As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 102 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 102

 

— Se você veio aqui para me desa ar para outra corrida, vou ter que marcar para a semana que vem — diz Genz, e sorri para ela.

Ele está ao lado de uma mala de viagem e uma mala de mão, e ocupado vestindo um casaco impermeável, quando Thulin entra no grande laboratório. A recepcionista tinha avisado que ele acabou de voltar de uma cena de crime, mas que estava de saída para uma conferência no Herning Exhibition Centre no m de semana. Mesmo assim, ela conseguiu entrar . Tentou falar com ele por telefone no táxi até lá, mas não conseguiu, então cou aliviada ao encontrá-lo no departamento , embora claramente não seja uma boa hora.

— Não é isso. Preciso da sua ajuda.

— Podemos falar a caminho do carro?

— De que tipo eram as castanhas do sr. Castanha deixado com a impressão digital de Kristine Hartung?

— De que tipo? — Genz já estava apagando as luzes, mas para e olha para ela. — Não estou entendendo.

Thulin subiu correndo e percebe que ainda está ofegante.

— Uma castanha não é apenas uma castanha, certo? Existem vários tipos. Então, de que tipo eram as castanhas?

— Eu não lembro assim de cabeça...

— Eram castanhas-da-índia?

— Por que você quer saber? O que houve?

— Talvez não seja nada. Se você não consegue lembrar, deve estar em algum dos relatórios do laboratório.

— Tenho certeza que sim, mas eu estou...

— Genz, eu não pediria se não fosse importante. Será que você pode veri car agora?

Com um suspiro, Genz afunda na cadeira em frente à enorme tela. Alguns segundos depois, ele entra no sistema e Thulin acompanha o que ele está fazendo. Genz acessa uma pasta e passa por diversos relatórios numerados, seleciona um deles e dá um duplo clique. A quantidade de dados e análises é enorme, mas Genz passa rapidamente pelo relatório, claramente familiar com seu conteúdo, e para em um parágrafo especí co com o título “Espécie e origem ”.

— No primeiro caso, ou seja, no de Laura Kjær, a digital estava em uma castanha comestível, cujo nome cientí co é Castanea sativa x crenata . Satisfeita?

— E nas outras?

Genz a encara por um tempo, como se quisesse dizer que aquilo não tem graça nenhuma.

— Sério, Genz! É importante!

Genz volta a atenção para a sua mesa digital, clica em outro relatório , então repete o procedimento uma terceira vez. Quando termina, Thulin sabe a resposta antes que ele diga.

— Nos outros casos, o resultado foi o mesmo. Castanea sativa x crenata . Está bem?

— E você tem certeza? Não há dúvidas quanto a isso?

— Thulin, essa parte da análise foi feita por um dos meus assistentes porque eu estava concentrado na digital em si, então é claro que eu não posso garantir ...

— Mas não é muito provável que o seu assistente fosse errar três vezes, certo?

— Não é provável. Mas como nenhum deles é especialista em castanhas, o procedimento-padrão é procurar um perito para identi car a espécie. Imagino que eles tenham feito isso. Agora, você se importa de me dizer o que isso signi ca?

Thulin ca em silêncio. Ela fez duas ligações do táxi: uma para Genz e outra para Steen Hartung, que atendeu com uma voz sem vida. Sentindo uma sgada de culpa, ela se desculpou por incomodá-lo e explicou que estava terminando o relatório e que precisava lembrar que tipo de castanheiro a família tinha em casa, cujos frutos eram usados por Kristine e sua amiga para fazer os bonecos de castanha. Hartung não teve nem energia para se mostrar surpreso e, quando ela acrescentou que era apenas uma formalidade, ele respondeu sem mais comentário. O grande castanheiro que tinham no jardim era um castanheiro-da-índia.

— Signi ca que temos um problema. Precisamos falar imediatamente com esse perito. Agora mesmo.