As Sombras de Outubro
Capítulo 43
Anne Sejer-Lassen corre desesperadamente pela escuridão , enquanto galhos de árvores batem no seu rosto. Ela sente os espinhos e as raízes cortarem seus pés, mas continua correndo, obrigando-se a seguir em frente conforme suas pernas se enchem de ácido láctico e as cãibras têm início. A cada instante tem a esperança de reconhecer algum detalhe da oresta que lhe é tão familiar, mas não há nada além do escuro , do som da própria respiração e dos galhos estalando e traindo sua localização .
Por m ela para ao lado de uma grande árvore. Encosta-se contra o tronco frio e úmido e tenta prender a respiração, ouvindo os sons da
oresta. O coração parece prestes a explodir, e ela está quase
chorando . Muito ao longe, acha que ouve vozes, mas não sabe se localizar . Sabe que está correndo há muito tempo e tenta perceber se seu perseguidor está atrás dela. Está perdida, mas olha para trás e não vê a luz de nenhuma lanterna, nenhum barulho , nenhum movimento na escuridão, e aquilo tem que signi car que conseguiu escapar.
À sua frente, bem longe entre as árvores, vê uma luz se movendo em um arco lento e Anne logo acha que consegue ouvir um motor distante. De repente, sabe onde está. O facho de luz só pode ser do farol de um carro dirigindo pela viela que começa no desvio para o rio. Contrai os músculos, reúne coragem e começa a correr . Está a uns cento e trinta metros da viela, mas sabe exatamente onde há uma curva acentuada, que vai fazer com que saia bem na frente do carro. Só mais quarenta e cinco metros e então vai começar a gritar. Só trinta agora e, mesmo que o carro esteja em movimento, o motorista vai conseguir ouvir sua voz, e o seu perseguidor vai ter que desistir.
O golpe a atinge de frente. Algo se enterra na sua bochecha, algo cortante, e ela percebe na hora que ele devia estar parado bem à sua frente, esperando que reagisse à luz. Ela sente o chão da oresta sob o corpo enquanto o gosto metálico de sangue enche sua boca. Tenta
car de joelhos, mas então recebe outro golpe no rosto e cai de quatro
antes de começar a soluçar .
— Você está bem, Anne?
A voz está sussurrando bem perto do seu ouvido, mas, antes que consiga responder , uma chuva de golpes cai sobre ela. Nos segundos entre cada um deles, ouve a própria voz perguntar por quê. Por que ela, o que tinha feito de errado? Então a voz nalmente conta, e ela desiste de lutar . Uma bota força seu braço contra o chão, e ela sente a lâmina a ada contra o pulso. Implora e suplica pela própria vida, não por ela, mas pelas lhas. Por um momento, a gura parece considerar o pedido, então Anne sente algo tocar seu rosto.