As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 115 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 115

 

Rosa grita o nome da lha pelos corredores da casa fria e escura. Corre até o segundo andar e procura em todos os cômodos, mas o resultado é sempre o mesmo. Não há nada. Nenhum móvel, nenhum objeto, apenas o cheiro de verniz e madeira recém-cortada. É uma casa recém-reformada, mas vazia, e parece que nunca houve nada lá dentro . Ao descer a escada, ouve a voz dele. Está cantarolando alguma coisa, uma antiga cantiga, e quando Rosa a reconhece o sangue gela em suas veias. Quando passa pela porta do corredor e entra na sala, ele está agachado, de costas para ela, usando o atiçador em um forno a lenha. No balde azul ao lado está o machado e, com um movimento rápido, ela o pega. Mas o homem não move nenhum músculo. Ainda está agachado quando olha para ela, e as mãos de Rosa começam a tremer , mas ela tenta segurar o cabo com rmeza para estar pronta para usá-lo.

— O que foi que você fez?

Ele fecha a portinhola do forno e coloca cuidadosamente o ferrolho .

— Ela está em um lugar melhor . Não é o que as pessoas dizem?

— Eu perguntei o que foi que você fez!

— Era o que me diziam, sempre que eu perguntava sobre a minha irmã. Um pouco irônico, para dizer a verdade. Primeiro você tranca os gêmeos no porão e deixa o maridinho fazer o que ele quiser enquanto a mamãezinha lma tudo. Depois você os separa por anos, sem permitir que se falem, porque você acha que será melhor para eles...

Rosa não sabe o que dizer, mas ele se levanta e ela segura o machado com mais força.

— Mas em um lugar melhor, isso não serve de consolo. Acho que não saber é o pior . Você não acha?

O homem é louco. Todas as ideias que vieram à mente de Rosa durante o percurso são inúteis. Não há como discutir, não há uma estratégia ou um plano que possa ser usado diante daquele olhar sereno. Em vez disso, ela dá um passo em direção a ele.

— Eu não sei o que você quer . E não estou nem aí. Você vai me dizer o que foi que você fez e está onde Kristine. Você me ouviu?

— Ou o quê? Vai usar isso aí em mim?

Ele aponta casualmente para o machado em sua mão, e ela sente as lágrimas nos olhos. Ele tem razão. Ela não vai usar o machado, ou nunca saberá. Mesmo que lute para controlá-las, as lágrimas começam a escorrer , e Rosa vê a sombra de um sorriso no rosto dele.

— Por que não pulamos essa parte? Nós dois sabemos o que você quer ouvir , e eu quero te contar . A única questão é o quanto você quer saber .

— Eu faço qualquer coisa... Só me diga... Por que você não pode simplesmente me dizer ...?

Ele é rápido, e ela não tem tempo para reagir quando ele se aproxima e pressiona algo molhado e macio contra o seu rosto. O cheiro forte invade suas narinas. Ela tenta se libertar , mas ele é muito mais forte, e sua voz está sussurrando bem próximo à sua orelha.

— Calma... Respire. Tudo isso vai acabar logo.