As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 95 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 95

 

Apesar da chuva, a viagem até o noroeste de Zelândia só leva quarenta minutos com a sirene ligada, embora pareça uma eternidade. Ao chegar à estrada escura que passa pela oresta, Hess vê a saída que precisa pegar . Os carros vazios da força-tarefa estão estacionados no acostamento perto de uma trilha de cascalho, várias viaturas policiais estão ao lado deles e, depois de mostrar o distintivo pela janela, dois policiais encharcados permitem sua passagem. O fato de que eles o deixam passar deve signi car que a operação acabou. No entanto, Hess não sabe qual é o resultado, e não perde tempo perguntando aos policiais na estrada principal que talvez não estejam a par de todas as informações.

Ele segue rapidamente e se obriga a diminuir a velocidade enquanto cruza a trilha de cascalho. Ignorou as ordens de Nylander para voltar para a delegacia e, a caminho dali, decidiu veri car os antecedentes de Frederik Vogel. Devia ter feito isso bem mais cedo.

Algo lhe diz que Asger Neergaard vai con rmar que trabalhou até tarde na noite de 16 de outubro. De qualquer forma, Hess acabou de falar com a secretária de Hartung, que a rmou que Neergaard ligou e a acordou naquela noite, pouco depois da meia-noite, para perguntar onde estava a ministra, pois estava aguardando no hall de entrada da Royal Library . Ela se desculpou por ninguém tê-lo avisado, e se Neergaard realmente cou esperando no hall, então outras testemunhas provavelmente poderão con rmar isso. Se Benedikte Skans passou a noite de plantão no Rigshospital no mesmo período, então não tem como o casal ter assassinado Jessie Kvium e Martin Ricks, o que faz com que Vogel pareça ainda mais suspeito. Ele não parece ter um álibi para os assassinatos em Hammock Gardens, e Hess não vê a hora de perguntar a Asger Neergaard onde ele estava na hora dos dois assassinatos. Ele talvez até saiba algo sobre o relacionamento de Hartung e Vogel. Talvez haja um motivo que Hess e Thulin ainda não sabem. Ele sente o impulso de ligar para Thulin de novo. Já tentou duas vezes desde que saiu de Copenhague.

Faróis se aproximam, vindo na direção oposta pela estrada estreita, e ele desvia para dar passagem à ambulância. A sirene não está ligada, mas Hess não sabe dizer se isso é bom ou mau sinal. Um carro policial não identi cado a segue e ele vislumbra Nylander no banco de trás, absorvido em uma ligação. Continua dirigindo e passa por alguns policiais da força-tarefa voltando para a estrada principal e, pela expressão séria que vê em seus rostos, sente a presença da morte. Quando chega ao cordão de isolamento, percebe que a situação não é a que esperava.

Há outros policiais um pouco mais à frente, e uma área de cerca de dez por dez metros está fortemente iluminada por holofotes. No centro está a van com a logomarca da Hertz na parte traseira. Uma das portas da frente está aberta, assim como a porta deslizante, e próximo ao pneu dianteiro esquerdo há um corpo coberto por um lençol branco. Outro está a uns dez metros de distância.

Hess salta do carro, sem se importar com a chuva nem com o vento. A única pessoa que reconhece é Jansen e, embora eles não se deem muito bem, vai até ele.

— Onde está o garoto?

— O que você está fazendo aqui?

— Onde ele está?

— O garoto está bem. Parece que não foi ferido, mas está sendo levado para ser examinado.

Hess sente uma onda de alívio, mas agora sabe de quem são os corpos estendidos no chão embaixo dos lençóis brancos.

— Foi a força-tarefa que o encontrou e o libertou da van. Deu tudo certo , então não tem a menor necessidade de você estar aqui, Hess.

— Mas o que foi que aconteceu?

— Nós os encontramos assim.

Jansen levanta o lençol do corpo perto da frente da van. O jovem, que Hess reconhece como sendo Asger Neergaard, morreu com os olhos abertos, e o tronco está todo perfurado.

— Estamos trabalhando com a suposição de que a mulher surtou. Estamos a uns seis quilômetros de um dos bloqueios, então eles provavelmente estavam indo para lá e pegaram essa estradinha para fugir , mas ela deve ter percebido que estava tudo acabado. Ela usou a faca militar primeiro para matar o namorado e depois para cortar a própria carótida. Os corpos ainda estavam mornos quando chegamos, então tudo aconteceu nas últimas duas horas. E não, eu não estou satisfeito com isso. Eu preferia muito mais vê-los apodrecer por trinta anos na cadeia pelo que zeram com Ricks.

Hess sente a chuva escorrer pelo rosto. Jansen solta o lençol, então agora só dá para ver a mão sem vida de Neergaard aparecendo. Por um momento, parece que ele está estendendo a mão para o corpo coberto de Benedikte Skans, caído na lama a dez metros de distância.