Um Curso de Cálculo, Volume 2
2.4 Teorema Fundamental do Cálculo. Existência de Primitivas
4. Suponha f contínua em [a, b]. Prove
5. Sejam f e g contínuas em [a, b], com f (x) ≥ 0 em [a, b]. Prove que
existe θ ∈ [a, b] tal que
2.4 Teorema Fundamental do Cálculo. Existência de
Primitivas
Seja f contínua no intervalo I e seja a um ponto em I. Como estamos supondo f contínua em I, para todo x em I, a integral existe; podemos, então,
considerar a função F definida em
Provaremos a seguir que a F acima é uma primitiva de f em I, isto é, F′(x) =
f o ( x ) para todo x em I . No que segue, referir-nos-emos a este resultado como 2
teorema fundamental do cálculo ou, simplesmente, teorema fundamental do cálculo.
Teorema (fundamental do cálculo). Seja f de nida e contínua no intervalo I e seja a ∈ I.
Nestas condições, a função F dada por
é uma primitiva de f em I, isto é, F′(x) = f (x) para todo x em I.
Demonstração
Precisamos provar que, para todo x em I,
Temos
Pelo teorema do valor médio para integrais existe c entre x e x + h tal que
Assim,
Tendo em vista a continuidade de f em I e observando que c tende a x quando h tende a zero resulta
Observe que o teorema fundamental do cálculo garante-nos que toda
função contínua em um intervalo admite, neste intervalo, uma primitiva e, além disso, exibe-nos, ainda, uma primitiva.
Exemplo 1
Seja . Calcule F′(x).
Solução
Observe que o domínio de F é ℝ, pois, é contínua em ℝ.
Pelo teorema fundamental do cálculo
ou seja,
Na notação de Leibniz
Exemplo 2
Solução
Seja 2 f ( t ) = sen t . Temos:
ou seja,
Exemplo 3
Calcule G′(x) sendo .
Solução
De
resulta
Podemos, também, calcular G′(x) da seguinte forma:
Portanto,
Exemplo 4
Calcule H′(x) sendo .
Solução
Como é contínua em ℝ, tomando-se um número real
qualquer, por exemplo 1, tem-se, para todo x,
ou
daí
ou seja,
Outra forma para se obter H′(x) é a seguinte: como é
contínua em ℝ, f admite uma primitiva F; assim
ou seja,
daí
Como
segue
Exemplo 5
Suponha f (t) contínua em [– r, r](r > 0) e considere a função
Prove que se f for uma função par, então F será ímpar.
Solução
A nossa hipótese é de que f é contínua em [– r, r] e f (t) = f (–t em [–
r, r]. Queremos provar que
Como e f é contínua em [– r, r], pelo teorema
fundamental do cálculo
Temos, também,
ou seja,
Segue que, para todo x em [– r, r],
ou seja,
Logo, existe uma constante k tal que, para todo x em [– r, r], F (x) = F (–
x) = k. Mas F (0) = e, assim, k = f (0) + f (–0) = 0. Portanto,
F (x) + F (–x) ou F (–x) = –F (x), para todo x ∈ [– r, r].
Exercícios 2.4
1. Calcule F′(x) sendo F dada por
2. Suponha f (t) ≥ 0 e contínua em ℝ. Estude a função
com relação a crescimento e decrescimento.
3. Determine uma função φ : ℝ → ℝ, contínua, tal que para todo x
4. Suponha f contínua em [– r, r](r > 0) e considere a função
Prove que se f for uma função ímpar, então F será uma função par.
5. Suponha f contínua em ℝ e periódica com período p, isto é, f (x) =
f (x + p) para todo x. Prove que a função
é constante. Interprete graficamente.
6. Calcule , em que . (Sugestão: integre por
partes.)
7. Calcule , em que .
8. As funções cosseno hiperbólico e seno hiperbólico, que se
indicam, respectivamente, por ch e sh, são dadas por
a) Verifique que para todo t, (ch t)′ sh t.
b) Verifique que, para todo t, o ponto (ch t, sh t)
pertence ao ramo da hipérbole 2 2 x – y = 1 contido no semiplano x > 0.
c) Sendo F (t) a área da região sombreada mostre que