História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 7 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 6

Meu noivo se levantou e me abraçou. Eu nunca tinha dito nada a ele sobre Nino. Tinha mencionado Antonio, poucas palavras, e lhe dissera algo sobre minha relação com Franco, que aliás era bem conhecida no ambiente estudantil de Pisa. Mas nunca nem aludira ao nome de Nino. Era uma história que me fazia mal, com momentos penosos dos quais eu me envergonhava. Revelá-la significaria confessar que sempre amei uma pessoa como jamais o amaria. E conferir-lhe uma ordem, um sentido, implicava falar de Lila, de Ischia, avançar quem sabe até o ponto de admitir que o episódio de sexo com um homem maduro, tal como era narrado em meu livro, se inspirava em uma experiência verdadeira nos Maronti, em minha escolha de garotinha desesperada que agora, depois de tanto tempo, me parecia uma coisa repugnante. Assunto meu, portanto, e preservei meus segredos. Se Pietro tivesse sabido, compreenderia facilmente a razão de meu descontentamento com que o estava recebendo.

Ele tornou a se sentar na cabeceira da mesa, entre a mãe e Nino. Devorou uma bisteca e bebeu vinho, mas me olhava assustado, percebendo meu mau humor. Com certeza se sentia em culpa por não ter chegado a tempo e perdido um acontecimento importante em minha vida, porque seu descuido podia ser interpretado como um sinal de que não me amava, porque me deixara com estranhos, sem o conforto de seu afeto. Difícil dizer a ele que minha cara amarrada e meu mutismo se explicavam justamente pelo fato de ele não ter permanecido ausente até o final, por ter se intrometido entre mim e Nino.

De resto, Nino estava me infligindo uma infelicidade ainda maior. Estava sentado a meu lado, mas nunca me dirigia a palavra. Parecia contente com a chegada de Pietro. Servia-lhe vinho, oferecia seus cigarros, acendia um, e agora os dois sopravam fumaça de lábios estreitos, falando da viagem cansativa de carro entre Pisa e Milão e do prazer de dirigir. Fiquei espantada com a diferença entre eles: Nino era enxuto, flexível, a voz alta e cordial; Pietro atarracado, com uma bizarra massa emaranhada de cabelos sobre a testa enorme, as bochechas cheias raspadas pela lâmina, a voz sempre baixa. Pareciam alegres por terem se conhecido, algo bastante anômalo para Pietro, sempre na dele. Nino o incitava, mostrava um real interesse por seus estudos (li em algum lugar um artigo em que você contrapõe o leite e o mel ao vinho e a qualquer forma de embriaguez), o solicitava a falar sobre o assunto, e meu noivo, que em geral tendia a não dizer nada sobre aqueles temas, acabava cedendo, corrigia com bom humor, se abria. Porém, justo quando Pietro começava a ficar íntimo, Adele interveio.

“Chega de conversa”, disse ao filho. “E a surpresa para Elena?”

Olhei para ela, incerta. Havia outras surpresas? Não bastava que Pietro tivesse guiado por oito horas, sem fazer nenhuma parada, só para chegar a tempo de pelo menos jantar em minha homenagem? Pensei em meu noivo com curiosidade, estava assumindo um ar circunspecto que eu conhecia bem, e que se estampava em seu rosto quando as circunstâncias o forçavam a falar bem de si em público. Anunciou-me, mas quase em um sussurro, que se tornara professor titular, um precocíssimo professor titular com uma cátedra em Florença. Assim, por magia, segundo seu costume. Nunca se gabava de sua excelência, eu não sabia quase nada sobre quanto era apreciado como estudioso, submetia-se a provas duríssimas sem me dizer palavra. E agora lá estava ele, dando aquela notícia com negligência, como se tivesse sido obrigado pela mãe, como se para ele não significasse grande coisa. No entanto significava um prestígio notável para alguém de sua idade, significava segurança econômica, significava sair de Pisa, significava subtrair-se a um clima político e cultural que há meses, não sei por que, o exasperava. Significava acima de tudo que no outono, ou no máximo no início do próximo ano, nós nos casaríamos e eu deixaria Nápoles. Ninguém fez menção a este último fato, mas todos se congratularam tanto com Pietro quanto comigo. Nino, que logo em seguida olhou o relógio, disse uma frase azeda sobre a carreira universitária e exclamou que estava desolado, mas precisava ir embora.

Todos nos levantamos. Eu não sabia o que fazer, busquei inutilmente o olhar dele, e uma grande dor cresceu em meu peito. Fim da noite, ocasião perdida, desejos abortados. Uma vez na rua, esperei que me desse um número de telefone, um endereço. Limitou-se a apertar minha mão e a me desejar todo o bem possível. A partir dali me pareceu que cada movimento dele me excluísse de propósito. Num gesto de despedida, fiz-lhe um meio sorriso agitando a mão no ar, como se empunhasse uma caneta. Era uma súplica e significava: você sabe onde moro, me escreva, por favor. Mas ele já tinha virado as costas.

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