Um Curso de Cálculo, Volume 2
16.5 O Método dos Multiplicadores de Lagrange para Determinação de Candidatos a Extremantes Locais Condicionados
para todo n ℕ, n ≠ 0.
12. 2 Seja A um subconjunto fechado e limitado do ℝ e seja f : A → ℝ
contínua. Prove que f é limitada em A.
(Sugestão: Suponha que f não seja limitada e construa uma sequência de retângulos como a do Exercício 11, tal que f não seja limitada em A ⋂ R , n para n = 1, 2, ...; conclua que f não será localmente limitada em
o que contradiz a hipótese de f ser contínua em .)
13. 2 ( Teorema de Weierstrass .) Seja A ⊂ ℝ , A compacto, e seja f : A
→ ℝ contínua. Prove que f assume em A valor máximo e valor mínimo.
(Sugestão: Veja Apêndice B.4, Vol. 1.)
16.5 O Método dos Multiplicadores de Lagrange para
Determinação de Candidatos a Extremantes Locais Condicionados
O objetivo desta seção é o estudo de máximos e mínimos de uma função sobre conjuntos do tipo:
e
Problema 1
Seja f (x, y) diferenciável no aberto A e seja B = {(x,y) ∈ A | g(x,y) = 0},
em que 1 g é suposta de classe C em A; suporemos, também,
em B. Estamos interessados em determinar uma
condição necessária para que seja um extremante local da f em B. A
figura que apresentamos a seguir, onde estão desenhadas algumas curvas
de nível de f, ajudar-nos-á a chegar, geometricamente, a tal condição:
Para efeito de raciocínio, suponhamos e que z cresce no
sentido indicado na figura (c < c < c < z ). Vamos então pensar 1 2 3 0
geometricamente: se (x , y ) é um extremante local, é razoável esperar 0 0
que a curva de nível de f que passa por este ponto seja “tangente”, neste
ponto, à restrição g (x, y) = 0 isto é, os vetores ∇ f (x , y ) e ∇ g (x , 0 0 0
y ) devem ser paralelos e como ∇ g (x , y ) ≠ (0,0) deverá existir um 0 0 0
λ tal que 0
Geometricamente, chegamos à seguinte condição necessária: uma
condição necessária para que (x , y ) ∈ B seja um extremante local de 0 0
f em B é que (x , y ) torne compatível o sistema 0 0
Este processo de se determinar candidatos a extremantes locais é
conhecido como método dos multiplicadores de Lagrange; os λ que
tornem tal sistema compatível denominam-se multiplicadores de
Lagrange para o problema em questão.
Teorema 1. Seja f (x, y) diferenciável no aberto A e seja B = {(x, y) ∈ A | g(x, y) = 0}, em que g é
suposta de classe 1 C em A, e ∇g(x, y) ≠ (0,0), para todo (x, y) ∈ B. Uma condição necessária para
que (x , y ) ∈ B seja extremante local de f em B é que exista um real λ tal que 0 0 0
Demonstração
Suponhamos que (x , y ) ∈ B seja um ponto de máximo local de f em B; isto 0 0
significa que existe uma bola aberta V de centro (x , y ) tal que 0 0
para todo
Consideremos, agora, uma curva γ diferenciável num intervalo aberto I tal
que γ (t ) = (x , y ), para todo t ∈ I (a 0 0 0
existência de uma tal curva é garantida pelo teorema das funções implícitas). Da continuidade de γ segue que existe δ > 0 tal que
Daí,
para todo assim, t é ponto de máximo local de 0
e como t é ponto interior a I, resulta ou seja, 0
Então, sendo f (x, y) diferenciável no aberto A e B = {(x, y) ∈ A | g(x, y) =
0}, em que 1 g é suposta de classe C em A e ∇ g(x, y) ≠ (0, 0) em B, os candidatos a extremantes locais de f em B são os (x, y) ∈ A que tornam compatível o sistema
Estabelecemos assim uma condição necessária para um ponto (x , y ) ser 0 0
um extremante local de f em B. Trabalhando diretamente com a função o aluno deverá decidir quais dos candidatos encontrados são realmente extremantes locais.
