Um Curso de Cálculo, Volume 2
12.2 Derivação de Funções Definidas Implicitamente. Teorema das Funções Implícitas
a) Verifique que a função g (u, v) dada por g(u, v =
f(x, y, em que x = u + v e y = u, é tal que em
ℝ 2 . Conclua que g(u, v) = φ(v) para alguma função φ, definida e diferenciável em ℝ.
b) Determine uma família de soluções da equação .
12.2 Deriva o de Fun ões Definidas Implicitamente.
Teorema das Fun ões Impl citas
Como já vimos, a função y = g(x) é definida implicitamente pela equação f (x, y) = 0 se, para todo x ∈ D , g
f(x, g(x)) = 0.
Admitindo que f e g sejam diferenciáveis, vamos deduzir uma fórmula para o cálculo de g′(x) em todo x ∈ D , para os quais Então, g
derivando em relação a x os dois membros da equação anterior, obtemos,
ou
e, portanto,
Da mesma forma, x = h(y) é definida implicitamente pela equação f (x, y) =
0 se, para todo y ∈ D , h
f(h(y, y) = 0.
Supondo f e h diferenciáveis e derivando os dois membros da equação acima em relação a y, obtemos:
ou
e, portanto,
Exemplo 1
A função diferenciável y = y(x) é definida implicitamente pela equação
y 3 3 + xy + x = 3.
Expresse em termos de x e de y.
Solução
1 o processo
ou seja,
em todo 2 x no domínio de y = y ( x ), com 3( y ( x )) + x ≠ 0.
2 o processo
ou
Exemplo 2
Suponha que a função diferenciável z = g (x, y) seja dada implicitamente
pela equação 3 f ( x , y , z ) = 0, em que f é diferenciável num aberto de ℝ .
Verifique que
Solução
a) Para todo (x, y) ∈ D g
Derivando em relação a x os dois membros da equação, obtemos:
ou
b) Derivando os dois membros de em relação a y, obtemos
ou
e, portanto,
Exemplo 3
A função diferenciável z = z(x, y) é dada implicitamente pela equação
Expresse em termos de x, y e z.
Solução
1 o processo
Pela parte a) do exemplo anterior
2 o processo
assim,
ou seja,
Exemplo 4
As funções diferenciáveis y = y(x) e z = z(x), definidas no intervalo
aberto I, são dadas implicitamente pelo sistema
em que 3 F e G são supostas diferenciáveis num aberto de ℝ . Expresse
em termos das derivadas parciais de F e de G.
Solução
Dizer que y = y (x) e z = z (x) estão definidas implicitamente por
significa que, para todo x em I,
ou seja, significa que a imagem da curva γ(x) = (x, y(x), z(x)) está contida
na interseção das superfícies F(x, y, z) = 0 e G(x, y, z) = 0.
Para obter , vamos derivar em relação a x os dois membro de
. Temos, então:
ou seja,
Pela regra de Cramer,
Notações
O símbolo é usado para indicar o determinante jacobiano de F e
G em relação a y e z:
Da mesma forma:
Com estas notações, se escrevem:
Exemplo 5
Sejam y = y (x) e z = z (x) diferenciáveis em ℝ e dadas implicitamente
pelo sistema
a) Calcule
Determine um par de funções y = y(x) e z = z(x) que sejam dadas
b) implicitamente pelo sistema .
Solução
a) Para obtermos , vamos derivar os dois membros de em
relação a x, observando que y e z são funções de x:
Assim,
Resolvendo o sistema obtemos:
(Sugerimos ao leitor calcular utilizando o exemplo anterior.)
Resolvendo o sistema nas incógnitas y e z obtemos:
Observe que a imagem de
é a reta na interseção dos planos 2x + y – z = 3 e x + y + z = 1.
Exemplo 6
Sejam y = y (x) e z = z (x), z > 0, diferenciáveis e dadas implicitamente
pelo sistema
a) Expresse em termos de x, y e z.
b) Expresse y e z em função de x.
c) Desenhe a imagem da curva γ (x) = (x, y (x), z(x)).
Solução
Assim,
Resolvendo o sistema obtemos:
A imagem de γ está contida na interseção do plano x + y = 1 com a superfície esférica 2 2 2 x + y + z = 1.
Até agora, o problema referente a uma função y = g (x) dada implicitamente
por uma equação F (x, y) = 0 era colocado da seguinte forma: suponha y = g (x) diferenciável e definida implicitamente pela equação F (x, y) = 0; calcule
Evidentemente, só terá significado se realmente F (x, y) = 0 definir
implicitamente alguma função 2 2 y = g ( x ). Por exemplo, x + y = –3 não define implicitamente função alguma; logo, não terá, neste caso, nenhum
significado.
O teorema que vamos enunciar a seguir fornece-nos uma condição
suficiente para que a equação F (x, y) = 0 defina implicitamente uma função diferenciável y = g (x). Antes, porém, vamos ver alguns exemplos.
