História de quem foge e de quem fica
Capítulo 7
Agradeci a Adele e a seu amigo por todo o esforço que tinham feito por mim e por meu livro. Ambos elogiaram muito Nino, com sinceridade, falando como se eu tivesse contribuído para torná-lo um jovem tão simpático e inteligente. Pietro não disse nada, fez apenas um gesto meio nervoso quando a mãe lhe recomendou que voltasse logo, ambos eram hóspedes de Mariarosa. Eu disse imediatamente: não precisa me acompanhar, vá com sua mãe. Ninguém achou que eu estivesse falando sério, que eu estava infeliz e preferia ficar sozinha.
Durante todo o percurso me mostrei intratável. Exclamei que não gostava de Florença, o que não era verdade. Exclamei que não queria mais escrever, queria ensinar, e não era verdade. Exclamei que estava cansada, que tinha muito sono, e não era verdade. Não só: quando Pietro me anunciou sem preâmbulos que queria conhecer meus pais, gritei: está maluco, deixe minha família em paz, você não é adequado para eles e eles não são adequados a você. Naquela altura ele me perguntou espantado:
“Não quer mais se casar comigo?”
Estive a ponto de dizer: é, não quero, mas me controlei a tempo, sabia que nem isso era verdade. Disse sem forças: desculpe, estou deprimida, claro que quero me casar com você — então peguei sua mão e entrelacei meus dedos nos dele. Era um homem inteligente, extraordinariamente culto e bom. Eu gostava dele, não queria que sofresse. No entanto, enquanto segurava sua mão, justamente enquanto confirmava que queria me casar, compreendi com clareza que, se ele não tivesse aparecido aquela noite no restaurante, eu teria tentado ficar com Nino.
Foi difícil admitir isso. Com certeza era uma má ação, que Pietro não merecia, mas eu a cometeria com prazer e talvez até sem remorsos. Encontraria um modo de atrair Nino para mim depois de todos aqueles anos, desde a escola fundamental até o liceu, até o período de Ischia e da piazza dei Martiri. Eu o tomaria para mim, ainda que aquela frase dele sobre Lila me incomodasse e angustiasse. Eu o tomaria para mim e nunca diria nada a Pietro. Talvez pudesse contar a Lila, mas quem sabe quando, talvez na velhice, quando imaginava que nada mais importaria nem a ela, nem a mim. O tempo, como em todas as coisas, era decisivo. Nino duraria apenas uma noite, me deixaria na manhã seguinte. Mesmo o conhecendo desde sempre, era feito de fantasias, ficar com ele para sempre teria sido impossível, ele vinha da infância, era construído de desejos infantis, não tinha concretude, não apontava para o futuro. Já Pietro era de agora, maciço, um marco de fronteira. Delimitava uma terra novíssima para mim, uma terra de boas razões, governada por regras que derivavam de sua família e que conferiam um sentido a cada coisa. Vigiam grandes ideais, o culto do bom nome, questões de princípio. Nada, entre os Airota, era aproximativo. O casamento, por exemplo, participava de sua contribuição a uma batalha laica. Os pais de Pietro eram casados apenas no civil, e Pietro, mesmo tendo uma vasta cultura religiosa — aliás, talvez justamente por isso —, nunca se casaria na igreja, preferiria renunciar a mim. O mesmo valia para o batismo. Pietro não tinha sido batizado, nem Mariarosa, portanto nossos eventuais filhos não seriam batizados. Tudo nele seguia aquele andamento, parecia sempre guiado por uma ordem superior que, embora não tendo uma origem divina, mas familiar, dava-lhe igualmente a certeza de estar do lado da verdade e da justiça. Quanto ao sexo, não sei, ele era reservado. Conhecia bem minha história com Franco Mari para deduzir que eu não era virgem, mas nunca tocara nesse assunto, nem uma meia frase recriminatória, uma piada pesada, uma risadinha. Não me constava que ele tivesse tido outras namoradas, era difícil imaginá-lo com uma prostituta, e excluía que ele tivesse passado um minuto sequer de sua vida falando de mulheres com outros homens. Detestava anedotas picantes. Detestava fofocas, tons exaltados, festas, toda forma de desperdício. Mesmo sendo de condição abastada, tendia — nesse ponto em polêmica com os pais e a irmã — a uma espécie de ascetismo na abundância. E tinha um senso agudo do dever, nunca faltaria a seus compromissos comigo, nunca me trairia.
Portanto, claro, eu não queria perdê-lo. Paciência se minha natureza, rude apesar dos estudos que fiz, estava longe de seu rigor, se eu não sabia honestamente até que ponto seria capaz de suportar toda aquela geometria. Ele me dava a certeza de escapar à maleabilidade oportunista de meu pai e à grosseria de minha mãe. Por isso reprimi à força a ideia de Nino, peguei Pietro pelo braço e murmurei: sim, vamos nos casar o mais rápido possível, quero ir embora de casa, quero tirar minha habilitação, quero viajar, quero ter um telefone, uma televisão, nunca tive nada. E naquele momento ele ficou alegre, riu, disse sim a tudo o que eu confusamente pretendia. A poucos passos do hotel ele parou e murmurou, rouco: posso dormir com você? Foi a última surpresa da noite. Olhei para ele perplexa: estive propensa muitas vezes a fazer amor, ele sempre evitara; mas me deitar com ele ali, em Milão, no hotel, depois da discussão traumática na livraria, depois de Nino, não me agradava. Respondi: já esperamos tanto, podemos esperar um pouco mais. Beijei-o numa esquina escura e o observei da entrada do hotel, enquanto ele se afastava pelo corso Garibaldi e de vez em quando se virava e dava tchau com um gesto tímido. Seu andar atrapalhado, os pés chatos, o alto emaranhado dos cabelos me enterneceram.
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