Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 22 de 98

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A Péssima Aposta de Ehrlich

Com o tempo, a ideia de que as commodities podem ficar mais baratas, e não mais caras, é absurda. Os alimentos ao menos são renováveis, mas os minerais não. Afinal, a Terra é um recurso limitado e, quanto mais minério extraímos do planeta, menos sobra, o que constitui um caso clássico de escassez. Em 1972, um grupo de pensadores chamado Clube de Roma, publicou um livro intitulado Limits to Growth que estimava as consequências de uma população mundial em rápido crescimento e suprimento finito de recursos. O livro vendeu 30 milhões de exemplares e definiu o movimento ambiental, incluindo os perigos da “explosão populacional”, que impunha um fardo mais pesado sobre nosso planeta do que ele tem condições de suportar.

Mas nem todo mundo concordava com esse desespero malthusiano. Uma rápida análise da história dos séculos XIX e XX sugere que ficamos espertos muito mais rapidamente do que nos reproduzimos – a engenhosidade humana tende a encontrar maneiras de extrair recursos da Terra mais rapidamente do que conseguimos utilizá-los. Isso tem o efeito de aumentar a oferta mais rapidamente do que a demanda, o que, por sua vez, reduz os preços. (Obviamente, não há como se manter isso para sempre, já que esses recursos são, em última instância, limitados, mas a questão é que eles são muito menos limitados do que o Clube de Roma acreditava.) As discussões sobre a veracidade dessa afirmação se transformaram em uma das apostas mais famosas da história, uma que essencialmente viria a definir os pontos de vista opostos de mentalidade da escassez versus mentalidade da abundância.

Em setembro de 1980, Paul Ehrlich, um biólogo populacional, e Julian Simon, um economista, fizeram uma aposta, documentada nas páginas do Social Science Quarterly, sobre o preço futuro de algumas commodities básicas.

Simon se ofereceu a apostar $10 mil em sua crença de que “o custo das matérias-primas não controladas pelo governo (incluindo grãos e petróleo) não aumentará no longo prazo”. Ehrlich aceitou o desafio e eles concordaram com a data 29 de setembro de 1990, 10 anos depois, para pagar a aposta. Se os preços, ajustados para a inflação, de vários metais subissem durante esse período, Simon pagaria a Ehrlich a diferença combinada; se os preços caíssem, Ehrlich pagaria a Simon. Ehrlich escolheu cinco metais: cobre, cromo, níquel, estanho e tungstênio.

Entre 1980 e 1990, a população mundial cresceu em mais de 800 milhões de pessoas, o maior aumento em uma década de toda a história da humanidade. Mas em setembro de 1990, sem exceção, o preço de cada um dos metais selecionados por Ehrlich caíra e, em alguns casos, em mais da metade. O cromo, que era vendido por $7,80/kg em 1980, caiu para $7,40/kg em 1990. O estanho, que custava $17,44/kg em 1980, caiu para $7,76/kg uma década mais tarde.

Por que Simon ganhou a aposta? Em parte, porque ele era um bom economista e compreendia o efeito da substituição: se um recurso se tornar escasso e caro demais, isso gera incentivo para encontrar um substituto abundante, o que reduz a demanda pelo recurso escasso (veja, por exemplo, a corrida atual para encontrar substitutos para o petróleo). Simon acreditava – e com razão – que a engenhosidade humana e a curva de aprendizado da ciência e tecnologia tendem a criar novos recursos mais rapidamente do que nós os utilizamos.

Ele também ganhou porque Ehrlich era pessimista demais. Ehrlich havia previsto uma escassez de alimentos “em proporções inacreditáveis” que ocorreria até 1975, com centenas de milhões de pessoas morrendo de fome nas décadas de 1970 e 1980, o que significaria que o mundo estaria “entrando em uma autêntica era da escassez”. (Apesar dos erros de cálculo, Ehrlich recebeu o prêmio Genius Award da MacArthur Foundation em 1990 pela promoção de “uma compreensão maior por parte do público dos problemas ambientais”.)