Um Curso de Cálculo, Volume 2
3.4 Convergência e Divergência de Integrais Impróprias: Critério de Comparação
6. Suponha f contínua em ]a, b[ e não limitada em ]a, c] e em [c, b[.
Defina
3.4 Convergência e Divergência de Integrais
Impróprias: Critério de Comparação
Em muitas ocasiões estaremos interessados não em saber qual o valor de uma integral imprópria, mas sim em saber se tal integral imprópria é convergente ou divergente. Para tal fim, vamos estabelecer, nesta seção, o critério de comparação que nos permite concluir a convergência ou a divergência de uma integral imprópria comparando-a com outra que se sabe ser convergente ou divergente.
Observamos, inicialmente, que se f for integrável em [a, t], para todo t > a,
e se f (x) > 0 em [a, +∞[, então a função
será crescente em [a, +∞[. De fato, se x e x são dois reais quaisquer, com a 1 2 ≤ x < x , então 1 2
Assim, quaisquer que sejam x , x em [a, +∞[, 1 2
Logo, F é crescente em [a, +∞[. Segue que ou será finito ou +∞;
será finito se existir M > 0 tal que para todo x ≥ a (veja Exercício 9).
Critério de comparação. Sejam f e g duas funções integráveis em [a, t], para todo t > a, e tais
que, para todo x ≥ a, 0 ≤ f (x) ≤ g (x). Então
Demonstração
a) é finito, pois, por hipótese, é
convergente. De 0 ≤ f (x) ≤ g (x), para todo x ≥ a, resulta
Sendo crescente e limitada, resulta que
será finito e, portanto, será
convergente.
b) Fica a seu cargo.
Exemplo 1
Verifique que é convergente.
Solução
é convergente. Segue do critério de comparação que
é convergente e, além disso,
Exemplo 2
Verifique que a integral imprópria é divergente.
Solução
Para todo e, portanto,
De segue, pelo critério de comparação, que
é divergente.
O exemplo que daremos a seguir será bastante útil no estudo de convergência de integrais im próprias cujo integrando não seja sempre positivo. Tal exemplo conta-nos que se for convergente, então também será (não vale a recíproca).
Exemplo 3
Suponha f integrável em [a, t], para todo t ≥ a. Prove
Solução
Para todo x ≥ a,
Sendo convergente, resulta, do critério de comparação, que
é, também, convergente. Temos
Como são convergentes, resulta
que também é convergente.
Exemplo 4
A integral imprópria é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Como é convergente, então também será
convergente; pelo Exemplo 3, é convergente.
Exemplo 5
É convergente ou divergente? Justifique.
Solução
b) Para todo x, |sen x| ≤ 1 e, portanto,
sen 2 x ≤ |sen x|.
Segue que, para todo x ≥ 1,
Temos:
Tendo em vista que é convergente (por quê?),
resulta
ou seja,
Pelo critério de comparação (veja ), é divergente.
Tendo em vista o item a), conclui-se que a recíproca da afirmação do Exemplo 3 não é verdadeira.
O teorema seguinte, cuja demonstração é deixada para exercício, estabelece
a convergência ou divergência de certas integrais impróprias e que serão úteis no estudo de divergência e convergência de integrais impróprias.
Teorema
Exercícios 3.4
1. É convergente ou divergente? Justifique.
2. Suponha f integrável em [a, t], para todo t ≥ a, com f (x) ≥ 0 em
[a, –∞[. Suponha que existem um α real e uma função g tais que, para todo Suponha, além disso, que
(L real). Prove:
3. Utilizando o Exercício 2, estude a convergência ou divergência de
cada uma das integrais a seguir.
4. Seja f contínua em [0, t], para todo t > 0, e suponha que existem
constantes M > 0 e γ > 0 tais que, para todo t ≥ 0,
Prove que é convergente para s > γ.
Observação. Uma função f se diz de ordem exponencial γ se existem constantes M > 0 e γ > 0 tais
que se veri ca.
5. Seja f uma função, com derivada contínua, e de ordem
exponencial γ. Verifique que, para é
convergente e que
6. Suponha que f seja de ordem exponencial γ e que, para todo t real,
Mostre que, para todo s > γ,
Conclua que existem constantes A, B, C tais que
Agora, utilizando o Exercício 8 da Seção 3.1 e supondo f (0) = 1, determine f que verifique e mostre, em seguida, que esta f
satisfaz 2.
Observação. A função g dada por
denomina-se transformada de Laplace de f.
7. Procedendo como no exercício anterior, determine f tal que
a) f ′(t) – 2 f (t) = cos t e f (0) = 2.
b) 2t f ′( t ) + f ( t ) = e e f (0) = –1.
8. Suponha que f e f ′ sejam de ordens exponencial γ 1 e γ 2 ,
respectivamente. Suponha, ainda, que f″ seja contínua. Verifique que 9. Suponha F (x) crescente em [a, +∞[. Prove que será
finito ou +∞. Será finito e igual a sup {F (x)| x ≥ a} se existir M > 0 tal que, para todo x ≥ a, F (x) ≤ M.
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