As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 68 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 68

 

As panelas estão fervendo no pequeno fogão a gás do apartamento em Vesterbro , e Thulin aumenta o volume da TV para superar o som do exaustor e da campainha.

— Vá lá abrir a porta para o vovô.

— Abre você.

— Me ajuda, vai. Estou ocupada com a comida.

Le segue relutante para a porta da frente, segurando seu inseparável iPad. Já discutiram por causa disso, mas Thulin não tem energia para lidar com isso agora. A mídia realmente colocou as mãos na informação sobre as digitais de Kristine Hartung nos srs. Castanha encontrados junto aos corpos de Laura Kjær e de Anne Sejer-Lassen. Até onde Thulin conseguiu ver em uma busca rápida na internet, a notícia inicial surgiu no nal daquela tarde em um dos dois maiores tabloides, mas o jornal rival seguiu tão depressa que era difícil saber se tinha recebido a informação de uma fonte diferente ou se estava simplesmente reescrevendo o primeiro artigo. A manchete — KRISTINE HARTUNG AINDA ESTÁ VIVA? — correu como rastilho de pólvora de uma mídia para outra, con rmando que os tabloides só repetem sempre o mesmo conteúdo. “Fontes anônimas na polícia” a rmaram que talvez houvesse uma conexão entre os dois assassinatos e o caso de Kristine Hartung depois que suas impressões digitais foram misteriosamente encontradas nos srs. Castanha, lançando dúvidas sobre a morte da garota. Tecnicamente era uma versão simpli cada da verdade, embora Nylander e outros policiais mais velhos tenham negado qualquer especulação sobre isso. A reviravolta foi tão sensacional que se tornou a matéria mais importante do dia, e se Thulin se esqueceu de como também cou

surpresa quando a impressão digital foi encontrada, de nitivamente ela lembra agora. Todos os tipos de teoria e conjecturas foram levantadas e um dos jornais on-line chamou o assassino de “ sr. Castanha ”. Aquele era obviamente apenas o início de uma avalanche de notícias. Thulin entendeu perfeitamente bem por que Nylander os abandonou imediatamente para focar em encontros estratégicos e lidar com a imprensa.

Enquanto isso, ela mergulhou nos preparativos para a operação em Urbanplan daquela noite. Embora Hess tenha sido contra a tentativa de prepararem uma armadilha para o assassino, Nylander acabou por aprovar a ideia. Jessie Kvium recebeu com uma frustração incrédula a notícia de que ela e a lha não teriam autorização para voltar para casa, mas seus argumentos foram todos descartados. Escovas de dentes e outras coisas de que precisassem seriam providenciadas, e elas teriam que se preparar para dormir por algumas noites sob forte vigilância em um chalé em Valby , que era oferecido pela prefeitura para famílias de baixa renda. Jessie Kvium e sua lha conheciam bem o programa, já tendo passado uma semana das férias de verão por lá.

Jessie acabou colaborando e respondendo a perguntas sobre sua rotina, e, à medida que as questões começaram a ser mais insistentes e detalhadas, ela se deu conta de que todo o papo sobre ameaças era sério . Foi a própria Thulin, junto com Hess, que a interrogou, absorvendo o máximo de informações para que soubessem exatamente como Jessie se comportaria quando chegasse ao condomínio no seu carro , que a polícia também usaria como parte da operação.

Thulin estava disposta a ir para Urbanplan imediatamente, mas no

m das contas a rotina de Jessie era um pouco diferente. Toda sexta-

feira à noite depois da aula de balé da lha, ela seguia direto para uma reunião dos Alcoólicos Anônimos em Christianshavns Torv . Essa era uma exigência do Conselho Tutelar; ela deveria frequentar as reuniões das sete às nove da noite se quisesse continuar recebendo pensões da assistência social. A lha geralmente tirava um cochilo em um banco no corredor , até Jessie terminar e levá-la para o carro. Mas já que tinha passado das sete horas, cou decidido que Thulin só ia começar a viver como Jessie depois da reunião dos AA.

Enquanto a força-tarefa e o comando passavam tempo estudando as plantas baixas do local e as rotas de acesso e saída de Urbanplan, Thulin foi pegar a lha na casa de Ramazan e voltou para a própria casa para preparar um macarrão até a hora de o avô assumir as pontas. Le tinha cado frustrada porque Thulin não teria tempo naquela noite para ajudá-la a subir de nível no League of Legends, e ela foi obrigada a admitir mais uma vez que passava tempo demais longe de casa.

— Venha logo, hora de comer! Se o vovô ainda não jantou, vocês podem jantar juntos.

A lha volta da sala com um ar triunfante no rosto.

— Não é o vovô. É um cara do seu trabalho. Com o rosto e a cabeça machucados e olhos de cores diferentes. Ele disse que vai adorar me ajudar a passar para o próximo nível.