História de quem foge e de quem fica
Capítulo 74
Então começou a espera, uma espera que se revelou bem mais ansiosa do que a do bebê que chutava minha barriga. Contei cinco dias seguidos, Adele não deu notícias. No sexto dia, durante o jantar, enquanto Dede se esforçava para comer sozinha, querendo me agradar, e a avó morria de vontade de ajudá-la, mas não o fazia, Pietro me perguntou:
“Você terminou seu livro?”
“Terminei.”
“E por que o deu para ler à minha mãe, e não a mim?”
“Você está muito ocupado, não queria incomodar. Mas, se quiser ler, tem uma cópia em minha escrivaninha.”
Não respondeu. Esperei um pouco e perguntei:
“Adele lhe disse que mandei o texto para ela?”
“Quem você acha que poderia ter sido?”
“Ela já leu?”
“Sim.”
“E o que achou?”
“Ela mesma vai lhe dizer, é assunto de vocês.”
Ele reagira mal. Depois do jantar, transferi o datiloscrito de minha escrivaninha para a dele, pus Dede para dormir, assisti a televisão sem ver nem ouvir nada e por fim fui deitar. Não consegui pregar o olho: por que Adele falara do livro com Pietro, mas ainda não tinha telefonado para mim? No dia seguinte — 30 de julho de 1973 — fui checar se meu marido tinha começado a ler: o texto tinha ido parar sob a pilha de livros nos quais ele trabalhara grande parte da noite, era evidente que não o tinha nem mesmo folheado. Fiquei nervosa, gritei para Clelia que cuidasse de Dede, que não ficasse de braços cruzados deixando tudo por conta de minha mãe. Fui muito dura, e minha mãe evidentemente tomou aquilo como um sinal de afeto. Tocou minha barriga para me acalmar, perguntou:
“Se for outra menina, que nome você vai dar?”
Eu estava pensando em outras coisas, a perna estava doendo, respondi sem pensar:
“Elsa.”
Ela se anuviou, me dei conta tarde demais que esperava outra resposta: demos o nome da mãe de Pietro a Dede, e se dessa vez também nascer uma menina vamos dar a ela o seu nome. Tentei me justificar, mas sem empenho. Disse: mãe, tente entender, você se chama Immacolata, não posso dar um nome assim à minha filha, eu não gostaria. Ela resmungou: e por quê? Elsa por acaso é mais bonito? Repliquei: Elsa é que nem Elisa, nesse caso posso pôr o nome de minha irmã, assim você deve ficar contente. Não me dirigiu mais a palavra. Ah, como eu estava cansada de tudo. Fazia cada vez mais calor, eu suava em bicas, não suportava minha barriga pesada, não suportava meu passo manco, não suportava nada, nada, nada.
Finalmente, pouco antes da hora do almoço, Adele telefonou. A voz não tinha a costumeira inflexão irônica. Falou com lentidão e gravidade, senti que cada palavra lhe custava um grande esforço, disse com um largo rodeio de frases e muitas ressalvas que o livro não era bom. Porém, quando tentei defender o texto, ela parou de buscar fórmulas que não me ferissem e se tornou explícita. A protagonista era antipática. Não havia personagens, só marionetes. Situações e diálogos eram amaneirados. A escrita queria ser moderna, mas era apenas confusa. Todo aquele ódio se tornava desagradável. O final era grosseiro, de western à italiana, não estava à altura de minha inteligência, minha cultura, meu talento. Conformei-me ao silêncio e escutei suas críticas até o fim. Concluiu dizendo: o romance anterior era vivo, novíssimo, já este é velho nos conteúdos e escrito de modo tão pretensioso que as palavras parecem vazias. Respondi baixinho: talvez na editora eles sejam mais benevolentes. Ela recrudesceu e replicou: se quiser mandar para eles, faça isso, mas tenho certeza de que vão considerá-lo impublicável. Eu não soube o que responder, apenas murmurei: tudo bem, vou pensar, tchau. Mas ela me deteve, mudou de registro rapidamente, passou a falar com afeto de Dede, de minha mãe, de minha gravidez, de Mariarosa, que a estava deixando furiosa. Então me perguntou:
“Por que você não deu o romance a Pietro?”
“Não sei.”
“Ele poderia ter lhe dado uns conselhos.”
“Duvido.”
“Você não tem nenhum apreço por ele?”
“Não.”
Depois, trancada em meu quarto, me desesperei. Tinha sido humilhante, eu não conseguia tolerar. Não comi quase nada, dormi com a janela fechada apesar do calor. Às quatro da tarde senti as primeiras dores. Não disse nada a minha mãe, peguei a bolsa que tinha preparado havia tempos, entrei no carro e dirigi até a clínica, esperando morrer no caminho, eu e meu segundo filho. Mas tudo deu certo. Senti dores terríveis e em poucas horas tive outra menina. Já na manhã seguinte Pietro fez de tudo para dar à nossa segunda filha o nome de minha mãe, que lhe parecia uma homenagem necessária. De péssimo humor, rebati que estava cansada de seguir a tradição, reiterei que ela devia se chamar Elsa. Quando voltei da clínica para casa, a primeira coisa que fiz foi ligar para Lila. Não disse que tinha acabado de dar à luz, perguntei apenas se podia mandar o romance para ela.
Por alguns segundos ouvi sua respiração leve, até que murmurou:
“Leio quando sair.”
“Preciso de seu parecer o mais rápido possível.”
“Não abro um livro há séculos, Lenu, não sei mais ler, não sou capaz.”
“Por favor, estou pedindo.”
“Você publicou o outro sem problemas: por que este não?”
“Porque o outro nem me parecia um livro.”
“Só posso lhe dizer se gostei ou não.”
“Tudo bem, é suficiente.”
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