As Sombras de Outubro
Terça-Feira, 13 de Outubro
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Está caindo um dilúvio. Fileiras compridas de policiais com roupas escuras vasculham a oresta, as lanternas apontando para o chão , enquanto um helicóptero sobrevoa a copa das árvores com as luzes de busca acesas. Hess e os outros estão trabalhando há quase sete horas e já passa da meia-noite. Três gerentes de operações mapearam a área, dividindo a oresta em cinco zonas, e cada qual será examinada por uma equipe com potentes lanternas Maglite e cães farejadores.
Todas as entradas e saídas foram fechadas assim que o corpo de Anne Sejer-Lassen foi encontrado , e eles bloquearam vários pontos da estrada, pararam carros e interrogaram pessoas, mas Hess teme que tudo seja inútil. Chegaram tarde demais e ainda estão para trás. A chuva começou logo depois que chegaram à oresta, e qualquer evidência que o assassino possa ter deixado — pegadas, marcas de pneus ou qualquer coisa — será apagada. Parece que eles estão perseguindo um fantasma que conta com o apoio do deus da chuva. Hess pensa no corpo de Anne Sejer-Lassen, pensa no bonequinho no seu ombro e se sente um espectador insatisfeito tentando escapar enquanto uma apresentação bizarra se desdobra diante dos seus olhos.
Suas roupas estão encharcadas, e Hess anda com di culdade pela parte norte da oresta, descendo por uma das trilhas principais que os gerentes de operações traçaram para ele. Um policial mais novo sai da formação para dar uma mijada atrás de uma árvore e Hess chama sua atenção: ele deveria sair da área de busca para fazer isso. O policial corre de volta ao grupo e Hess se arrepende da explosão. Sabe que está enferrujado. O corpo fora de forma e os pensamentos agitados e anuviados. Faz muito tempo desde a última vez que trabalhou em um caso como esse; na verdade, nunca trabalhou em um caso assim e, nesse momento, deveria estar assistindo a um jogo de futebol em uma TV de tela plana na merda do seu apartamentinho em Haia ou a caminho de alguma missão irrelevante em algum país europeu, mas em vez disso está perambulando na oresta ao norte de Copenhague, onde está chovendo canivetes, fazendo com que tudo se grude ao chão.
Hess encontra o caminho de volta ao local onde o corpo foi achado, os pesados re etores iluminando o bosque e lançando sombras atrás dos técnicos da equipe forense que se espalham por entre as árvores. O corpo de Anne Sejer-Lassen foi tirado da árvore várias horas antes e levado para ser examinado pelo médico-legista, mas ele está procurando por Thulin. Ele a vê voltando da parte oeste da oresta, o cabelo despenteado e encharcado. Ela limpa marcas de lama no rosto enquanto termina uma ligação. Ao notar a presença de Hess, meneia a cabeça, indicando que não encontraram nada na sua área de busca.
— Mas eu acabei de falar com Genz.
Quando Genz apareceu na oresta, depois da descoberta do corpo de Anne Sejer-Lassen, Hess o chamou em um canto e pediu para ele levar o sr. Castanha direto para o laboratório. Hess olha para Thulin através do véu da chuva e sabe o resultado do exame antes que ela diga qualquer coisa.