Exemplo 7
Seja 1 2 F ( x , y ) de classe C num aberto A de ℝ e seja (x , y ) ∈ A, com
0 0
F (x , y ) = 0. Suponha que Prove que existem 0 0
intervalos abertos I e J, com x ∈ I e y ∈ J, tais que, para cada x ∈ I, 0 0
existe um único g (x) ∈ J, com F (x, g (x)) = 0.
Solução
é contínua, pois, por hipótese, 1 F é de classe C . Como
pelo teorema da conservação do sinal existe uma bola
aberta B de centro (x , y ), que podemos supor contida em A, pois A é 0 0
aberto, tal que
Sejam y e y tais que y < y < y , com (x , y ) e (x , y ) em B. 1 2 1 0 2 0 1 0 2
Fixado x , consideremos a função 0
Como para todo y ∈ [ y , y ], segue que é 1 2
estritamente crescente em [ y , y ]. Tendo em vista que F(x , y ) = 0, 1 2 0 0
resulta:
Seja J = ] y , y [; observe que y = g (x ) é o único número em J tal 1 2 0 0
que F(x , y ) = 0. Tendo em vista e pela continuidade de F, existe 0 0
um intervalo aberto I, com x ∈ I, tal que para todo x ∈ I, (x, y ) e (x, 0 1
y ) pertencem a B, com F(x, y ) < 0 e F(x, y ) > 0. 2 1 2
Como em B, para todo x ∈ I, a função
é estritamente crescente em [ y , y ]; tendo em vista que F(x, y ) < 0 e 1 2 1
F(x, y ) > 0 pelo teorema do valor intermediário e pelo fato de ser 2
estritamente crescente em [ y , y ], existirá um único g (x) ∈ ] y , y [ 1 2 1 2
tal que F(x, g (x)) = 0 (veja figura seguinte).
A função g : I → J está definida implicitamente pela equação F(x, y) = 0.
Observação. Para todos y e y , com y < y < y < y < y , procedendo como 1 2 1 1 0 2 2 acima, encontraremos um intervalo aberto I ⊂ I, com x ∈ I , tal que 1 0 1
logo, g é contínua em x . Deixamos a seu cargo veri car que g é contínua em todo x ∈ I. 0
Exemplo 8
Suponha F(x, y) diferenciável em (x , y ). Prove que existem funções 0 0
φ (x, y) e φ (x, y), definidas em D , tais que 1 2 F
com
Solução
Pelo lema da Seção 12.1,
Para (x, y) ≠ (x , y ). 0 0
Basta tomar
e
Exemplo 9
Prove que a função g do Exemplo 7 é diferenciável em x e que 0
Solução
Substituindo y = g (x) e y = g (x ) em do Exemplo 8 e lembrando 0 0
que F(x, g(x)) = 0 e F(x , g(x )) = 0 resulta, após dividir por x – x (x ≠ 0 0 0
x ): 0
Pelo fato de g ser contínua em resulta:
Teorema das funções implícitas 1 (Caso F ( x , y ) = 0). Seja F ( x , y ) de classe C num aberto A de
ℝ 2 e seja (x , y ) ∈ A, com F(x , y ) = 0. Nestas condições, se então
0 0 0 0
existirão intervalos abertos I e J, com x ∈ 0 I e y ∈ 0 J, tais que, para cada x ∈ I, existe um único g
(x) ∈ J, com F (x, g(x)) = 0. A função g : I → J é diferenciável e
Demonstração
Veja Exemplos 7, 8 e 9.
■
Observação. Se a hipótese for substituída por então
existirão intervalos abertos I e J, com x ∈ I e y ∈ J, tais que, para cada y ∈ J, existirá um único 0 0
h(y) ∈ I, com F(h(y), y) = 0 A função h : J → I será diferenciável e
Teorema das funções implícitas 1 (Caso F ( x , y , z ) = 0). Seja F ( x , y , z ) de classe C no aberto A de
ℝ 3 e seja (x , y , z ) ∈ A, com F(x , y , z ) = 0. Nestas condições, se
0 0 0 0 0 0
então existirão uma bola aberta B de centro (x , y ) e um intervalo aberto J, com z ∈ J, tais que, 0 0 0
para cada (x, y) ∈ B, existe um único g(x, y) ∈ J com F(x, y, g(x, y) = 0 A função z = g(x, y), (x, y) ∈
B é diferenciável e
Demonstração
Deixamos a cargo do leitor adaptar a demonstração do teorema anterior a este caso.
■
Observação. 1 Note que, pelo fato de F ser de classe C e g contínua, as funções
serão contínuas em B; logo,
serão, também, contínuas em 1 B , isto é, g é de classe C em B.
