As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 108 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 108

 

Os tornozelos dela são nos e delicados, perfeitos para sapatos de salto alto, e ele ama olhar para eles em um momento como aquele, quando permite que ela saia na frente do salão de imprensa e siga pelo corredor . Ela se vira e diz algo para ele, e Nylander assente enquanto sua mente pensa em uma forma de começar o caso que decidiu ter com ela. O começo pode muito bem ser mais tarde naquele mesmo dia. Talvez a convide para tomar um café em um dos bares dos hotéis próximos da estação de trem, para que possam conversar sobre o futuro dela. Ele vai agradecer-lhe por todos os seus esforços e apresentar suas opções como consultora de comunicação na polícia, mas, se sua avaliação estiver correta, não vai ser muito difícil levá-la para um dos quartos por uma ou duas horas antes de ter que voltar para casa para a programação em família que sua esposa organiza todas as sextas-feiras. Nylander decidiu há muito tempo que ainda ama a esposa — pelo menos a ideia da vida familiar —, mas que ela é muito ocupada com os lhos, o conselho escolar e a fachada geral, então não vê nenhum problema em aproveitar um pouco a própria liberdade. E hoje em particular , ele não consegue afastar a sensação de que merece uma recompensa, depois da semana que enfrentou.

A última entrevista coletiva tinha acabado e eles nalmente

apresentaram o caso ao público — com o resultado que Nylander queria. Poucas pessoas entendem o tênue equilíbrio que é preciso ter para se apresentar como um policial sério e con ável para a mídia, mas há tempos tinha aprendido que uma declaração bem- -aceita pelo público pode ser usada para pavimentar seu caminho para outros objetivos, fosse na delegacia, no gabinete do promotor público ou no Ministério da Justiça. Também sente que o seu status interno cresce a cada segundo que ele aparece nas telas e em outras plataformas de mídia. Seus críticos foram colocados nos devidos lugares, e Nylander não está nem aí para quem acha que ele está aparecendo demais sob os holofotes. Para ser sincero, acha que foi generoso demais com os elogios à equipe, principalmente com Tim Jansen, embora não tenha sido necessário chamar qualquer atenção para Hess ou Thulin. Thulin encontrou os membros decepados, é claro. Por outro lado, ela o desa ou quando foi interrogar Linus Bekker e, naquela manhã mesmo , ele pensou que seria ótimo se ela deixasse sua equipe. Mesmo que fosse para ir para o NC3. Seu departamento provavelmente receberia novos recursos, e ele acabaria enterrado até o pescoço com outros policiais do tipo dela — mesmo que Thulin parecesse ter algo especial.

Por outro lado, não há nada de positivo para dizer sobre Hess. Ele o elogiou muito, é claro, na conversa com aquele chefe qualquer da Europol, mas só para se livrar dele. Hess não apareceu mais na delegacia depois que o caso foi resolvido, e Nylander teve que pedir a Thulin e aos outros para fazerem relatórios estritamente de responsabilidade dele. Então , a boa notícia é que o cara está saindo do país. Por esse motivo ele ca surpreso quando seu celular toca e é uma ligação de Hess.

Seu primeiro impulso obviamente é rejeitar a ligação, mas então percebe o motivo por que Hess deve estar ligando e decide que quer ter aquela conversa. Alguns minutos antes, um colega o informou que um francês da Europol tinha ligado, perguntando se alguém sabia por que Hess não apareceu conforme o combinado, mas Nylander não deu atenção. Não se importava. Agora, porém, imagina Hess explicando como perdeu o voo para Bucareste, implorando que Nylander ligue para Haia com alguma desculpa para se safar . Mas Hess merece pagar o preço. E quando Nylander atende, só está pensando no que terá que fazer para que aquele cara não volte para a sua equipe.

Três minutos e trinta e oito segundos depois, a conversa acaba. A duração precisa aparece na tela do celular enquanto Nylander olha apaticamente para o aparelho. Um buraco enorme parece ter se aberto sob seus pés. Seu cérebro ainda está protestando contra todas as informações que Hess deu antes de desligar , mas no fundo ele sabe que podem ser verdadeiras. Percebe que a linda boquinha da consultora de comunicação ainda está falando com ele, mas sai correndo . Chegando ao departamento, ele agarra o detetive mais próximo .

— Organize uma força-tarefa. Precisamos encontrar Rosa Hartung. Agora!