História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 113 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 112

Foi embora uma hora depois, mesmo Pietro insistindo com um tom meio mal-humorado para que ficasse, mesmo com o choro de Dede. Meu marido foi tomar banho e reapareceu dali a pouco pronto para sair. Disse-me de olhos baixos: não falei aos policiais que Pasquale e Nadia estiveram em nossa casa; e não fiz isso para proteger você, mas porque acho que agora estão confundindo a discordância com o crime. Não entendi imediatamente sobre o que estava falando. Pasquale e Nadia tinham saído completamente de minha cabeça, e foi difícil assimilá-los de novo. Pietro esperou alguns segundos em silêncio. Talvez quisesse que eu mostrasse concordância com aquela sua consideração, queria enfrentar o dia de calor e de provas sabendo que tínhamos feito as pazes, que pelo menos por uma vez estávamos pensando do mesmo modo. Mas me limitei a um aceno distraído. Que me importavam agora as opiniões políticas dele, o caso de Nadia e Pasquale, a morte de Ulrike Meinhof, o nascimento da república socialista do Vietnã, o avanço eleitoral do partido comunista? O mundo se retraíra. Eu me sentia abismada dentro de mim mesma, dentro de minha carne, que me parecia não só o único habitáculo possível, mas também a única matéria pela qual valia a pena esforçar-se. Foi um alívio quando ele, a testemunha da ordem e da desordem, fechou a porta atrás de si. Não suportava estar sob seu olhar, temia que de repente se tornassem visíveis os lábios doloridos pelos beijos, o cansaço da noite, o corpo hipersensível, como escaldado.

Assim que fiquei sozinha, voltou-me a certeza de que nunca mais veria e ouviria Nino. E a ela veio se juntar outra: não podia mais viver com Pietro, me parecia insuportável continuarmos dormindo na mesma cama. O que fazer? Vou deixá-lo, pensei. Vou embora com as meninas. Mas como eu deveria proceder, ir embora e pronto? Não sabia nada sobre separações e divórcios, qual era a praxe, quanto tempo era preciso para retornar à liberdade. E não conhecia nenhum casal que tivesse tomado esse rumo. O que acontecia com os filhos? Como era o acordo para a manutenção deles? Podia levar as meninas para outra cidade, Nápoles, por exemplo? E por que para Nápoles e não, digamos, para Milão? Se eu deixar Pietro, disse a mim mesma, mais cedo ou mais tarde vou precisar de um trabalho. Os tempos estão feios, a economia vai mal, e Milão para mim é o lugar certo, é lá que está a editora. Mas e Dede, e Elsa? E a relação delas com o pai? Então devo continuar em Florença? Nunca, nunca. Melhor Milão, Pietro iria ver as filhas todas as vezes que pudesse e quisesse. Sim. No entanto minha cabeça me levava para Nápoles. Não ao bairro, nunca voltaria para lá. Imaginei ir morar na Nápoles deslumbrante onde eu nunca tinha vivido, a poucos passos da casa de Nino, em via Tasso. Avistá-lo da janela enquanto ia ou voltava da faculdade, encontrá-lo na rua, conversar com ele todos os dias. Sem o incomodar. Sem lhe causar problemas com a família, ao contrário, intensificando a relação de amizade com Eleonora. Me bastaria aquela proximidade. Portanto Nápoles, e não Milão. De resto, separando-me de Pietro, Milão já não seria tão hospitaleira. As relações com Mariarosa se esfriariam, e com Adele, também. Não interrompidas, não, eram pessoas civilizadas, mas continuavam sendo a mãe e a irmã de Pietro, mesmo não tendo muito apreço por ele. Sem falar de Guido, o pai. Não, com certeza não poderia mais contar do mesmo modo com os Airota, talvez nem com a editora. Poderia receber alguma ajuda somente de Nino. Ele era bem relacionado em todo lugar, com certeza encontraria uma maneira de me apoiar. A menos que minha presença constante não importunasse sua mulher, não o importunasse. Para ele eu era uma mulher casada que vivia em Florença com a família. Portanto distante de Nápoles, e não livre. Romper às pressas meu casamento, correr atrás dele, ir morar imediatamente a poucos passos de sua casa, ufa. Ele me acharia uma doida, faria o papel de uma mulherzinha desmiolada, o tipo de mulher dependente do homem que, aliás, deixava as amigas de Mariarosa horrorizadas. E acima de tudo inadequada para ele. Tinha amado muitas mulheres, passava de uma cama a outra, semeava filhos sem compromisso, considerava o casamento uma convenção necessária, mas que não podia enjaular os desejos. Eu cairia no ridículo. Tinha prescindindo de tanta coisa em minha vida, também podia prescindir de Nino. Seguiria meu caminho com minhas filhas.

Mas o telefone tocou, e corri para atender. Era ele, ao fundo se ouvia um autofalante, vozerio, barulho, a voz chegava com dificuldade. Acabara de chegar a Nápoles, estava ligando da estação. Apenas um oi, me disse, queria saber como você está. Estou bem, respondi. O que está fazendo? Me preparando para almoçar com as meninas. Pietro está? Não. Você gostou de fazer amor comigo? Sim. Muito? Muitíssimo. Minhas fichas acabaram. Vá, tchau, obrigada pelo telefonema. Nos ouvimos. Quando você quiser. Fiquei contente comigo, com meu autocontrole. Mantive-o a uma distância correta, disse a mim mesma, a um telefonema de cortesia respondi com cortesia. Mas três horas depois ele tornou a ligar, de novo de um telefone público. Estava nervoso. Por que você está tão fria? Não estou fria. Hoje de manhã você quis que eu dissesse que te amava, e eu disse, embora por princípio eu não diga isso a ninguém, nem a minha mulher. Fico contente. E você me ama? Amo. Vai dormir com ele esta noite? E com quem você quer que eu durma? Não suporto isso. Você não dorme com sua mulher? Não é a mesma coisa. Por quê? Não estou nem aí para Eleonora. Então volte para cá. Como faço isso? Se separe. E depois? Começou a ligar obsessivamente. Adorava aqueles toques do telefone, especialmente quando nos despedíamos e parecia que só nos falaríamos sabe-se lá quando, mas ele tornava a ligar meia hora depois, às vezes até dez minutos depois, e recomeçava a se agitar, me perguntava se eu já tinha feito amor com Pietro depois que estivemos juntos, eu lhe dizia que não, ele me fazia jurar, jurava, perguntava a ele se tinha feito com a mulher, gritava que não, também o fazia jurar, e era um juramento após o outro, e uma avalanche de promessas, sobretudo a promessa solene de permanecer em casa, de ficar comunicável. Queria que eu esperasse seus telefonemas, tanto que, se por acaso eu saía — precisava pelo menos fazer as compras —, ele fazia o telefone chamar e chamar no vazio, o fazia chamar até que eu voltasse e deixasse as meninas, deixasse as sacolas, não fechava nem mesmo a porta das escadas, e corria para atender. Ele estava do outro lado, desesperado: achei que você nunca mais iria atender. Depois acrescentava com alívio: mas eu continuaria ligando para sempre, na sua falta eu passaria a amar o som do telefone, este som no vazio me parecia a única coisa que me sobrara. E evocava minuciosamente nossa noite — se lembra disso, se lembra daquilo —, a evocava continuamente. Listava tudo o que queria fazer a meu lado, não só sexo: um passeio, uma viagem, ir ao cinema, a um restaurante, conversar sobre o trabalho que estava fazendo, ouvir como estava indo meu livrinho. Então eu perdia o controle. Murmurava sim, sim, sim, tudo, tudo o que você quiser, e gritava: estou para sair de férias, daqui a uma semana vou estar na praia com as meninas e Pietro, quase como se tratasse de uma deportação. E ele: Eleonora vai para Capri daqui a três dias, assim que ela for eu irei a Florença nem que seja por uma hora. Enquanto isso Elsa me olhava e perguntava: mamãe, com quem você está falando sem parar, venha brincar. Um dia Dede lhe disse: deixe ela em paz, está falando com o namorado.

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