Um Curso de Cálculo, Volume 2
11.2 Uma Condição Suficiente para Diferenciabilidade
Nosso objetivo, nesta seção, é demonstrar que a continuidade em A, A aberto, das derivadas parciais de uma função f garante a diferenciabilidade desta função em todos os pontos de A. Este resultado é bastante importante, pois, em muitas ocasiões, é mais fácil verificar a continuidade das derivadas parciais do que a diferenciabilidade diretamente pela definição.
Teorema. Sejam aberto, e (x 0 , y 0 ) ε A. Se as derivadas parciais
existirem em A e forem contínuas no ponto (x 0 , y 0 ), então f será diferenciável neste ponto.
Demonstração
Como A é aberto, existe uma bola aberta B de centro (x , y ), contida em A. 0 0 Sejam h e k tais que (x + h, y + k) ε B. Temos 0 0
Fazendo G(x) = f(x, y + k), pelo TVM existe x, entre x e x + h tal que 0 0 0
Do mesmo modo, existe y entre y e y + k tal que 0 0
Assim,
Subtraindo a ambos os membros da igualdade acima
obtemos:
Segue que
Pela continuidade de em (x , y ), as expressões (III) e (IV) tendem a 0 0 zero, quando (h, k) → (0, 0), e, portanto,
logo, f é diferenciável em (x , y ). 0 0
Seja 1 f ( x , y ) uma função. Dizemos que f é de classe C no aberto A se
forem contínuas em A.
Segue do teorema anterior o seguinte
Corolário. 1 Seja , A aberto. Se f for de classe C em A, então f será diferen
ciável em A.
Exemplo 1
f 2 2 ( x, y ) = sen( x + y ) é diferenciável em , pois,
são contínuas em .
Observação. O teorema anterior conta-nos que se f admite derivadas parciais em A e se estas são
contínuas no ponto (x , y ), então f será diferenciável em (x , y ). A recíproca, entretanto, não é 0 0 0 0
verdadeira: existem funções que são diferenciáveis em um ponto sem que as derivadas parciais sejam
contínuas neste ponto. O exemplo seguinte exibe-nos uma tal função.
Exemplo 2
Seja
a) Determine .
b) Mostre que não são contínuas em (0, 0).
c) Prove que f é diferenciável em (0, 0).
d) Prove que f é uma função diferenciável.
Solução
e
b) não existe. (Verifique.) Logo, não é contínua em (0,
0).
De modo análogo, verifica-se que não é contínua em (0, 0).
Como resulta que f é diferenciável em (0, 0).
d) f é diferenciável em todo (x, y) ≠ (0, 0), pois,
são contínuas em todo (x, y) ≠ (0,
0).
Conclusão. f é uma função diferenciável em todo (x, y) ε D (D = ). f f
Exemplo 3
Verifique que é uma função
diferenciável.
Solução
e
Vamos mostrar que são contínuas em , são
contínuas em todo (x, y) ≠ (0, 0), pois são quocientes de contínuas.
Em (0, 0),
ou seja,
logo, é contínua em (0, 0). De modo análogo, prova-se que é
contínua em (0, 0).
Da continuidade de em , segue que f é diferenciável em
.
Observação. Para todo (x, y) ≠ (0, 0), temos:
e
Exercícios 11.2
1. Verifique que a função dada é diferenciável.
2. Determine o conjunto dos pontos em que a função dada é
diferenciável. Justifique.