Um Curso de Cálculo, Volume 2
9.2 Continuidade
8.
Seja
Calcule
9.2 Continuidade
De nição. Seja f uma função de duas variáveis reais a valores reais e seja (x , y ) ε D , com (x , 0 0 f 0
y 0 ) ponto de acumulação de D f . De nimos:
Se f for contínua em todos os pontos de um subconjunto A de D , diremos f
que f é contínua em A. Diremos, simplesmente, que f é contínua se o for em todos os pontos de seu domínio.
Exemplo 1
A função constante f(x, y) = k é contínua, pois,
para todo (x , y ) em . (Veja Exemplo 1, Seção 9.1.) 0 0
Exemplo 2
A função f(x, y) = x é contínua, pois,
para todo (x , y ) em . (Veja Exemplo 2, Seção 9.1.) 0 0
Exemplo 3
A função é contínua em (0, 0)?
Justifique.
Solução
Tomando-se γ (t) = (t, 0) e γ (t) = (0, t) vem, 1 2
e
Logo, não existe e, portanto, f não é contínua em (0, 0).
O próximo teorema nos diz que se g(u) e f(x, y) forem contínuas e se lm f ⊂
D , então a função composta h(x, y) = g(f(x, y)) também o será. g
Teorema 1. Sejam duas funções tais que lm f ⊂ D . g
Se f for contínua em (x 0 , y 0 ) e g contínua em f(x 0 , y 0 ), então a composta h(x, y) = g(f(x, y)) será
contínua em (x , y ). 0 0
Demonstração
Como g(u) é contínua em f(x , y ) dado ∊ > 0, existe δ > 0 tal que 0 0 1
Sendo f contínua em (x , y ), para o δ > 0 acima, existe δ > 0 tal que 0 0 1
De e resulta,
logo, h(x, y) = g(f(x, y)) é contínua em (x , y ). 0 0
Como consequência deste teorema, segue que se g(x) for contínua, então a
função h dada por h(x, y) = g(x) também será contínua. De fato, sendo f(x, y) = x, teremos h(x, y) = g(f(x, y)), com g e f contínuas.
Exemplo 4
h 2 2 ( x , y ) = x é contínua em , pois g ( x ) = x é contínua em .
Exemplo 5
Sendo 2 f ( x , y ) contínua, as compostas sen f ( x, y ), cos f ( x, y ), [ f ( x, y )]
também serão.
Teorema 2. Sejam uma função e γ : I → uma curva tais que γ(t) ε A
para todo t ε I. Se γ for contínua em t 0 ε I e f contínua em γ(t 0 ), então a composta g(t) = f(γ(t)) será
contínua em t . 0
Demonstração
Fica a cargo do leitor.
Sejam f(x, y) e g(x, y) contínuas em (x , y ) e seja k uma constante. Segue 0 0
das propriedades dos limites que f + g, k f e f · g são, também, contínuas em (x , y ). Além disso, se g(x , y ) ≠ 0, então será, também, contínua em 0 0 0 0
(x , y ). 0 0
Exemplo 6
Seja
Determine o conjunto dos pontos de continuidade de f.
Solução
Nos pontos (x, y) ≠ (0, 0) podemos aplicar a propriedade relativa a
quociente de funções contínuas, pois, 3 2 2 2 x e x + y são contínuas e x +
y 2 não se anula nestes pontos. Para estudar f com relação à continuidade
no ponto (0, 0) precisamos primeiro ver o que acontece com o limite de f
neste ponto.
Assim
Conclusão: f é contínua em .
Sejam agora, três funções tais que (g(x,
y), h(x, y)) ε A, para todo (x, y) ε B. Sem nenhuma dificuldade, demonstra-se que se g e h forem contínuas em (x , y ) e f contínua em (g(x , y ), h(x , 0 0 0 0 0 y )), então a composta f(g(x, y), h(x, y)) será, também, contínua em (x , y ). 0 0 0 Este resultado, bem como os teoremas 1 e 2, são casos particulares de um teorema mais geral sobre continuidade de funções compostas, que não enunciaremos aqui.
Exercícios 9.2
1. Determine o conjunto dos pontos de continuidade. Justifique a
resposta.
2.
é contínua em (0, 0)? Justifique.
3. Prove que se f for contínua em (x , y ) e se f(x , y ) > 0, então 0 0 0 0
existirá r > 0 tal que f(x, y) > 0 para ||(x, y)–(x 0 , y 0 )|| < r.
4. Seja A um subconjunto do que goza da propriedade: quaisquer
que sejam (x , y ) e (x , y ) em A, existe uma curva contínua γ : 0 0 1 1 [a, b] → A tal que γ(a) = (x , y ) e γ(b) = (x , y ). Prove que se f 0 0 1 1 for contínua em A e se f(x , y ) < m < f(x , y ), então existirá (x, 0 0 1 1 y) ε A tal que f(x, y) = m.
(Sugestão: aplique o teorema do valor intermediário à função contínua g(t) = f(γ(t)), t ε [a, b].)
5. Seja , A aberto, uma função contínua e seja c um
número real dado. Prove que o conjunto é
aberto.
6. Dizemos que a sequência de pontos ((x , y )) converge a (x, n n n ≥ 0
y) se, dado ∊ > 0, existe um natural n 0 tal que
Suponha que f(x, y) seja contínua em (x, y), que ((x , y )) n n n ≥ 0 convirja para (x, y) e que (x n , y n ) ε D f para todo n ≥ 0. Prove que a sequência dada por a = f(x , y ) converge para f(x, y). n n n
7. Suponha f contínua no retângulo
. Prove que f é limitada neste
retângulo. (f limitada em A significa que existe M > 0 tal que |f(x, y)| ≤ M em A.)
(Sugestão: suponha, por absurdo, que f não seja limitada em A. Então, existirá (x , y ) em A tal que |f(x , y )| > 1. Tomando-se o 1 1 1 1 ponto médio de cada lado, divida o retângulo A em 4 retângulos iguais; em um deles, batizado A , f não será limitada, logo 2 existirá (x , y ) ε A tal que |f(x , y )| > 2 etc.) 2 2 2 2 2
8. (Teorema de Weierstrass.) Seja f como no Exercício 7. Prove
que f assume em A valor máximo e valor mínimo. (Sugestão: veja Apêndice B.4 — Volume 1.)
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