As Sombras de Outubro

Søren Sveistrup · Capítulo 21 de 130

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As Sombras de Outubro

Capítulo 21

 

Thulin olha de relance para o re exo de Hess no espelho retrovisor enquanto acelera, e logo ele some de vista. Quando ela abriu a porta do carro em frente à villa dos Hartung, ele olhou por cima do ombro para a porta da casa e disse que preferia ir andando , o que para ela está ótimo. Ela pega a primeira saída do bairro e faz duas ligações no caminho. A primeira é para Nylander , que atende na mesma hora. Ele claramente estava esperando por ela. Thulin consegue ouvir a esposa e os lhos dele ao fundo, e quando conta o resultado da visita à casa dos pais de Kristine Hartung, ele parece satisfeito com a explicação. Mas antes de desligar reforça que devem manter aquela informação em sigilo — não quer a mídia metendo o bedelho em algo irrelevante e provocando ainda mais sofrimento para os pais da garota. Thulin já não está prestando muita atenção. Chegou àquela conclusão sozinha.

Depois disso, ela liga para a terceira foto da sua árvore da família, o homem que sua lha chama de vovô: Aksel. Aksel sempre foi leal, forte, e é pessoa a quem ela deve tudo. É bom ouvir sua voz calma enquanto ele conta que estão jogando um jogo sul-coreano muito complexo do qual ele não entende absolutamente nada. Le pergunta ao fundo se pode dormir na casa do vovô e Thulin aceita, embora não esteja muito a m de car sozinha naquela noite. Aksel percebe isso em sua voz e ela se apressa a dizer que está tudo bem antes de desligar . Pela janela do carro, vê famílias chegando em casa com sacolas de compras e sente uma onda de inquietação crescente que precisa se esforçar para reprimir .

Uma garota vende um boneco feito com castanhas na beira da estrada, e ele acaba em uma casinha de bonecas em algum lugar de Husum. Resolvido, m da história. Ela toma uma decisão e faz o retorno na Store Kongensgade.

 

Um idoso com um chapéu de pele carregando um cachorro passa pelo portão e a olha com descon ança quando Thulin entra sem tocar a campainha. Ela sobe a ampla escadaria, passando por apartamentos luxuosos, e quando chega ao segundo andar consegue ouvir música vindo do apartamento de Sebastian. Ela bate na porta, mas abre antes que alguém atenda. Ele está segurando o telefone e sorri surpreso, ainda vestindo um terno, que parece ser a única roupa aceitável na área em que ele trabalha.

— Oi?

Thulin solta o casaco no chão.

— Tire essa roupa, só tenho meia hora — fala enquanto abre o zíper da calça dele. Mas, quando tenta tirar o cinto, ouve o som de passos.

— Onde ca o saca-rolhas, lho?

Um homem mais velho com feições marcantes aparece na porta, segurando uma garrafa de vinho, e no espaço entre uma música e outra Thulin nalmente escuta a cacofonia de vozes vindas da sala.

— Este é o meu pai. Pai, esta é Naia. — Sebastian a apresenta com um sorriso, enquanto duas crianças brincando de pega-pega passam correndo pelo corredor e entram na cozinha.

— Prazer em conhecê-la. Querida, venha aqui!

Antes de entender o que está acontecendo, Thulin se vê cercada pela mãe de Sebastian e toda sua família. Depois da terceira tentativa de recusar o convite para o jantar , ca claro que ela não vai conseguir escapar , então se junta a eles.