Observação. 1 Se no teorema 1 acrescentarmos as hipóteses f de classe C e ∇f (x , y ) ≠ (0, 0),
0 0
então poderemos a rmar que a curva de nível de f que passa pelo ponto (x , y ) tangencia, neste 0 0
ponto, a restrição g (x, y) = 0. Entretanto, nada podemos a rmar com relação à tangência se ∇ f(x 0 ,
y ) = (0, 0) (veja Exercícios 1 (f) e 1 (g)). 0
Exemplo 1 Determine os extremantes de f (x, y) = 3x + 2y com a restrição x
2 2 + y = 1.
Solução
Seja 2 2 g ( x , y ) = x + y – 1;.o que queremos são os extremantes de f em B
= {( 2 1 x , y ) ∈ ℝ | g ( x , y ) = 0}. Como g é de classe C e ∇g(x, y) = (2x,
2y) ≠ (0, 0) em B, resulta que os candidatos a extremantes locais são os
(x, y) que tornam compatível o sistema
ou
que é equivalente a
Como λ ≠ 0, das duas primeiras equações resultam
Substituindo estes valores em 2 2 x + y = 1, vem
Exemplo 2
Estude, com relação a máximo e mínimo, a função 3 f ( x , y ) = y + x com
a restrição 3 y – x = 0.
Solução
Como 1 2 g é de classe C e ∇ g ( x , y ) = (–3 x ,1) ≠ (0, 0) em B, resulta que
os candidatos a extremantes locais são os (x, y) que tornam compatível o
sistema
ou
O único candidato é (0, 0) que não é extremante de f em B, pois f (x, y) >
0 para x > 0 e y > 0 e f (x, y) < 0 para x < 0 e y < 0.
Exemplo 3
Encontre o ponto da curva xy = 1, x > 0 e y > 0 que se encontra mais
próximo da origem.
Solução
Trata-se aqui de se determinar o mínimo de 2 2 f ( x , y ) = x + y com a
restrição xy = 1 (f (x, y) é o quadrado da distância de (x, y) a (0, 0)).
O único candidato é (1, 1) e, por inspeção, verifica-se que (1, 1) é ponto
de mínimo. Assim, (1, 1) é o ponto da curva xy = 1, x > 0 e y > 0 que se
encontra mais próximo da origem.
Exemplo 4
Determine a reta tangente à curva que forma
com os eixos triângulo de área mínima.
Solução
Seja (a, b)(a > 0 e b > 0) um ponto da elipse A equação da
reta tangente em (a, b) é:
ou
A área do triângulo OMN é: O problema consiste em minimizar
com a restrição
Das duas primeiras equações segue b = 2a. Substituindo na última
equação obtemos A equação da reta que resolve o problema é: Problema 2
Seja 3 f ( x , y , z ) diferenciável no aberto A ⊂ ℝ e seja B = {(x, y, z)) A | g
( 1 x , y , z ) = 0}, em que g é suposta de classe C em A e ∇ g (x, y, z) ≠ (0,
0, 0) em B. Qual uma condição necessária para que (x , y , z ) ∈ B 0 0 0
seja extremante local da f em B? Raciocinando geometricamente, como
no Problema 1, chega-se à condição: a condição necessária para (x , y , 0 0
z ) ∈ B ser extremante local de f em B é que exista λ tal que 0 0
Deixamos para o leitor a prova desta afirmação. Deste modo, os
candidatos a extremantes locais de f em B são os (x, y, z) ∈ A que tornam
compatível o sistema
Exemplo 5
Determine o ponto do elipsoide 2 2 2 x + 2 y + 3 z = 1 cuja soma das
coordenadas seja máxima.
Solução
Queremos maximizar 2 2 f ( x , y , z ) = x + y + z com a restrição x + 2 y + 3
z 2 = 1.
