História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 120 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 119

Continuei não sei quanto tempo ao lado do telefone. Estava transbordando de ódio, só tinha em mente frases do tipo: sim, venha, venha logo, cretina, só espero por isso, de que porra de lugar você é, de via Tasso, de via Filangieri, de via Crispi, da Santarella, e quer se meter comigo, sua vagaba, sua marafa, não sabe com quem está se metendo, putinha. Um outro eu queria se insurgir lá do fundo, onde fora sepultado sob a crosta da docilidade, e se debatia em meu peito misturando italiano e vozes da infância — eu era toda um clamor. Se Eleonora se atrevesse a aparecer em minha porta, eu lhe cuspiria na cara, a empurrava pelas escadas, a arrastava pelos cabelos até a rua, quebrava aquela sua cabeça entupida de merda na calçada. Sentia dores no peito, as têmporas latejavam. Tinham começado uma reforma embaixo de casa, da janela vinha o calor e um martelar intenso, o pó e um barulho insuportável de não sei que maquinário. Dede estava brigando com Elsa no outro cômodo: você não precisa fazer tudo o que eu faço, parece uma macaca, só os macacos agem assim. Lentamente entendi. Nino se decidira a falar com a mulher, e ela me agredira por isso. Passei da raiva a uma alegria incontrolável. Nino gostava de mim a ponto de ter falado sobre nós com a esposa. Tinha arruinado o casamento, tinha renunciado com plena consciência aos confortos daquela vida, tinha desequilibrado toda sua existência optando por impor um sofrimento a Eleonora e a Albertino, e não a mim. Então era verdade, ele me amava. Suspirei de felicidade. O telefone tornou a tocar, atendi imediatamente.

Agora era Nino, era a voz dele. Me pareceu calmo. Disse que seu casamento tinha acabado, que estava livre. Me perguntou:

“Você falou com Pietro?”

“Comecei.”

“Ainda não contou a ele?”

“Sim e não.”

“Vai querer recuar?”

“Não.”

“Então se apresse, precisamos partir.”

Já dava por certo que eu viajaria com ele. Nos encontraríamos em Roma, estava tudo pronto, hotel, passagens aéreas.

“Tenho o problema das meninas”, disse baixinho, mas sem convicção.

“Mande-as para sua mãe.”

“Isso está fora de cogitação.”

“Então leva-as com você.”

“Está falando sério?”

“Estou.”

“Você me levaria de qualquer jeito, mesmo com minhas filhas?”

“Claro.”

“Você realmente me ama”, murmurei.

“Sim.”

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