História de quem foge e de quem fica
Capítulo 3
Saí da mesa transtornada, demorava a me dar conta de que Nino realmente estava ali, em Milão, naquela sala. Mas lá estava ele, que vinha a meu encontro sorrindo, mas com o passo medido, sem pressa. Apertamos as mãos — a dele estava muito quente, a minha, gelada — e declaramos quanto estávamos contentes por nos revermos depois de tanto tempo. Saber que finalmente o pior da noite havia passado e que agora ele estava diante de mim, real, atenuou meu mau humor, mas não a agitação. Apresentei-o ao crítico que havia generosamente elogiado meu livro, disse a ele que era um amigo de Nápoles, que tínhamos feito o liceu juntos. Mesmo tendo recebido de Nino algumas estocadas, o professor foi gentil, elogiou-o pelo modo como havia tratado aquele sujeito, falou de Nápoles com simpatia, enfim, dirigiu-se a ele como a um estudante brilhante que devia ser encorajado. Nino explicou que morava em Milão havia anos, se ocupava de geografia econômica, pertencia — e sorriu — à categoria mais miserável da pirâmide acadêmica, ou seja, a dos assistentes. Expressou-se de modo cativante, sem o tom mal-humorado que tinha na adolescência, e me pareceu estar vestindo uma armadura mais leve que aquela que me fascinara no liceu, como se tivesse conseguido desembaraçar-se de pesos excessivos para poder esgrimir com mais rapidez e elegância. Notei com alívio que não usava aliança.
Enquanto isso, algumas amigas de Adele se aproximaram para que eu autografasse o livro, coisa que me emocionou, era a primeira vez que aquilo acontecia. Titubeei: não queria perder Nino de vista nem por um segundo, mas também desejava atenuar a impressão de menina desajeitada que devo ter transmitido. Então o deixei com o professor de idade — chamava-se Tarratano — e acolhi minhas leitoras com cortesia. Quis terminar com aquilo rapidamente, mas os exemplares eram novos, com cheiro de gráfica, muito diferentes dos livros surrados e malcheirosos que Lila e eu pegávamos emprestados na biblioteca do bairro, e não tive ânimo de estragá-los depressa com a caneta. Exibi minha melhor letra, aquela dos tempos da professora Oliviero, e inventei elaboradas dedicatórias, que causaram alguma impaciência nas senhoras que estavam na fila. Fiz isso com o coração aos pulos, de olho em Nino. Tremia ao pensar que ele pudesse ir embora.
Não foi. Agora Adele se juntara a ele e a Tarratano, e Nino se dirigia a ela com deferência e ao mesmo tempo desenvoltura. Lembrei-me de quando falava pelos corredores do liceu com a professora Galiani e não foi difícil associar em minha cabeça o aluno brilhante daquela época ao jovem homem de agora. Entretanto afastei com decisão, como um desvio inútil que nos fizera sofrer a todos, o estudante universitário de Ischia, o amante de minha amiga casada, o jovem abatido que se escondia no banheiro da loja da piazza dei Martiri e que era o pai de Gennaro, um menino que ele nunca tinha visto. Com certeza a irrupção de Lila o fizera perder o rumo, mas — como naquela ocasião me pareceu evidente — tratou-se apenas de um parêntese. Por mais intensa que tivesse sido aquela experiência, por mais que tivesse deixado marcas profundas nele, agora tinha acabado. Nino se reencontrara, e eu fiquei contente. Pensei: preciso dizer a Lila que o encontrei, que ele está bem. Depois mudei de ideia: não, não vou dizer nada.
Quando encerrei as dedicatórias, a sala já estava vazia. Adele pegou minha mão com delicadeza, elogiou muito o modo como eu tinha falado de meu livro e como respondi à péssima intervenção — assim ela definiu — do homem de óculos grossos. Como eu negava o fato de ter me saído bem (sabia perfeitamente que não era verdade), pedi a Nino e a Tarratano que se pronunciassem, e ambos naturalmente se derramaram em elogios. Nino chegou a dizer, fixando-me sério: vocês não sabem o que era essa menina já no ginásio, inteligentíssima, cultíssima, muito corajosa, muito bonita. E, enquanto eu sentia meu rosto arder, ele passou a contar com elegância irônica meu conflito de anos atrás com o professor de religião. Adele escutava e ria em vários momentos. Nós da família — disse — percebemos imediatamente as qualidades de Elena, e então anunciou que tinha reservado para o jantar um restaurante ali perto. Fiquei tensa, murmurei sem jeito que estava cansada e sem fome, dei a entender que, como não nos encontrávamos há tanto tempo, gostaria de passear um pouco com Nino antes de ir para a cama. Sabia que era uma descortesia, o jantar era para homenagear a mim e agradecer a Tarratano por seu empenho em favor do livro, mas não consegui me conter. Adele me fixou por um instante com uma expressão irônica e replicou que, naturalmente, meu amigo também era convidado, acrescentando com ares misteriosos, como para compensar-me do sacrifício que eu fazia: tenho uma bela surpresa guardada para você. Olhei Nino ansiosa: aceitaria o convite? Ele disse que não queria incomodar, olhou o relógio e aceitou.
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