As Sombras de Outubro
Capítulo 130
Linus Bekker está respirando ar puro, mas acima dele as nuvens estão escuras e pesadas. A plataforma da estação Slagelse está vazia, e a pequena mochila com os poucos pertences que quis trazer do hospital psiquiátrico está aos seus pés. Acabou de ser solto, devia estar feliz e aliviado, mas não está. Liberdade — mas e agora?
Parte dele está considerando a sugestão do seu advogado de procurar uma compensação pela dor e pelo sofrimento. Tinha cumprido uma pena bem maior do que deveria pelo crime que realmente cometeu: invadir o arquivo de fotos da polícia. Dinheiro é bom, pensa, mas sente que não será capaz de compensar a decepção. O caso do sr. Castanha não foi concluído da forma que esperava. Desde que percebeu, durante seu interrogatório, que era uma peça importante na máquina, ele tinha cado feliz. No início, não fazia ideia de quem poderia ter colocado o facão na sua garagem, mas, quando os detetives tentaram fazê-lo confessar pela milionésima vez ao confrontá-lo com a imagem da arma a ada na prateleira, ele notou o pequeno sr. Castanha no fundo. Linus somou dois e dois. Ele confessou e, todos os dias que passava no inferno da ala de segurança, ansiava pela chegada do outono, quando o sr. Castanha revelaria o seu próximo passo. A espera valeu a pena quando a notícia dos assassinatos começou, mas então a festa esfriou e o sr. Castanha mostrou que não passava de um amador que não merecia sua fé.
O trem para e Linus Bekker pega a mochila e entra. Quando se senta perto de uma janela, o tédio da vida ainda o envolve — até que nota uma mãe sentada na sua diagonal com a lhinha. A mãe dá um sorriso e faz um aceno educado com a cabeça. Bekker retribui o gesto, sorrindo também.
O trem parte. As nuvens escuras começam a sumir . E Bekker percebe que ele talvez consiga encontrar uma forma de fazer o tempo passar .
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Søren Sveistrup
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