Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 85 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

8. Oceanos esgotados, banheiros públicos imundos e aquecimento global são o custo real do Grátis.

Quanto a ganhar dinheiro, isso é feito indiretamente, por meio da venda de serviços referentes aos itens gratuitos (como suporte ao Linux) ou encontrando maneiras de transformar a moeda de reputação que ganharam com as outras pessoas se beneficiando de seu trabalho (com o devido crédito) em dinheiro por meio de melhores empregos, serviços pagos e assim por diante.

 

8. Oceanos esgotados, banheiros públicos imundos e aquecimento global são o custo real do Grátis.

O estacionamento grátis contribuiu para a dependência nos automóveis, rápido crescimento urbano, utilização

extravagante da energia e uma série de outros problemas. Os planejadores obrigaram o estacionamento grátis para

reduzir os congestionamentos, mas acabaram distorcendo as opções de transporte, solapando o design urbano,

prejudicando a economia e degradando o ambiente. O abundante estacionamento grátis explica por que nossas

cidades se expandem em uma escala mais adequada para carros do que para pessoas e por que os carros americanos

atualmente consomem um oitavo da produção total de petróleo do mundo.

– Donald Shoup, The High Cost of Free Parking

Nenhuma discussão sobre Grátis é capaz de evitar a “tragédia dos comuns”. Se não tivermos de pagar pelas coisas, tendemos a consumi-las em excesso. O exemplo clássico de tragédia dos comuns (que o biólogo Garrett Hardin usou em um artigo de 1968) é o pastoreio de ovelhas em um pasto de propriedade comum. Como os donos das ovelhas não tinham de pagar pela terra, eles não tinham incentivo para preservá-la. Na verdade, a situação é ainda pior: como eles sabem que os outros também podem desperdiçar o recurso, podem escolher ganhar uma parcela maior do benefício, desperdiçando-o mais rapidamente, pastoreando mais ovelhas, durante mais tempo, até o rápido esgotamento da grama.

Essa é a consequência do que os economistas chamam de “fatores externos negativos não compensados”. Quando, na verdade, as coisas são escassas (limitadas), mas nós as precificamos como se fossem abundantes (essencialmente ilimitadas), coisas ruins podem acontecer.

Veja o exemplo do aquecimento global. Agora, sabemos que o custo de liberar toneladas de carbono na atmosfera é que as temperaturas globais subirão e isso criará todo tipo de consequências sombrias. Mas nós precificamos a liberação atmosférica de carbono, como se não houvesse consequências, o que significa dizer que isso não foi precificado. Éramos livres para liberar quanto carbono quiséssemos na atmosfera e, como resultado, liberamos o máximo possível. Em outras palavras, o custo ambiental do carbono era, ao mesmo tempo, “externo” a nosso sistema econômico e, como descobrimos mais tarde, negativo. Os esforços atuais de impor impostos sobre o carbono, limites máximos e outras restrições são tentativas de compensar esses custos, fazendo-os passar a ser “internos” a nosso sistema econômico.

Você pode ver esse problema por toda parte. Nós abusamos da pesca nos oceanos porque os limites eram inexistentes ou não eram obrigatórios e os pescadores tratavam os peixes como se fossem “grátis”. No nível pessoal, se você entrar em um banheiro público imundo, provavelmente poderá sentir o cheiro dos fatores externos negativos não compensados. O banheiro pode ser utilizado de graça e o custo de limpá-lo é pago por outra pessoa, de modo que as pessoas tendem a não tratá-lo com o mesmo cuidado que dedicariam ao próprio banheiro, onde os custos são sentidos diretamente. E assim por diante, do lixo ao desflorestamento. O Grátis pode levar ao excesso e, dessa forma, arruinar a festa para todos.