito desenvolvido de moralidade do desperdício. Sentimo-nos mal em relação ao brinquedo desprezado ou à comida não consumida. Algumas vezes, isso ocorre por um bom motivo, porque entendemos o custo social mais amplo da prodigalidade, mas muitas vezes a única justificativa para isso é o fato de nosso cérebro mamífero estar programado dessa forma.

No entanto, o resto da natureza não funciona assim. Algumas espécies de atum podem liberar até 10 milhões de ovos fertilizados em uma única temporada de reprodução. Talvez 10 deles cheguem à idade adulta. Um milhão de atuns morrerão para cada um que sobreviver.

A natureza desperdiça a vida na busca de uma vida melhor. Ela permite mutações no DNA, criando fracasso após fracasso, na esperança de que, mais cedo ou mais tarde, uma nova sequência superará a anterior e a espécie evoluirá. A natureza testa suas criações, matando a maioria delas rapidamente, a batalha de “garras e dentes sangrentos”, que determina a vantagem reprodutiva.

A razão pela qual a natureza é tão esbanjadora é que estratégias dispersas representam a melhor forma de fazer o que os matemáticos chamam de “explorar plenamente o espaço potencial”. Imagine um deserto com duas poças de água separadas por alguma distância. Se você for uma planta crescendo ao lado de uma dessas poças, optará por uma de duas estratégias reprodutivas diferentes. Você pode deixar as sementes caírem perto da raiz, onde há boas chances de encontrar água. Essa é uma estratégia segura, mas logo leva à superpopulação. Ou você pode lançar as sementes ao vento e permitir que elas flutuem para longe. Isso significa que quase todas morrerão, mas é a única forma de encontrar aquela segunda poça de água, onde a vida pode expandir em um novo nicho, talvez mais promissor. A melhor forma de ir da “máxima local” – como os matemáticos chamam – à “máxima global” é explorar muitas “mínimas” estéreis ao longo do caminho. É um desperdício, mas acaba compensando.