Um Curso de Cálculo, Volume 2
11 Funções Diferenciáveis
11.1 Função Diferenciável: Definição
O objetivo desta seção é estender para funções de duas variáveis reais o conceito de diferenciabilidade dado para funções de uma variável real.
Vimos que, por definição, uma função f(x) é diferenciável ou derivável em
x se e somente se o limite, quando h tende a zero, da razão incremental 0
existir e for finito. Esta forma não é adequada para
generalização, pois se f for uma função de duas variáveis reais h será um par ordenado e, então, a razão incremental não terá sentido. Nossa tarefa a seguir é a de tentar obter uma forma equivalente à definição de diferenciabilidade e que seja passível de generalização.
Supondo f(x) diferenciável em x , existe um real a, a = f’(x ), tal que 0 0
Temos:
Como
resulta
Portanto, f é diferenciável em x se e somente se existir um real a tal que 0
Estamos, agora, em condições de definir diferenciabilidades para funções
de duas variáveis reais.
De nição. Sejam , A aberto de e (x , y ) ε A. Dizemos que f é diferenciável 0 0
em (x 0 , y 0 ) se e somente se existirem reais a e b tais que
O próximo teorema nos diz que diferenciabilidade implica continuidade.
Teorema 1. Se f for diferenciável em (x 0 , y 0 ), então f será contínua em (x 0 , y 0 ).
Demonstração
Sendo f(x, y) diferenciável em (x , y ), existem reais a e b tais que 0 0
em que E(h, k) é a função dada por
Como
e
resulta
Logo, f é contínua em (x , y ). 0 0
■
Vamos mostrar, agora, que se f for diferenciável em (x , y ), então f 0 0
admitirá derivadas parciais em (x , y ) e 0 0 será a única transformação linear que goza da propriedade
Teorema 2. Seja , A aberto, e seja (x 0 , y 0 ) ε A. Se f for diferenciável em (x 0 ,
y ), então f admitirá derivadas parciais neste ponto. 0
Demonstração
Sendo f(x, y) diferenciável em (x , y ), existem reais a e b tais que 0 0
em que . Segue de que
Daí
e, portanto,
De modo análogo, obtém-se .
■
Observação. Provamos acima que se
então teremos necessariamente . Deste
modo, se f(x, y) for diferenciável em (x , y ), então 0 0
serão os únicos reais para os quais o limite
acima é zero.
Segue do teorema 2 o seguinte importante
Corolário. Seja f(x, y) de nida no aberto A ⊂ e seja (x , y ) ε A. Tem-se: 0 0
Observações
1. Segue do corolário acima que para provar que uma função f é
diferenciável em (x 0 , y 0 ) é suficiente provar que f admite derivadas parciais em (x , y ) e que 0 0
2. Se uma das derivadas parciais não existir em (x , y ), então f 0 0
não será diferenciável neste ponto.
3. Se ambas as derivadas parciais existirem em (x , y ), mas se o 0 0
limite acima não for zero, então f não será diferenciável em (x , y ). 0 0
4. Se f não for contínua em (x , y ), então f não será diferenciável 0 0
em (x , y ). 0 0
Dizemos que f é diferenciável em B ⊂ D se f for diferenciável em todo (x, f
y) ε B. Diremos, simplesmente, que f é uma função diferenciável se f for diferenciável em todo ponto de seu domínio.
Exemplo 1
Prove que 2 f ( x , y ) = x y é uma função diferenciável.
Solução
Precisamos provar que f é diferenciável em todo . f
admite derivadas parciais em todo (x, y) ε e
Por outro lado, para todo (x, y) em .
Como, para , resulta
Portanto, f é diferenciável em todo (x, y) de , ou seja, f é uma função
diferenciável.
Exemplo 2
é diferenciável em (0, 0)? Justifique.
Solução
f não é contínua em (0, 0); logo, f não é diferenciável em (0, 0). Para a
não continuidade de f em (0, 0), veja Exercício 2, Seção 9.1. Observe que
f admite derivadas parciais em (0, 0).
Exemplo 3
é diferenciável em (0, 0)? Justifique.
Solução
Temos
ou seja, . Segue que
Como não existe, resulta que
logo, f não é diferenciável em (0, 0).
Observação. Como
resulta que f é contínua em (0, 0). Assim, f é contínua em (0, 0), admite
derivadas parciais em (0, 0), mas não é diferenciável em (0, 0).
Exercícios 11.1
1. Prove que as funções dadas são diferenciáveis.
a) f (x, y) = xy
b) f (x, y) = x + y
c) 2 2 f ( x , y ) = x y
f) 2 2 f ( x , y ) = x + y
2. f é diferenciável em (0, 0)? Justifique.