História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 117 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 116

Pus o fone no gancho aos prantos, saí da cabine. Elsa me perguntou: você se machucou, mamãe? Respondi: estou ótima, é a vovó que não está bem. E continuei soluçando diante dos olhos preocupados dela e de Dede.

Na parte final das férias só fiz chorar. Dizia que estava cansada, que fazia calor demais, que tinha dor de cabeça, e mandava Pietro e as meninas para a praia. Ficava na cama encharcando o travesseiro de lágrimas. Detestava aquela fragilidade excessiva, nunca fui assim, nem quando era pequena. Tanto eu quanto Lila tínhamos nos adestrado a não chorar nunca e, quando isso acontecia, era em momentos excepcionais, por pouco tempo: a vergonha era grande, e a gente sufocava os soluços. Mas agora se abrira em minha cabeça uma fonte de água como aconteceu com Orlando, que me escorria pelos olhos sem jamais esgotar, e eu tinha a impressão de que até quando Pietro, Dede e Elsa estavam para voltar, e eu com grande esforço engolia as lágrimas e corria para lavar o rosto debaixo da torneira, a fonte continuava gotejando, à espera do momento certo para voltar ao canal dos olhos. Nino não me amava de verdade, Nino fingia muito e amava pouco. Tinha querido me comer — sim, me comer, como tinha feito com tantas outras —, mas ficar comigo, ficar comigo para sempre, rompendo os laços com a esposa, bem, isso não estava em seus planos. Provavelmente ainda era apaixonado por Lila. Provavelmente durante toda a vida amaria apenas ela, como tantos que a tinham conhecido. E graças a isso continuaria para sempre com Eleonora. O amor por Lila era a garantia de que nenhuma outra mulher — por mais que ele a amasse a seu modo arrebatador — jamais colocaria em risco aquele casamento frágil, muito menos eu. Essa era a realidade das coisas. Às vezes eu interrompia o almoço ou o jantar e corria para soluçar no banheiro.

Pietro me tratava com cautela, pressentindo que eu poderia explodir a qualquer momento. A princípio, poucas horas depois do rompimento com Nino, tinha pensado em contar tudo a ele, quase como se não fosse apenas um marido a quem eu tivesse que me explicar, mas também um confessor. Sentia a necessidade disso, especialmente quando, na cama, ele se encostava em mim e eu o rechaçava sussurrando: não, as meninas vão acordar, estive a ponto de despejar sobre ele cada detalhe. Mas sempre consegui me deter a tempo, não era preciso lhe falar de Nino. Agora que eu não telefonava mais à pessoa que amava, agora que a sentia definitivamente perdida, me parecia inútil atazanar Pietro. Era melhor encerrar a questão com poucas palavras claras: não posso mais viver com você. E no entanto não consegui fazer nem isso. Justamente quando, na penumbra do quarto de dormir, me sentia pronta a dar aquele passo, sentia pena dele, temia pelo futuro das meninas, lhe acariciava um ombro, o rosto, murmurava: durma.

As coisas mudaram no último dia de férias. Era quase meia-noite, Dede e Elsa estavam dormindo. Eu não ligava para Nino há pelo menos dez dias. Tinha arrumado as bagagens, estava acabada de melancolia, de cansaço, de calor, e estava com Pietro na sacada de casa, cada um em sua espreguiçadeira, em silêncio. Havia uma umidade extenuante, que molhava os cabelos e as roupas; vinha um cheiro de mar e de resina. De repente Pietro disse:

“Como sua mãe está?”

“Minha mãe?”

“Sim.”

“Bem.”

“Dede me disse que está mal.”

“Já melhorou.”

“Telefonei para ela hoje à tarde. Sua mãe sempre esteve ótima de saúde.”

Não respondi nada. Como aquele homem era inoportuno. Pronto, agora as lágrimas estavam voltando. Oh, meu Deus, eu estava no limite, no limite. Ele falou com calma:

“Você acha que sou cego e surdo. Acha que não me dava conta quando flertava com aqueles imbecis que circulavam em nossa casa antes de Elsa nascer.”

“Não sei de que você está falando.”

“Sabe perfeitamente.”

“Não, não sei. De quem você está falando? De pessoas que anos atrás vieram jantar umas vezes? E eu flertava com elas? Ficou doido?”

Pietro balançou a cabeça sorrindo para si. Esperou alguns segundos e então me perguntou, fixando a grade da sacada:

“Não flertava nem com aquele sujeito que tocava bateria?”

Tomei um susto. Ele não recuava, não cedia. Rebati:

“Mario?”

“Está vendo como se lembra?”

“Claro que me lembro, por que não deveria? É uma das poucas pessoas interessantes que você trouxe para nossa casa em sete anos de casamento.”

“Você o achava interessante?”

“Acho, e daí? O que deu em você esta noite?”

“Quero saber. Não posso saber?”

“O que você quer saber? Sei o mesmo que você. Desde a última vez que o vimos deve ter se passado pelo menos quatro anos, e você me vem agora com essas besteiras?”

Ele parou de fixar a grade e se virou para me olhar, sério.

“Então vamos falar de fatos mais recentes. O que é que há entre você e Nino?”

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