Free: grátis. O futuro dos preços
14. O Grátis afasta os profissionais e favorece os amadores, à custa da qualidade.
Mas isso é mais uma exceção do que a regra, por duas razões. Em primeiro lugar, o modelo freemium em ascensão satisfaz perfeitamente o desafio de Cuban. No caso do freemium, outra pessoa está pagando, mas pela versão premium do produto que você está ganhando. Isso mostra que, mesmo que a versão grátis não tenha passado no teste da carteira, seu primo passou e você pode confiar na linhagem. Por exemplo, você pode sentir que o Google Earth apresenta qualidade profissional porque se relaciona ao caríssimo Google Earth Pro, com apenas alguns recursos a menos. (Para ser justo, Cuban reconhece que o freemium satisfaz seus critérios, mas, como ele exagerou na tese e tantas pessoas parecem concordar com ele, eu continuarei a incomodar.)
A segunda razão pela qual o argumento de Cuban não se sustenta é o fato de existirem tantos exemplos que comprovam o contrário. Ninguém despreza o Facebook por ser grátis nem anseia por um navegador da Web pelo qual as pessoas estejam pagando. Quando alguma coisa costumava custar dinheiro e agora é grátis, você pode até desprezá-la – um clube que antes estava na moda agora está deixando qualquer pessoa entrar de graça. Mas se alguma coisa sempre foi grátis e não existe expectativa de isso mudar, há pouca evidência de que as pessoas desprezem o item. Os sites são avaliados com base em seus méritos e as pessoas aprenderam que um site pago tem mais chances de ser uma furada do que um grátis, já que pode roubar mais do que somente tempo.
14. O Grátis afasta os profissionais e favorece os amadores, à custa da qualidade.
Não é coincidência alguma o fato de que, da mesma forma que você tem a ascensão do The Huffington Post, que
incentiva as pessoas a dar de graça o conteúdo, você tem desemprego e a morte do jornalista profissional.
Andrew Keen, autor de O culto do amador
É verdade: o grátis tende a igualar as condições entre profissionais e amadores. À medida que mais pessoas criam conteúdo por razões não monetárias, a concorrência com pessoas que fazem o mesmo por dinheiro cresce. (Como o empregador de muitos jornalistas profissionais, penso nos papéis relativos dos amadores e dos profissionais o tempo todo.) Tudo isso significa que a criação e a divulgação de conteúdo deixaram de ser um privilégio exclusivo de quem é pago para isso. Mas não significa que você não possa ser pago por isso.
Em vez disso, os jornalistas profissionais que estão vendo seus empregos evaporarem normalmente são aqueles cujos empregadores não conseguiram encontrar um novo papel em um mundo de informações abundantes. De modo geral, isso significa jornais, que constitui uma indústria que provavelmente precisará se reinventar tão radicalmente quanto as gravadoras. Os líderes (o The New York Times, Wall Street Journal etc.) provavelmente encolherão um pouco e os menores podem ser dizimados.
Mas desse banho de sangue, surgirá um novo papel para os jornalistas profissionais. Haverá mais deles, e não menos, quando a possibilidade de participar do jornalismo se estender para além dos escritórios credenciados da mídia tradicional. Mas eles ganharão muito menos e, para muitos, o jornalismo não será um emprego de período integral. O jornalismo como profissão dividirá o palco com o jornalismo como ocupação. Enquanto isso, outros podem utilizar suas habilidades para ensinar e organizar amadores para fazer um trabalho melhor cobrindo as próprias comunidades, tornando-se mais editores ou orientadores do que escritores. Nesse caso, alavancar o Grátis – pagar pessoas para fazer outras pessoas escreverem por recompensas não monetárias – pode não ser o inimigo dos jornalistas profissionais. Na verdade, pode ser sua salvação.