Free: grátis. O futuro dos preços
3. A Internet, na verdade, não é grátis, porque você paga pelo acesso.
O Grátis não é o que costumava ser, especialmente na Internet, cuja própria história e tecnologia se baseiam na
noção de que as informações e praticamente todo o resto on-line quer ser grátis. Os presentes na Web sempre vêm
acompanhados de um alto preço, na forma de bugs, frustração e perda de privacidade e segurança – sem mencionar a
ameaça de dispendiosos processos judiciários para pessoas que baixam música em grande escala.
John Schwartz, The New York Times
Isso é mais um estereótipo do que uma falácia. Sim, é verdade que o Grátis algumas vezes vem com algumas restrições. Sua página vem cheia de anúncios. Limites são impostos. Você fica recebendo ofertas de produtos diferentes ou acaba preso com alguma coisa que constata não ser grátis. Você vê a isca e a morde.
Mas isso descreve muito mais o Grátis do século XX do que o do século XXI. Em geral, o bom-senso é um bom guia: se algo parecer bom demais para ser verdade, provavelmente o é, em especial no mundo dos átomos. Os custos marginais de provar um perfume em uma loja de departamentos são baixos o suficiente para que acreditemos que isso realmente saia de graça. Por outro lado, você está certo em presumir que vai acabar pagando por férias grátis, de uma forma ou de outra.
No entanto, no Grátis do século XXI, que se baseia na economia dos bits digitais, os custos ocultos não são necessários. Eles podem muito bem ainda estar lá, como Schwartz gosta de nos lembrar, mas isso diz mais sobre o fato de que os produtos grátis vêm sem garantias, que é o custo de não ter um conserto garantido quando as coisas dão errado (chame isso de advertência ao não comprador). Eles não são requeridos pelo modelo. O Grátis pode ser tão bom quanto o Pago, ou melhor, sem truques, complicações ou restrições (pense no software de código aberto).
É hora de parar de tratar bits como átomos e presumir que as mesmas limitações ainda se aplicam. Os ardis não são mais uma parte essencial do modelo.
3. A Internet, na verdade, não é grátis, porque você paga pelo acesso.
Desculpe-me, mas quando a Internet foi grátis e livre? Livre como em liberdade de expressão, mas não grátis como
em cerveja grátis. Todos nós precisamos pagar um provedor para acessar a Internet, de modo que já estamos pagando
pelo que está na Web.
Comentário em uma mensagem de Laurie Langham
É um erro comum achar que, de alguma forma, os $30 ou $40 que gastamos todos os meses para acessar a Internet subsidia toda a Internet. Isso, de fato, ajuda a pagar pela infraestrutura de transmissão, mas nada tem a ver com o que viaja por essa estrutura. Da mesma forma que o número de minutos de utilização de telefone celular não revela nada sobre o valor do que é dito nesses minutos, você está pagando pelos bits que lhe serão entregues, mas não pelo valor do que esses bits contêm. Essa é a diferença entre “conteúdo” e “transmissão”, que são dois mercados separados. A transmissão não é grátis, mas o conteúdo muitas vezes o é. O que seu provedor cobra mensalmente cobre a entrega desse conteúdo, mas a criação do conteúdo é controlada por um modelo econômico totalmente diferente.