Um Curso de Cálculo, Volume 2
5.4 Solução Geral da Equação Homogênea no Caso em que as Raízes da Equação Característica São Números Complexos
c) (o conjugado de uma soma é igual à
soma dos conjugados)
5.4 Solução Geral da Equação Homogênea no Caso
em que as Raízes da Equação Característica São Números Complexos
Vamos estudar inicialmente a equação
em que 2 2 ω = 0 é um real dado. A equação característica de é γ + ω =
0, cujas raízes são os números complexos ωi e –ωi; deste modo, o que aprendemos na Seção 4.2 não se aplica (no Apêndice A veremos como dar um tratamento único à equação homogênea quer as
raízes da equação característica sejam reais ou complexas).
Observamos que uma função x = x(t), t ∈ ℝ, será solução de se e
somente se, para todo t,
Como as funções sen ωt e cos ωt satisfazem , segue que x = sen ωt e x = cos ωt são soluções de . Deixamos a cargo do leitor verificar que,
quaisquer que sejam os reais A e B,
será, também, solução de . Nosso objetivo a seguir é provar que x = x(t), t ∈ ℝ, será solução de se e somente se for da forma .
Para atingir nosso objetivo, vamos provar primeiro que se x = x(t), t ∈
ℝ, for solução de então existirá uma constante k tal que, para todo t,
(Esta relação nos diz que, se o movimento de uma partícula na reta for regido pela equação , então a soma da energia cinética com a
energia potencial mantém-se constante durante o movimento.)
De fato, sendo x = x (t) solução de , para todo t, tem-se
Daí, para todo t,
Logo, é constante.
Suponhamos, agora, que x = x(t), t ∈ ℝ seja uma solução qualquer de
. Façamos a = x (0) e b = x′(0). A função f dada por 0 0
é solução de e, além disso, f (0) = a e f ′0) = 0
b . Sendo f (t) e x (t) soluções de , f (t) – x (t) também será. Pelo que 0
vimos acima, existirá uma constante k tal que, para todo t,
De f (0) = x (0) e f ′(0) = x′(0) resulta k = 0. Assim, para todo t, e, portanto, x (t) = f (t), ou seja,
em que Fica provado assim que x = x(t), t ∈ ℝ, será
solução de se e somente se for da forma .
A solução geral de
em que ω = 0 é um real dado, é
Exemplo 1
Resolva a equação
Solução
As raízes da equação característica
λ 2 + 4 = 0
são 2i e –2i. A solução geral é
As notações (devidas a Newton) são frequentemente usadas,
em física, para indicar, respectivamente, as derivadas de 1 a a e 2
ordens de x em relação ao tempo Nos próximos
exemplos utilizaremos tais notações.
Exemplo 2
O movimento de uma partícula sobre o eixo x é regido pela equação
em que m > 0 e k > 0 são constantes reais dadas. Descreva o
movimento.
Solução
A equação é equivalente a
em que A solução geral é
Tomando-se φ tal que
resulta
ou seja,
Trata-se, então, de um movimento harmônico simples de amplitude
.
Observação: Dizemos que uma partícula que se desloca sobre o eixo x descreve um
movimento harmônico simples (MHS) se a equação horária for do tipo x = acos(ωt + φ ). Os 0
números a, ω e φ denominam-se, respectivamente, amplitude, pulsação e fase inicial do 0
movimento.
Vejamos, agora, qual é a solução geral de no caso em que as raízes da equação característica são números complexos. Se as raízes da equação característica fossem reais e distintas,
a solução geral seria, como já vimos,
ou
Provaremos a seguir que se as raízes da equação característica forem números complexos (Δ < 0) a solução geral será
Teorema. Seja a equação (b e c reais dados)
e suponha que as raízes da equação característica 2 λ + bλ + c = 0 sejam complexas
Então a solução geral de será
Demonstração
Sejam f e g definidas em R e tais que, para todo t,
Vamos mostrar que f será solução de se e somente se g for solução de
De fato, se f for solução de teremos, para todo t,
ou
Como
e
substituindo em e simplificando resulta
Como Δ = 2 b – 4ac, segue que
e, portanto, g é solução de . Deixamos a seu cargo verificar se g for solução de , então f será solução de . Sendo g solução de
em que Segue, então, que
e fazendo resulta
Exemplo 3
Considere a equação
a) Ache a solução geral.
b) Esboce o gráfico da solução que satisfaz as condições iniciais
Solução
A solução geral é
Assim, –y x = Be sen t. Segue
Daí logo, B = 1. A solução que satisfaz as condições iniciais dadas é
A seguir, vamos destacar, em um quadro, os resultados obtidos nesta seção e na 5.2.
Seja a equação
e sejam λ , λ as raízes da equação característica. 1 2
(I) Se λ ≠ λ , λ e λ reais, a solução geral será 1 2 1 2
(II) Se λ = λ a solução geral será 1 2
(III) Se as raízes da equação característica forem complexas, λ = α ± βi, a solução geral será
Exemplo 4
Uma partícula de massa m desloca-se sobre o eixo x sob a ação de uma força elástica –kxi(k > 0) e de uma força de amortecimento proporcional à velocidade e dada por Determine a
equação que rege o movimento e discuta as soluções.
Solução
Pela lei de Newton
ou seja,
que é a equação que rege o movimento. Esta equação é equivalente a
em que As raízes da equação característica são:
1 o caso. Movimento oscilatório amortecido ou subcrítico ( 2 2 γ < ω ).
Sendo 2 2 γ < ω , as raízes da equação característica serão complexas,
em que A solução geral de será
e, portanto,
em que e φ é tal que A = K cos φ e B = K sen φ.
2 o 2 2 caso. Amortecimento crítico ( γ = ω )
Neste caso, a equação característica admitirá uma única raiz real λ = –
γ. A solução geral será
ou seja,
3 o 2 2 caso. Amortecimento forte ou supercrítico ( γ > ω )
Sendo 2 2 γ > ω as raízes da equação característica serão reais e
distintas, λ = –γ ± Ω em que A solução geral será
A figura a seguir mostra o gráfico da solução que satisfaz as
condições iniciais x (0) = x (x > 0) e 0 0
Note que, nos casos 2 e 3, o amortecimento é suficientemente grande de modo a não permitir oscilação da partícula em torno da posição de equilíbrio (x = 0).
Exercícios 5.4
1. Resolva a equação.
2. Determine a solução do problema.
3. Uma partícula de massa m = 1 desloca-se sobre o eixo x sob a
ação da força elástica Supondo determine a velocidade no instante t.
4. Uma partícula de massa m = 1 desloca-se sobre o eixo x sob a
ação de uma força elástica e de uma força de
amortecimento proporcional à velocidade dada por stica .
Determine a equação horária do movimento supondo x(0) = 0 e
5. f é uma função definida em ℝ tal que sua derivada segunda é
igual à diferença entre sua derivada primeira e ela própria.