Teorema das funções implícitas (Caso F(x, y, z) = 0 e G(x, y, z) = 0). Sejam F(x, y, z) e G(x, y, z)
de classe 1 3 C no aberto A de ℝ e seja (x , y , z ) ∈ A, com F(x , y , z ) = 0 e G(x , y , z ) =
0 0 0 0 0 0 0 0 0
0. Nestas condições, se em (x , y , z ), então existirão um intervalo aberto I, com 0 0 0
x 1 ∈ I , e um par de funções y = y ( x ) e z = z ( x ) de nidas e de classe C em I, tais que, para todo x
0
∈ I, F(x, y (x), z(x)) = 0 e G(x, y (x), z(x)) = 0; além disso, y 0 = y (x 0 ) e z 0 = z (x 0 ). Tem-se, ainda:
sendo que os determinantes jacobianos devem ser calculados em (x, y (x), z (x)).
Demonstração
Como 1 F e G são classe C em A, e
F(x, y, z) = 0
define implicitamente uma função 1 z = g ( x , y ), ( x , y ) ∈ B , sendo g de classe C
na bola aberta B de centro (x , y ) e z = g(x , y ). Consideremos, agora, a 0 0 0 0 0 função
H(x, y) = G(x, y, g(x, y)), (x, y) ∈ B.
Temos: 1 H ( x , y ) é de classe C , (verifique).
Segue que a equação
H(x, y) = 0, ou seja, G(x, y, g (x, y)) = 0
define implicitamente uma função 1 y = y ( x ), x ∈ I , sendo y ( x ) de classe C no
intervalo aberto I e y = y (x )(x ∈ I). Deixamos para o leitor completar a 0 0 0 demonstração.
■
No Vol. 3, voltaremos aos teoremas da função implícita e da função
inversa.
Exercícios 12.2
1. 3 3 A equação y + xy + x = 4 define implicitamente alguma função
diferenciável y = y (x)? Em caso afirmativo, expresse em
termos de x e y.
(Sugestão: Observe que satisfaz a equação e utilize o
teorema das funções implícitas (caso F(x, y) = 0).)
2. Mostre que cada uma das equações seguintes define
implicitamente pelo menos uma função diferenciável y = y (x). Expresse em termos de x e y.
a 2 ) x y + sen y = x
b) 4 2 2 4 y + x y + x = 3
3. Mostre que cada uma das equações a seguir define implicitamente
pelo menos uma função diferenciável z = z (x, y). Expresse
em termos de x, y e z.
a x + y + z ) e + xyz = 1
b 3 3 3 ) x + y + z = x + y + z
4. Suponha que y = y (x) seja diferenciável e dada implicitamente
pela equação 2 2 x = F ( x + y , y ), em que F(u, v) é suposta diferenciável. Expresse em termos de x, y e das derivadas
parciais de F.
5. Suponha que y = g (x) seja diferenciável no intervalo aberto I e
dada implicitamente pela equação f (x, y) = 0, em que f (x, y) é suposta de classe 2 C . Suponha, ainda, em D .
f
a) Prove que é uma condição necessária
para que x seja ponto de máximo local de g. 0
b) Prove que g″ é contínua em I.
c) Prove que
é condição suficiente para que x seja ponto de máximo local de 0 g.
6. A função diferenciável z = z(x, y) é dada implicitamente pela
equação em que f (u, v) é suposta diferenciável e
Verifique que
7. A função diferenciável z = z(x, y) é dada implicitamente pela
equação um real fixo), em que f (u, v) é suposta
diferenciável e Verifique que
8. Suponha que as funções diferenciáveis y = y (x) e z = z (x) sejam
dadas implicitamente pelo sistema
a) Expresse em termos de x, y e z.
b) Determine um par de funções y = y (x) e z = z (x)
dadas implicitamente por .
9. Suponha que x = x (u, v) e y = y (u, v) sejam dadas implicitamente
pelo sistema
Mostre que
10. Sejam Calcule o determinante jacobiano
11. Calcule:
12. Seja g (u, v) = f (x, y), em que x = x(u, v) e y = y (u, v) são dadas
implicitamente pelo sistema
b) Calcule
c) Mostre que f é constante sobre as hipérboles xy = c.
13. Sejam x = x(u, v) e y = y (u, v) dadas implicitamente pelo sistema
a) Expresse em termos de x e y.
b) Determine um par de funções x = x (u, v) e y = y
(u, v) definidas implicitamente por .
14. Sejam x = x(y, z), y = y (x, z) e z = z(x, y) definidas implicitamente
pela equação F(x, y, z) = 0. Suponha x 0 = x(y 0 , z 0 ), y 0 = y (x 0 , z ) e z = z(x , y ) e que no ponto (x , y , z ) as derivadas 0 0 0 0 0 0 0 parciais de F sejam diferentes de zero. Mostre que 15. Sejam x = x(u, v) e y = y (u, v) definidas implicitamente pelo
sistema
a) Expresse em termos de x, y e u.
b) Determine um par de funções x = x (u, v) e y = y
(u, v) definidas implicitamente pelo sistema.
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