História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 87 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 86

Foi Pietro que, num sábado, identificou em meio à multidão de títulos dos jornais, que durante dias só falaram da bomba fascista que explodira no trem Italicus, uma breve notícia no Corriere della Sera referente a uma pequena indústria na periferia de Nápoles.

“A fábrica em que sua amiga trabalhava não se chamava Soccavo?”, me perguntou.

“O que foi que aconteceu?”

Passou o jornal para mim. Um comando composto de dois homens e uma mulher tinha invadido uma fábrica de embutidos na periferia de Nápoles. Primeiro os três atiraram nas pernas do vigia, Filippo Cara, que estava em estado gravíssimo; depois subiram ao escritório do proprietário, Bruno Soccavo, um jovem empresário napolitano, e o assassinaram com quatro tiros de pistola, três no peito e um na cabeça. Enquanto lia, visualizei o rosto de Bruno se desfazendo, arrebentando com seus dentes branquíssimos. Oh, meu Deus, meu Deus, não consegui respirar. Deixei os meninos com Pietro e fui correndo ligar para Lila; o telefone tocou por muito tempo sem que ninguém atendesse. Tentei de novo à noite, e nada. Consegui encontrá-la no dia seguinte, e ela me perguntou assustada: o que houve, Gennaro não está bem? Tranquilizei-a, contei sobre Bruno. Não sabia de nada, me deixou falar e por fim murmurou apática: você me deu uma notícia péssima. Nada mais. Insisti: telefone para alguém, tente saber mais, pergunte para onde posso enviar um telegrama de condolências. Ela disse que não tinha mais contato com ninguém da fábrica. E depois, que telegrama que nada — resmungou —, deixa pra lá.

Deixei pra lá. Mas no dia seguinte encontrei no Manifesto um artigo assinado por Giovanni Sarratore, Nino, que trazia muitas informações sobre a pequena fábrica da Campânia, enfatizava as tensões políticas presentes naquela realidade atrasada e citava com afeto Bruno e sua trágica morte. A partir daquele momento acompanhei o desdobramento da notícia por dias, mas sem resultado, já que rapidamente o caso sumiu dos jornais. Além disso, Lila não quis mais falar sobre o assunto. À noite eu ligava para ela com os meninos, e ela cortava a conversa, dizendo: me passe Gennaro. Ficou particularmente irritada quando mencionei Nino. A mania de sempre, resmungou, precisa sempre meter o bedelho: não tem nada a ver com política, pode ter sido por mil outros motivos, aqui se morre assassinado por qualquer coisa, chifres, trapaças, até por um olhar excessivo. Assim os dias se passaram e só me restou de Bruno uma imagem, mais nada. Não era a do patrão que eu havia ameaçado por telefone, servindo-me da autoridade dos Airota, mas a do rapaz que tinha tentado me beijar e que eu rejeitara duramente.

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