Como a λ deve ser diferente de zero, da 1 equação tiramos:
Substituindo na última equação obtemos:
Os candidatos a extremantes são:
Da compacidade de B, da continuidade de f e de f (X ) > f (X ) segue 1 2
que o ponto procurado é
O próximo teorema fornece-nos uma condição necessária para (x , y , z ) 0 0 0
ser um extremante local de f (x, y, z) com as restrições g (x, y, z) = 0 e h (x, y, z) = 0. Para a demonstração de tal teorema vamos precisar do seguinte resultado (cuja prova fica para o leitor): sejam 3 vetores do ℝ tais que
então existem reais λ e λ tais que 1 2
Teorema 2. 3 Seja f ( x , y , z ) diferenciável no aberto A ⊂ ℝ e seja B = {(x, y, z) ∈ A | g (x, y, z) = 0
e 1 h ( x , y , z ) = 0}, em que g e h são supostas de classe C em A e
em B. Nestas condições, uma condição necessária para que (x , y , z ) ∈ B seja extremante local 0 0 0
de f em B é que existam reais λ e λ tais que 1 2
Demonstração
Suponhamos que (x , y , z ) seja ponto de máximo local de f em B, o que 0 0 0
significa que existe uma bola aberta V de centro (x , y , z ) tal que, para todo 0 0 0 (x, y, z) ∈ B ⋂ V,
(como A é aberto, podemos supor V ⊂ A).Consideremos uma curva diferenciável 3 γ : I → ℝ , I intervalo aberto, tal que
para todo t em I (a existência de uma tal
curva é garantida pelo teorema das funções implícitas). Da continuidade de γ, segue que existe δ > 0 tal que
Assim, para todo
Exemplo 6
Determine os pontos mais afastados da origem e cujas coordenadas estão
sujeitas às restrições
Solução
Trata-se de determinar os pontos que maximizam a função f (x, y, z) = x
2 2 2 + y + z (f (x, y, z) é o quadrado da distância de (x, y, z) a (0, 0, 0))
com as restrições g (x, y, z) = 0 e h (x, y, z) = 0, em que g (x, y, z) = x + y
+ 2 2 2 z – 1 e h ( x , y , z ) = x + 4 y + z – 4. Temos:
(verifique). Estamos indicando por B o conjunto
Observe que B é compacto. Os
candidatos a extremantes locais são os (x, y, z) que tornam compatível o
sistema
Segue que são outros
candidatos a extremantes.
Como f é contínua e B compacto, basta comparar os valores de f nos
pontos encontrados:
origem. Por outro lado, (0, 1, 0) é o mais próximo da origem.
Exercícios 16.5
1. Estude com relação a máximos e mínimos a função dada com as
restrições dadas.
a 2 2 ) f ( x , y ) = 3 x + y e x + 2 y = 1
b 2 2 ) f ( x , y ) = 3 x + y e x + 2 y ≤ 1
c 2 2 ) f ( x , y ) = x + 2 y e 3x + y = 1
d 2 2 ) f ( x , y ) = x + 4 y e xy = 1, x > 0 e y > 0
e 2 2 ) f ( x , y ) = xy e x + 4 y = 8
f 2 2 2 ) f ( x , y ) = x + 2 xy + y e x + 2y – 1 = 0
g 2 2 2 2 ) f ( x , y ) = x – 2 xy + y e x + y = 1
h 2 2 2 2 ) f ( x , y ) = x – 2 y e x + y – 2x = 0
i 3 3 ) f ( x , y ) = x + y – 3x – 3y e x + 2y = 3
j 2 2 2 2 ) f ( x , y ) = x + 2 xy + 3 y e x + 2 y = 1
2. 2 2 Determine a curva de nível de f ( x , y ) = x + 16 y que seja
tangente à curva xy = 1, x > 0 e y > 0. Qual o ponto de tangência?
3. Determine o ponto da reta x + 2y = 1 cujo produto das
coordenadas seja máximo.
4. 2 Determine o ponto da parábola y = x mais próximo de (14, 1).
5. 2 2 2 Determine o ponto do elipsoide x + 4 y + z = 1 que maximiza
a soma x + 2y + z.
6. 2 2 Determine a superfície de nível da função f ( x , y , z ) = x + y +
2 2 z que seja tangente ao plano x + 2y + 3z = 4. Qual o ponto de tangência?
