Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 40 de 98

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7. Competindo com o Grátis

COMPETINDO COM O GRÁTIS

 

A Microsoft aprendeu a fazer isso ao longo de décadas, mas o Yahoo

só teve alguns meses

 

NO DIA 3 DE FEVEREIRO DE 1975, Bill Gates, então “Sócio Geral, Micro-Soft” escreveu uma “Carta Aberta aos Amadores” explicando que sua empresa gastara $40 mil no desenvolvimento de um software que estava sendo copiado de graça. Se a situação continuasse, alertou, ele não conseguiria mais desenvolver novos softwares no futuro e todos perderiam:

Como grande parte dos amadores devem saber, a maioria de vocês rouba software. O hardware deve

ser pago, mas o software é algo a ser compartilhado. Quem se importa se as pessoas que trabalharam

para desenvolvê-los são ou não pagas?

Mais tarde, o apelo acabou funcionando. À medida que o computador passou do mundo dos geeks a usuários comuns que eram menos adeptos a copiar software, a noção de que o código deveria ser pago passou a ser aceita. O Apple II e o PC da IBM apareceram, nas lojas que vendem software, em caixas, incluindo manuais de instruções. O software se tornou uma indústria e a Microsoft, agora sem hífen, prosperou.

Mas os dias de concorrência com o Grátis não haviam chegado ao fim. A pirataria nunca foi totalmente exterminada e, uma vez que o software passou de discos flexíveis difíceis de copiar a CDs, que podiam ser duplicados da mesma forma que os CDs de música, a pirataria decolou. A Microsoft incluiu códigos de segurança que os usuários receberiam no pacote oficial, mas os piratas os copiavam também, além dos hologramas das embalagens. Ações judiciais, campanhas de conscientização, grupos comerciais do setor e até ações diplomáticas mantiveram a pirataria sob controle no mundo desenvolvido, mas, no mundo em desenvolvimento, ela cresceu desgovernada.

Na China, o mercado de PCs, em rápido crescimento, foi impulsionado pelos piratas que vendiam software da Microsoft e de todos os outros desenvolvedores, de jogos a programas educativos. Oficialmente, a Microsoft assumiu uma postura linha-dura contra isso. Mas Gates & Co. também eram realistas. Eles sabiam que era impossível eliminar totalmente a pirataria de seus produtos e que qualquer tentativa nesse sentido seria, ao mesmo tempo, dispendiosa e dolorosa para os clientes pagantes, que seriam obrigados a percorrer tortuosos esquemas de verificação de todos os tipos. E a situação não era tão ruim assim: se as pessoas estavam pirateando o software, pelo menos ele estava sendo utilizado e isso poderia algum dia se transformar em verdadeira participação de mercado quando esses países se desenvolvessem.