Um Curso de Cálculo, Volume 2
4.5 Função de Variável Aleatória
em que a < b são dois reais quaisquer.
3. Sejam X : N (50, 16) e Y : N (60, 25).
a) Resolva a equação P(X ≤ x) = P(Y ≤ x).
b) Resolva a inequação P(X ≤ x) < P(Y ≤ x).
4. Sejam Discuta a equação P(X ≤ x) = P(Y ≤
x).
5. Considere a função φ dada por
sendo a, b e σ constantes, com a < b.
a) Mostre que
b) Calcule
4.5 Função de Variável Aleatória Consideremos a função Y = h (X) definida para todo X real. Se supusermos X uma variável aleatória, a variável Y será também aleatória; desse modo, teremos a variável Y como função da variável aleatória X. Um problema que surge naturalmente é o seguinte: conhecida a função densidade de probabilidade de X, como se determina a de Y ? Um caminho para resolver o problema é determinar a função de distribuição de Y. Antes, vamos relembrar como se deriva uma função dada por integral quando um dos extremos de integração é uma função.
Sejam f contínua em um intervalo I e g de nida e derivável em um intervalo J e tal que g (x) ∈ I,
para todo x em J. Nessas condições, para todo x em J, tem-se
em que a = I, com a xo. Se I for da forma ]–∞, b [ , poderemos tomar a = –∞. (Reveja os Capítulos 2 e
3.)
Uma das funções de variável aleatória que desempenha papel fundamental na inferência estatística é a dada por
em que 2 X é uma variável aleatória com distribuição normal N ( μ , σ ). Vamos mostrar no próximo exemplo que Z é uma variável aleatória com distribuição normal padrão, ou seja, Z : N (0, 1).
Exemplo 1
Seja Z a variável aleatória dada por
em que 2 X é uma variável aleatória com distribuição normal N ( μ , σ ). Mostre
que Z tem distribuição normal padrão Z : N (0, 1).
Solução
Precisamos mostrar que a função F de distribuição de Z é dada por
Temos
De 2 X : N ( μ , σ ), segue que
Então,
em que Segue que
e, portanto,
(Outro modo de resolver o problema, é mostrando diretamente que
Temos
Segue que
Fazendo a mudança de variável teremos dx = σdz, z = a para x = aσ
+ μ, z = b para x = bσ + μ e, portanto,
Este resultado é tão importante que merece ser destacado em um quadro.
Se 2 X for uma variável aleatória com distribuição normal, X : N ( μ , σ ), e se Z for dada por
então a variável aleatória Z terá distribuição normal padrão Z : N (0, 1).
Exemplo 2
Seja X uma variável aleatória com função densidade de probabilidade f
definida e contínua em todo x real. Seja Y = c X + d, em que c e d são
constantes, com c > 0 (c < 0).
a) Qual a função densidade de probabilidade da variável aleatória Y?
b) Mostre que E (Y) = c E (X) + d.
c 2 ) Mostre que Var ( Y ) = c Var (X).
Solução
Suporemos c > 0 (você se encarrega de c < 0).
a) Sendo F a função de distribuição de Y, temos:
Como a f é contínua em todo x, F é derivável e
Segue que existe uma constante k tal que
Como (de acordo?) resulta k = 0.
Logo, é a função densidade de probabilidade da
variável aleatória Y.
(Sugestão: Sugerimos ao leitor mostrar diretamente que
Para isto proceda da seguinte forma:
c) Temos
Com a mudança de variável acima,
De E (Y) = cE (X) + d, resulta
Exemplo 3
Seja 2 Y = X , em que X é uma variável aleatória com função densidade de
probabilidade f, definida e contínua em todo x real. Qual a função densidade
de probabilidade de Y?
Solução
Vamos calcular diretamente P (a < Y < b). Como Y ≥ 0, podemos supor 0 ≤ a
< b. Temos
P 2 ( a < Y < b ) = P ( a < X < b).
De
resulta
Segue que
Fazendo na primeira integral, a mudança de variável e na segunda
e supondo a > 0, obtemos
Como, para a → 0, o segundo membro desta igualdade converge para P (0 <
Y < b), em que P (0 < Y < b) é calculado na igualdade anterior, temos
para quaisquer a e b reais, com 0 ≤ a < b. Assim, a função densidade de
probabilidade g da variável aleatória Y é dada por