Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 33 de 98

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Por que a Lei de Moore Funciona

A maioria dos processos industriais melhora com o tempo e com o aumento da escala por meio de um efeito conhecido como curva de aprendizado. Só que os processos com base em semicondutores fazem isso muito mais rapidamente e por mais tempo.

O termo “curva de aprendizado” foi cunhado pelo psicólogo alemão do século XIX Hermann Ebbinghaus para descrever aprimoramentos que ele observou quando as pessoas memorizavam tarefas ao longo de várias repetições. Mas a expressão logo assumiu um significado mais amplo. Segundo esse princípio, quanto mais vezes uma tarefa for realizada, menos tempo levará para a próxima repetição. Essa relação foi quantificada pela primeira vez em 1936, na Base da Força Aérea Wright-Patterson, onde os administradores registraram que, a cada vez que a produção total de uma aeronave dobrava, o tempo necessário de mão de obra caía entre 10% e 15%.

No final da década de 1960, o Boston Consulting Group (BCG) começou a analisar a indústria de tecnologia e identificou melhorias que muitas vezes eram mais rápidas do que curvas de aprendizado simples eram capazes de explicar. Quando a curva de aprendizado se concentrava mais no aprendizado humano, esses efeitos mais intensos pareciam ter mais relação com a escala: à medida que os produtos eram fabricados em números maiores, os custos caíam em uma porcentagem constante e previsível (10% a 25%) a cada vez que o volume dobrava. O BCG chamou a isso “curva de experiência” para incluir a aprendizagem institucional – variando de eficiências administrativas a otimização da cadeia de suprimento –, bem como a aprendizagem individual dos trabalhadores.

Mas a partir da década de 1970, as quedas de preço na nova área dos semicondutores pareciam estar ocorrendo ainda mais rapidamente do que a curva de experiência era capaz de explicar. Os transistores originais se posicionavam no extremo superior do índice do BCG e continuavam caindo. Durante uma década, as vendas do transistor 1211 da Fairchild aumentaram quatro mil vezes. Isso significa 12 duplicações, o que, de acordo com a teoria da curva de experiência, conduziria a uma queda de preço para um trigésimo do valor original. Na verdade, o preço caiu para um milésimo desse valor. Claramente algo mais estava acontecendo.

A diferença dos semicondutores é uma característica de muitos produtos de alta tecnologia: eles apresentam uma razão muito alta de cérebro em relação aos músculos. Em termos econômicos, os insumos são, na maior parte, intelectuais, em vez de materiais. Afinal, os microchips não passam de areia (silício) montada de forma muito inteligente. Como diz George Gilder, autor de Microcosm:

Quando a matéria exerce uma função tão insignificante na produção, há menos resistência material

ao aumento do volume. Os semicondutores representam a derrocada da matéria na economia.

Em outras palavras, as ideias podem propagar-se praticamente sem limites e sem custo. Isso, é claro, não é novidade alguma. Na verdade, foi Thomas Jefferson, pai do sistema de patentes (e de muito mais), que expressou esse conceito melhor do que qualquer pessoa: