História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 53 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 52

Apesar do consenso entusiástico do redator, o Unità tardava a publicar meu artigo. Eu estava ansiosa, temia que não saísse mais. Mas justamente no dia seguinte à consulta ao neurologista fui à banca de manhã cedo, folheei o jornal saltando depressa de uma página a outra e finalmente o encontrei. Esperava que o tivessem espremido entre as bagatelas locais e, no entanto, lá estava ele nas páginas nacionais, completo, minha assinatura que só de vê-la impressa me atravessou como uma agulha comprida. Pietro me telefonou contente, também Adele estava entusiasmada, disse que o marido e até Mariarosa tinham gostado muitíssimo do artigo. Mas a coisa surpreendente foi que me ligaram para me cumprimentar o diretor de minha editora, duas personalidades muito conhecidas que colaboravam há anos com a editora, e Franco, Franco Mari, que tinha pedido meu número a Mariarosa: falou-me num tom respeitoso, disse que estava contente comigo, que eu tinha fornecido um exemplo de reportagem abrangente sobre a condição operária, que esperava me encontrar em breve para pensarmos juntos. Esperei naquela altura que, por algum canal imprevisível, também me chegasse a aprovação de Nino. Mas foi inútil, e fiquei mal. Tampouco Pasquale se fez vivo; mas ele, por desgosto político, tinha há tempos deixado de ler o jornal do partido. De todo modo, o redator do Unità me consolou: procurou-me para dizer que o texto tinha agradado muito na redação e me convidou, com seu habitual ar despachado, a comprar uma máquina de escrever e desembuchar mais coisas boas.

Mas devo dizer que o telefonema mais desconcertante foi o de Bruno Soccavo. Mandou a secretária ligar para mim e em seguida tomou a palavra. Falou com um tom melancólico, como se o artigo — que no entanto ele a princípio não mencionou — o tivesse atingido tão duramente que lhe tirara todo o impulso vital. Disse que nos dias de Ischia, durante nossos belos passeios na praia, ele me amara como nunca tinha amado ninguém. Declarou-me toda sua admiração pelo rumo que, ainda muito jovem, eu tinha conseguido dar à minha vida. Jurou que o pai dele lhe entregara uma fábrica em grandes dificuldades, cheia de péssimos hábitos, e que ele era apenas o herdeiro sem culpa de uma situação a seus próprios olhos lamentável. Afirmou que meu artigo — finalmente o citou — tinha sido iluminador para ele e que queria corrigir o mais rapidamente possível muitas distorções herdadas do passado. Desculpou-se pelos mal-entendidos com Lila e declarou que a administração já estava resolvendo tudo com o meu advogado. Concluiu com cautela: você conhece os Solara, eles estão me ajudando nesse momento difícil a dar uma nova cara à Soccavo. E acrescentou: Michele lhe manda calorosas lembranças. Retribuí os cumprimentos, registrei seus bons propósitos e desliguei. Mas logo telefonei ao advogado amigo de Mariarosa para lhe falar daquela ligação. Ele me confirmou que a questão do dinheiro estava resolvida e fui encontrá-lo alguns dias depois no escritório para o qual trabalhava. Era pouco mais velho que eu, simpático apesar dos irritantes lábios finos, e se vestia com esmero. Quis me convidar ao bar para um café. Tinha muita admiração por Guido Airota, lembrava-se bem de Pietro. Entregou-me a soma que a Soccavo tinha pago a Lila e recomendou que eu tomasse cuidado para não ser roubada. Descreveu o caos de estudantes, sindicalistas e policiais que encontrara nos portões da fábrica, disse que o inspetor também fizera uma visita ao estabelecimento. No entanto não me pareceu satisfeito. Somente quando estávamos para nos despedir, me perguntou da soleira:

“Você conhece os Solara?”

“É gente do bairro onde cresci.”

“Sabe que eles estão por trás de Soccavo?”

“Sei.”

“E não está preocupada?”

“Não entendi.”

“Quero dizer: o fato de que você os conhece desde sempre e de ter estudado fora de Nápoles talvez não lhe permita ver a situação com clareza.”

“Ela é claríssima para mim.”

“Nos últimos anos os Solara cresceram bastante, eles têm influência nesta cidade.”

“E daí?”

Contraiu os lábios, estendeu-me a mão.

“Daí nada: conseguimos o dinheiro, está tudo certo. Mande lembranças a Mariarosa e a Pietro. Quando vai ser o casamento? Gosta de Florença?”

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