Um Curso de Cálculo, Volume 2
13.2 Gradiente de Função de Três Variáveis: Interpretação Geométrica
a) Com argumentos geométricos, mostre que é
razoável esperar que g seja estritamente decrescente em I.
b) Prove que g é estritamente decrescente em I.
13.2 Gradiente de Função de Três Variáveis:
Interpretação Geométrica
Seja 1 3 f ( x , y , z ) de classe C num aberto A ⊂ ℝ e seja (x , y , z ) um ponto
0 0 0
da superfície de nível f (x, y, z) = c; suponhamos ▽f (x , y , z ) ≠ (0, 0, 0). 0 0 0 Vamos mostrar que ▽f (x , y , z ) é normal em (x , y , z ) a toda curva γ, 0 0 0 0 0 0 diferenciável, passando por este ponto e cuja imagem esteja contida na superfície de nível f (x, y, z) = c. Seja, então, γ (t), t ∈ I, uma tal curva, com γ (t ) = (x , y , z ); como estamos supondo que a imagem de γ está contida na 0 0 0 0
superfície de nível f (x, y, z) = c, teremos
para todo t no domínio de γ. Derivando, em relação a t, ambos os membros da equação obtemos, para todo t ∈ I,
Fica provado assim que ▽f (x , y , z ) é normal em (x , y , z ) a toda curva 0 0 0 0 0 0 diferenciável γ passando por este ponto e com imagem contida na superfície f (x, y, z) = c. Diremos, então, que ▽f (x , y , z ) é normal à superfície de nível 0 0 0 f (x, y, z) = c, no ponto (x , y , z ). O plano passando pelo ponto (x , y , z ) 0 0 0 0 0 0 e perpendicular ▽f (x , y , z ) denomina-se plano tangente, em (x , y , z ), 0 0 0 0 0 0 à superfície f (x, y, z) = c. A equação deste plano é:
A reta
denomina-se reta normal, em (x , y , z ), à superfície f (x, y, z) = c. 0 0 0
Seja z = g (x, y) uma função diferenciável dada implicitamente pela
equação 1 F ( x , y , z ) = 0 em que F ( x , y , z ) é suposta de classe C num aberto de ℝ 3 ; seja (x , y , z ), z = g (x , y ), um ponto do gráfico de g, com
0 0 0 0 0 0
Como o gráfico de g está contido na superfície F (x, y, z) = 0,
resulta que toda curva γ com imagem contida no gráfico de g tem, também, sua imagem contida na superfície F (x, y, z) = 0; assim, ▽F (x , y , z ) é normal 0 0 0 ao gráfico de g, em (x , y , z ). 0 0 0
Observe que se γ (t) é uma curva diferenciável com imagem contida na
interseção das superfícies F(x, y, z) = 0 e G (x, y, z) = 0, em que F e G são supostos de classe 1 3 C num aberto de ℝ e então o vetor tangente a γ em γ (t ) = (x , y , z ), é paralelo a 0 0 0 0
(verifique).
Exemplo 1
Determine as equações do plano tangente e da reta normal à superfície
xyz 3 3 3 + x + y + z = 3z no ponto (1, –1, 2).
Solução
Plano tangente em (1,–1, 2):
ou
ou seja,
ou, ainda,
Reta normal em (1, –1, 2):
Exemplo 2
Considere a função z = f (x, y) dada por
Determine a equação do plano tangente no ponto (1, 1, f (1, 1)).
Solução
é a equação do plano tangente em (1, 1, f (1, 1)).
2 o processo
A função é então definida implicitamente pela equação
▽F(1, 1, 2) é, então, normal ao gráfico de f no ponto (1, 1, f (1, 1)).
A equação do plano tangente em (1, 1, 2) é:
ou
ou, ainda,
Exemplo 3
A imagem da curva 2 γ ( t ) está contida na interseção das superfícies x +
2 2 2 y + z = 4 e x + y + z = 3. Suponha
a) Determine a reta tangente a γ no ponto γ (t ). 0
b) Determine uma curva γ (t) nas condições acima.
Solução
a) Sejam
Para todo t no domínio de γ devemos ter
F (γ (t)) = 4 e G (γ (t)) = 3,
pois a imagem de γ está contida nas superfícies de nível F(x, y, z) = 4 e G(x, y, z) = 3. Segue que
ou seja, γ′ (t ) é normal aos vetores ▽F(1, 1, 1) e ▽G (1, 1, 1); logo, 0
γ′ (t ) é paralelo ao produto vetorial ▽ F(1, 1, 1) ∧ ▽ G (1, 1, 1). 0
Temos:
A equação da reta tangente a γ no ponto γ (t ) = (1, 1, 1) é: 0
e, portanto, 2 2 y – y – 1 = 0, ou seja, y = 1 ou isto é, y não depende de x. Como a
curva deve passar pelo ponto (1, 1, 1), vamos tornar y = 1. Segue que z 2 2 = 3 – x – 1, ou seja, z = 2 – x . A imagem da curva γ (t) = (t, 1, 2 – 2 t ) está contida na interseção das superfícies e passa pelo ponto (1, 1, 1). Sugerimos ao leitor desenhar a imagem de γ.
Exercícios 13.2
1. Determine as equações do plano tangente e da reta normal à
superfície dada, no ponto dado.
a 2 2 2 ) x + 3 y + 4 z = 8 em (1, –1, 1) b) 2xyz = 3 em
c) x – y 3 ze + z = 2 em (2, 2, 1)
2. A função diferenciável z = f (x, y) é dada implicitamente pela
equação 3 3 3 x + y + z = 10. Determine a equação do plano tangente ao gráfico de f no ponto (1, 1, f (1, 1)).
3. Determine um plano que seja tangente à superfície
e paralelo ao plano x + y + z = 10.
4. É dada uma função diferenciável z = f (x, y) cujo gráfico está
contido na superfície 2 2 2 x + y + z = 1. Sabe-se que
Determine a equação do plano tangente ao gráfico de f no ponto
5. A imagem da curva γ (t) está contida na interseção das superfícies
x 2 2 2 2 2 2 + y + z = 3 e x + 3 y – z = 3. Suponha γ (t ) = (1, 1, 1) e
0
Determine a reta tangente a γ em γ (t ). 0
6. A imagem da curva γ (t) está contida na interseção da superfície
cilíndrica 2 2 2 2 2 x + y = 2 com a superfície esférica x + y + z = 3.
Suponha γ (t ) = (1, 1, 1) e γ′ (t ) ≠ 0. 0 0
a) Determine a reta tangente a γ em γ (t ). 0
b) Determine uma curva γ (t) satisfazendo as
condições acima.
7. É dada uma curva γ (t) cuja imagem é a interseção das superfícies
4 2 2 x + y = 1 e x + y + z = 1. Suponha γ (t ) = (0, 1, 0) e γ′ (t ) ≠
0 0
0.
a) Determine a reta tangente a γ em γ (t ). 0
b) Determine uma parametrização para a interseção
acima.
8. Considere a função
a) Determine uma função F(x, y, z), que não envolva
radicais, tal que a função dada seja definida implicitamente pela equação F(x, y, z) = 0.
b) Determine a equação do plano tangente ao gráfico
da função dada no ponto (2, 2, 1).