As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 12 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 12

 

— Como pode ver , zemos alguns ajustes na decoração por causa dos sofás novos, mas se você preferir os antigos...

— Não , tudo bem. Gosto que eles sejam novos.

Rosa acabou de entrar em seu gabinete no quarto andar do Ministério do Bem-Estar Social. Na Christiansborg, e depois, durante a missa, encontrou vários colegas, e foi bom se afastar de toda a atenção. Alguns a abraçaram, outros zeram um gesto gentil e compassivo com a cabeça, e ela tentou se manter sempre em movimento — a não ser durante a missa, quando fez o máximo que pôde para se concentrar no sermão do bispo. Mais tarde, Vogel cou para trás para falar com vários assessores de imprensa. Acompanhada por sua secretária e alguns assistentes, ela cruzou a praça do palácio e entrou no grande prédio cinzento que abrigava o Ministério do Bem-Estar Social. A ausência de Vogel era oportuna; agora podia se concentrar nas boas-vindas à equipe e na conversa com a secretária.

— Eu não sei como fazer isso, então vou ser bem direta: como você está?

Rosa conhece sua secretária bem o su ciente para compreender que ela tem as melhores intenções. Liu é descendente de chineses, casada com um dinamarquês, tem dois lhos e é uma das pessoas mais bondosas que Rosa conhece, mas ela ainda sente o impulso de se esquivar dessa pergunta tão pessoal.

— Não tem problema perguntar . Eu estou bem, considerando as circunstâncias, e não vejo a hora de começar logo a trabalhar . E você?

— Ah, sim. Está tudo bem. O bebê está tendo cólicas. E o mais velho... Mas está tudo bem.

— Essa parede parece um pouco vazia, não é?

Rosa aponta e sente que Liu está se esforçando para não meter os pés pelas mãos.

— Bem, as fotogra as de família cavam ali. Mas eu acho que é você quem decide. Tem algumas com vocês... Vocês todos juntos... E eu não sabia se você ia querê-las de volta.

Rosa olha para a caixa ao lado da parede e reconhece o canto de uma das fotos com Kristine.

— Vou resolver isso mais tarde. Quanto tempo eu tenho disponível para reuniões hoje?

— Não muito. Você vai receber a equipe daqui a pouco, e há a abertura o cial com o discurso do primeiro-ministro, e depois...

— Certo, mas eu já queria começar com as reuniões hoje. Nada muito grande, apenas entre as sessões, algo quase informal. Tentei enviar alguns e-mails no caminho, mas o sistema estava fora do ar.

— Temo que ainda esteja.

— Tudo bem. Então peça para Engells entrar que explico com quem eu quero falar .

— Infelizmente, ele não está. Saiu para cumprir uma tarefa.

— Agora?

Rosa a encara e de repente percebe que deve haver outro motivo para o nervosismo e a incerteza da secretária. O chefe de gabinete normalmente estaria de prontidão para ela em um dia como esse, e o fato de não estar não parece um bom sinal.

— Sim. Ele teve que ir porque... Ele mesmo pode explicar quando voltar .

— Voltar de onde? O que está acontecendo?

— Eu não sei bem. E tenho certeza de que tudo vai ser esclarecido, mas, como eu disse...

— Liu, o que está acontecendo?

A secretária hesita, parecendo profundamente infeliz.

— Sinto muito. Recebemos tantos e-mails maravilhosos de pessoas dando todo o apoio a você e desejando tudo de bom, e não consigo entender como alguém pode mandar algo como aquilo.

— Aquilo o quê?

— Eu não vi, mas acho que é uma ameaça. Pelo que Engells me contou, tem algo a ver com a sua lha.