Um Curso de Cálculo, Volume 2
11.3 Plano Tangente e Reta Normal
Sendo f(x, y) diferenciável em (x , y ), temos: lim 0 0
Fazendo x = x + h e y = y + k, resulta 0 0
Seja E(x, y) o erro que se comete na aproximação de f(x, y) por
Assim,
em que
Do que vimos na Seção 11.1 (veja também o Exercício 15 desta seção),
resulta que T(x, y) é a única função afim que aproxima f(x, y) com erro E(x, y) que tende a zero mais rapidamente que ||(x, y)–(x , y )||, quando (x, y) tende a 0 0 (x , y ). (Dizer que E(x, y) tende a zero mais rapidamente que ||(x, y)–(x , 0 0 0 y )||, quando (x, y) tende a (x , y ), significa que 0 0 0
De nição. Seja f diferenciável no ponto (x , y ). O plano 0 0
denomina-se plano tangente ao grá co de f no ponto (x 0 , y 0 , f(x 0 , y 0 )).
Observe que só definimos plano tangente em (x , y , f(x , y )) se f for 0 0 0 0
diferenciável em (x , y ). Se f não for diferenciável em (x , y ), mas admitir 0 0 0 0 derivadas parciais neste ponto, então o plano existirá, mas não será plano tangente. Veremos mais adiante que se f(x, y) for diferenciável em (x , y ), o 0 0 plano conterá todas as retas tangentes ao gráfico de f no ponto (x , y , f(x , 0 0 0 y )). 0
Em notação de produto escalar, o plano se escreve:
Segue que o plano tangente em (x , y , f(x , y ) é perpendicular à direção do 0 0 0 0 vetor
A reta que passa pelo ponto (x , y , f(x , y ) e é paralela ao vetor 0 0 0 0
denomina-se reta normal ao gráfico de f no ponto (x , y , f(x , y ). A 0 0 0 0 equação de tal reta é:
Exemplo 1
Seja 2 f ( x, y ) = 3 x y – x. Determine as equações do plano tangente e da
reta normal do ponto (1, 2, f(1, 2)).
Solução
Plano tangente
A equação do plano tangente é
Reta normal
ou seja,
Exemplo 2
Seja
Mostre que o gráfico de f não admite plano tangente em (0, 0, f(0, 0)).
Solução
De acordo com a definição, para que f admita plano tangente no ponto (0,
0, f(0, 0)), f deve ser diferenciável em (0, 0). Se provarmos que f é não
diferenciável em (0, 0), seguirá que f não admite plano tangente no ponto
dado. Temos:
Seja . Temos:
e
Assim,
não existe, logo, f não é diferenciável em (0, 0); portanto, f não admite
plano tangente no ponto (0, 0, f (0, 0)). Observe que o plano
ou seja,
z = 0
não contém a reta tangente à curva γ(t) = (t, t, (t, t)) no ponto γ(0) = (0, 0,
f(0, 0)). De fato, a reta tangente a γ no ponto (0, 0, f (0, 0)) = (0, 0, 0) é:
que, evidentemente, não está contida no plano z = 0.
Exercícios 11.3
1. Determine as equações do plano tangente e da reta normal ao
gráfico da função dada, no ponto dado.
2. Determine o plano que passa pelos pontos (1, 1, 2) e (21, 1, 1) e
que seja tangente ao gráfico de f(x, y) = xy.
3. Determine o plano que seja paralelo ao plano z = 2x + y e
tangente ao gráfico de 2 2 f ( x , y ) = x + y .
4. z = 2x + y é a equação do plano tangente ao gráfico de f(x, y) no
ponto (1, 1, 3). Calcule .
5. 2x + y + 3z = 6 é a equação do plano tangente ao gráfico de f(x, y)
no ponto (1, 1, 1).
a) Calcule .
b) Determine a equação da reta normal no ponto (1, 1,
1).
6. Considere a função em que ϕ(u) é uma função
derivável de uma variável. Mostre que os planos tangentes ao gráfico de f passam pela origem.
7. Considere a função . Mostre que os planos
tangentes ao gráfico de f pas sam pela origem.
8. Determine o plano que seja paralelo ao plano z = 2x + 3y e
tangente ao gráfico de 2 f ( x , y ) = x + xy.
9. Determine os planos que sejam tangentes ao gráfico de f(x, y) =
x 2 2 + y e que contenham a interseção dos planos x + y + z = 3 e z = 0.
10. 2 2 β é um plano tangente aos gráficos de f ( x , y ) = 2 + x + y e g(x,
y 2 2 2 2 ) = – x – y . Mostre que a + b = 1, sendo (a, b, f(a, b)) o ponto em que β tangencia o gráfico de f.
11. 2 2 Considere a função f ( x , y ) = 1 – x – y . Seja α o plano tangente
ao gráfico de 2 2 2 f no ponto ( a , b , 1 – a – b ), com a > 0, b > 0 e a
+ 2 b < 1. Seja V o volume do tetraedro determinado por α e pelos planos coordenados.
a) Expresse V em função de a e b. b) Determine a e b para que se tenha
.
12. 2 2 Determine os planos tangentes ao gráfico de f ( x, y ) = 2 + x + y
e que contenham o eixo x.
13. 2 2 Considere a função f ( x, y ) = xg ( x – y ), em que g(u) é uma
função derivável de uma variável. Mostre que o plano tangente ao gráfico de f no ponto (a, a, f(a, a)) passa pela origem. 14. A função z = z(x, y) é diferenciável e dada implicitamente pela