História de quem foge e de quem fica
Capítulo 69
Primeiro aconteceu com um professor-assistente de literatura grega, da minha idade, piemontês de Asti, que tinha na cidade natal uma noiva com quem se dizia insatisfeito; depois, com o marido de uma encarregada de papirologia, um casal com duas crianças pequenas, ela de Catânia, ele de Florença, engenheiro que ensinava mecânica, se chamava Mario, tinha vasta cultura política, bastante autoridade pública, cabelos compridos, nas horas vagas tocava bateria numa banda de rock, e era sete anos mais velho que eu. Com ambos a sequência foi a mesma: Pietro os convidou para jantar, eu comecei a flertar. Telefonemas, alegres participações em manifestações, muitos passeios, às vezes acompanhada de Dede, às vezes sozinha, algumas idas ao cinema. Com o professor-assistente, recuei assim que ele se tornou direto. Já Mario me envolveu numa rede cada vez mais estreita e, uma noite, no carro dele, me deu um beijo, um beijo demorado, acariciando meus peitos dentro do sutiã. Rejeitei-o com dificuldade, disse que não queria mais vê-lo. Mas ele telefonou, tornou a telefonar, sentia sua falta, cedi. Como tinha me beijado e me apalpado, estava certo de ter direitos sobre mim e logo se comportou como se recomeçássemos do ponto em que tínhamos parado. Insistia, fazia propostas, pressionava. Quando eu em parte o provocava, em parte me esquivava, rindo, ele se fazia de ofendido, me ofendia.
Certa manhã eu estava passeando com ele e Dede, que na época tinha, se bem me lembro, pouco mais de dois anos e estava toda entretida com um bonequinho que ela adorava, Tes, um nome inventado por ela. Naquelas ocasiões eu prestava pouquíssima atenção a ela, me via arrebatada pelo jogo verbal, às vezes me esquecia inteiramente dela. Quanto a Mario, não dava a mínima importância à presença da menina e só se preocupava em me assediar com falas desinibidas, dirigindo-se a Dede apenas para lhe sussurrar no ouvido frases jocosas do tipo: por favor, pode pedir à mamãe para ser boazinha comigo? O tempo passou voando, nos despedimos, Dede e eu tomamos o caminho de casa. Mas depois de poucos passos a menina escandiu, áspera: Tes me disse que vai contar um segredo ao papai. Meu coração teve um sobressalto. Tes? Sim. E o que ele vai dizer a papai? Tes é que sabe. Uma coisa boa ou ruim? Ruim. Então a ameacei: explique a Tes que se ele contar isso ao papai você vai trancá-lo dentro do depósito, no escuro. Ela caiu no choro, e precisei levá-la para casa no colo, ela, que para me agradar caminhava fingindo nunca estar cansada. Quer dizer que Dede entendia, ou pelo menos percebia, que entre mim e aquele homem havia algo que seu pai não teria tolerado.
Interrompi mais uma vez os encontros com Mario. No fim das contas ele era o quê? Um burguês doente de pornolalia. Mas a inquietude não passou, estava crescendo em mim uma ânsia de violação, queria me desregrar assim como o mundo parecia estar se desregrando. Desejava sair do casamento nem que fosse uma única vez ou, por que não, de tudo o que era minha vida, do que eu tinha aprendido, do que tinha escrito, do que tentava escrever, da menina que tinha posto no mundo. Ah, sim, o casamento era uma prisão: Lila, que tinha coragem, só escapara dele arriscando a própria vida. Quanto a mim, que riscos eu corria com Pietro, tão distraído, tão ausente? Nenhum. E então? Liguei para Mario. Deixei Dede com Clelia e fui encontrá-lo em seu escritório. Nós nos beijamos, ele chupou o bico dos meus peitos, me tocou entre as pernas como Antonio fazia nos pântanos muitos anos atrás. Mas, quando baixou as calças e, com a cueca nos joelhos, agarrou-me pela nuca tentando me puxar para seu sexo, me esquivei, disse que não, me arrumei e saí.
Voltei para casa agitadíssima, cheia de sentimentos de culpa. Fiz amor com Pietro apaixonadamente, nunca me sentira tão envolvida, eu mesma não quis que ele botasse o preservativo. Estou me preocupando à toa — pensei comigo —, estou perto de menstruar, não vai acontecer nada. No entanto aconteceu. Em poucas semanas descobri que estava grávida de novo.
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