7. Ache o valor máximo e o valor mínimo da função f (x, y, z) = x +
2 2 2 2 y + z com a restrição x + 2 y + z = 4.
8. Determine o ponto do plano x + 2y – 3z = 4 mais próximo da
origem.
9. Determine o ponto da reta
que se encontra mais próximo da origem.
10. 2 2 Maximize f ( x , y , z ) = x + 2 y + 3 z sujeita às restrições x + y +
z 2 = 4 e x + y + z = 1.
11. 2 2 Encontre os pontos da elipse x + xy + y = 3 (de centro na
origem) mais próximos e os mais afastados da origem. Desenhe a elipse.
12. 2 2 Encontre o ponto da curva x – 2 xy + y – 2x – 2y + 1 = 0 mais
próximo da origem.
13. 2 2 Encontre os pontos da curva x – 6 xy + 7 y + 80 = 0 mais
próximos da origem. Desenhe a curva.
14. Determine o ponto da superfície xyz = 1, x > 0 e y > 0 que se
encontra mais próximo da origem.
15. Pede-se determinar três números positivos cuja soma seja 36 e
cujo produto seja máximo.
16. Determine, entre os triângulos de mesmo perímetro, o de área
máxima.
(Sugestão: Utilize a fórmula que fornece
a área do triângulo em função dos lados a, b e c, em que p é o semiperímetro.)
17. Verifique que é o valor máximo de xyz, x ≥ 0, y ≥ 0, e z ≥ 0,
com a restrição x + y + z = c (c > 0). Conclua que a média geométrica de três números positivos é sempre menor ou igual à
média aritmética destes números.
18. Determine, entre os paralelepípedos-retângulos de mesmo
volume, o de área máxima.
19. 3 Deseja-se construir uma caixa, sem tampa, com 1 m de volume
e com a forma de um paralelepípedo-retângulo. O material a ser utilizado na confecção do fundo custa o dobro do que será utilizado nas laterais. Determinar as dimensões da caixa que minimiza o custo do material.
20. Deseja-se construir um paralelepípedo-retângulo com área total
100 cm 2 . Determine as dimensões para o volume ser máximo.
21. Determine o paralelepípedo-retângulo de volume máximo, com
arestas paralelas aos eixos, inscrito no elipsoide
22. Determine o paralelepípedo-retângulo de volume máximo, com
três de suas faces nos planos coordenados, contido no tetraedro {(x,y,z) ∈ ℝ | x + 2y + 3z ≥ 12, x ≥ 0, y ≥ 0 e z ≥ 0}.
23. A temperatura T em qualquer ponto (x, y, z) do espaço é dada por
T 2 2 = 100 x yz . Determine a temperatura máxima sobre a esfera x
+ 2 2 y + z = ≤ 4. Qual a temperatura mínima?
24. Determine o plano tangente à superfície
que forma com os planos
coordenados tetraedro de volume mínimo.
25. 2 2 Determine P na elipse x + 2 y = 6 e Q na reta x + y = 4 de modo
que a distância de P a Q seja a menor possível.
26. 2 2 Considere a forma quadrática Q ( x, y ) = ax + 2 bxy + cy em que
a, b, c são constantes não simultaneamente nulas. Seja g(x, y) = x 2 2 + y –1. Suponha que (x , y , λ ) seja solução do sistema
0 0 0
Prove que Q (x , y ) = λ . 0 0 0
(Sugestão: Como Q é homogênea de grau 2, utilize a relação de Euler. Veja Exercício 26 da Seção 12.1.)
27. Sejam Q (x, y) e g (x, y) como no exercício anterior. Suponha que
os multiplicadores de Lagrange associados ao problema
sejam estritamente positivos. Prove que Q (x, y) > 0, para todo (x, y) ≠ (0, 0).
(Sugestão: Utilize o Exercício 26.)
28. Prove que os multiplicadores de Lagrange associados ao
problema do exercício anterior são as raízes da equação
29. Sejam Q (x, y) e g (x, y) como no Exercício 26. Sejam λ e λ , λ 1 2 1
≤ λ , as raízes da equação 2