As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 15 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 15

 

— A mensagem chegou hoje mais cedo, enviada para o seu e-mail parlamentar o cial. O serviço de inteligência está tentando localizar o remetente e tenho certeza de que eles vão encontrá-lo, mas pode levar algum tempo. Sinto muito — declara Engells com gentileza.

Quando Rosa voltou ao gabinete depois de dar as boas-vindas à equipe, encontrou Engells aguardando por ela. Agora ela está de pé diante da janela atrás da sua mesa, e ciente de que o seu chefe de gabinete a está observando com um olhar compreensivo que ela acha insuportável.

— Eu já recebi e-mails de ódio antes. Geralmente são enviados por infelizes sem mais nada para fazer .

— Esse foi diferente. Mais odioso. Eles usaram imagens do Facebook da sua lha, que já foi apagado há mais de um ano, quando ela... desapareceu. Isso signi ca que é de alguém que tem interesse em você há muito tempo.

A informação abala Rosa, mas ela está determinada a esconder o choque.

— Eu quero ver .

— Já foi entregue para o Departamento de Inteligência e Segurança, e eles estão...

— Engells, você nunca entrega nada sem fazer pelo menos umas sete cópias. Eu quero ver .

O chefe de gabinete olha para ela meio incerto, mas acaba abrindo a pasta que trouxe e tira uma folha de papel, que coloca sobre a mesa. Rosa pega a folha e, a princípio, não consegue entender o que são os minúsculos fragmentos coloridos espalhados descuidadamente por ela. Mas então entende. Reconhece as sel es que Kristine tirou: deitada na quadra esportiva, rindo e suada com o uniforme de handebol; a caminho da praia com a nova bicicleta; durante uma guerra de neve com Gustav, no jardim; toda arrumada em frente ao espelho no banheiro, ngindo ser uma modelo. Rosa é atingida por uma onda de perda e luto, até seus olhos caírem na frase que foi escrita para ela. “Bem-vinda de volta. Você vai morrer , sua piranha.” As palavras foram arrumadas acima das imagens em um arco de letras vermelhas, e a mensagem parece mais maligna por ter sido escrita com uma caligra a trêmula e infantil.

Quando Rosa volta a falar, se esforça para soar normal:

— Não é o primeiro louco com o qual temos que lidar . Em geral, não é nada demais.

— Não , mas essa...

— Não vou permitir que me intimidem. Vou fazer o meu trabalho enquanto o Departamento de Inteligência faz o dele.

— Nós achamos que você deveria pedir seguranças. Eles poderão protegê-la se...

— Não , nada de seguranças.

— Por que não?

— Porque eu não acredito que seja necessário. A mensagem tem um objetivo bem claro. Foi escrita por algum louco infeliz que quer car

escondido atrás de uma tela e, de qualquer forma, a minha família não precisa lidar com mais coisa agora.

Engells a encara com uma expressão levemente surpresa, a mesma que faz nas raras ocasiões em que Rosa menciona algo ligado à sua vida pessoal.

— Nós precisamos de normalidade para podermos seguir em frente.

O chefe de gabinete está prestes a dizer alguma coisa, e Rosa vê que ele não concorda.

— Engells, eu realmente agradeço a sua preocupação, mas se é só isso, eu gostaria de ir à câmara legislativa para o discurso de abertura do primeiro-ministro.

— Claro. Vou passar suas instruções.

Rosa sai pela porta e encontra Liu esperando. Engells a observa sair , e Rosa sente que ele ainda vai car lá por um longo tempo.