As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 109 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 109

 

Steen Hartung ca encharcado com a neve que recomeçou a cair no bairro de subúrbio que está investigando. O álcool nas duas garra nhas é a única coisa que o mantém quente, mas a bebida está acabando e ele lembra que precisa ir até o posto de gasolina em Bernstor svej. Então segue por mais uma alameda com a entrada coberta de neve, passando por outra leira de abóboras de Halloween e toca mais uma campainha. Enquanto espera, lança um breve olhar sobre os ombros, vendo as próprias pegadas e os ocos que caem na rua, como se estivesse dentro de um globo de neve. Algumas portas abrem, outras não. Considerando o tempo que está esperando, aquela é uma das que permanecem fechadas. Mas bem na hora em que se vira para ir embora e está descendo a escada, ouve a porta atrás dele se abrir . Os olhos que encontram os seus lhe são familiares. Apesar de que deveria ser um estranho, Steen sente que reconhece o homem. Mas está cansado. Está vagando há horas, sem resultado, e a exaustão o faz duvidar de si mesmo. Em algum lugar dentro de si, sabe que o único propósito daquela busca é o de aliviar o próprio sofrimento. Analisa os mapas e bate nas portas, mas em seu coração já começou a entender que nada daquilo dará algum resultado.

Para os olhos na porta, Steen começa a explicar, gaguejando, o motivo de estar ali. Primeiro, apresenta a situação, depois explica que tem a esperança de que o homem talvez se lembre de alguma coisa, qualquer coisa, que tenha acontecido na tarde de 18 de outubro do ano anterior , quando a lha talvez tenha passado de bicicleta por aquela rua. Steen mostra a foto de Kristine, cujo rosto agora está molhado de neve, as cores escorrendo pelo papel como rímel borrado. Mesmo antes que Steen termine de falar , o homem na porta nega com a cabeça. Steen hesita e tenta novamente, mas o homem nega com a cabeça uma segunda vez e faz um gesto para fechar a porta. De repente, Steen perde a cabeça.

— Eu te conheço de algum lugar . Quem é você? Eu sei que já te vi em algum lugar . — Sua voz está cheia de descon ança, quase como se estivesse reconhecendo um suspeito, e ele coloca o pé na frente da porta para que o homem não possa fechá-la.

— Eu me lembro de você também. Não tem nada de estranho nisso, já que você bateu na minha porta na segunda-feira, fazendo exatamente as mesmas perguntas.

Steen leva um momento para perceber que o homem está certo. Constrangido , pede desculpas enquanto se afasta da casa e segue para a rua. Atrás dele, Steen ouve o homem perguntar se está tudo bem, mas não responde. Corre pela neve e não para até chegar ao próprio carro , no nal da rua, onde escorrega e precisa se segurar no capô para não cair . Ele se acomoda no banco da frente e começa a chorar , sentado na penumbra do carro , soluçando como uma criança. Seu telefone começa a vibrar no bolso, mas ele ignora. Só quando lhe passa pela cabeça que pode ser Gustav é que se obriga a pegar o celular e percebe que tem diversas ligações perdidas. Sente medo na hora. Ele atende, mas não é Gustav. É a au pair, e o primeiro instinto de Steen é desligar sem dizer nada. Mas Alice diz algo sobre precisar encontrar Rosa imediatamente — há algum problema. Não ca muito claro o que ela quer dizer com isso, mas as palavras “sr . Castanha ” e “ polícia” o arrancam do pesadelo que está vivendo naquela rua de subúrbio e o lançam diretamente em outro.