História de quem foge e de quem fica
Capítulo 10
Enquanto eu lia, fiquei coberta de suor frio e tive a sensação de desmaiar. Meu livro era tratado como uma ocasião para reiterar que, na última década, em todos os setores da vida produtiva, social e cultural, das fábricas aos escritórios, à universidade, à editoria, ao cinema, todo um mundo tinha desmoronado sob a pressão de uma juventude estragada e sem valores. Aqui e ali se citavam frases minhas entre aspas para demonstrar que, de minha geração mal crescida, eu era um expoente adequado. Ao final eu era definida como “uma mocinha empenhada em esconder a própria falta de talento com páginas picantes de banalidades medíocres”.
Desandei a chorar. Era a coisa mais dura que eu tinha lido desde que o livro saíra, e não em um diário de pequena tiragem, mas no jornal mais lido na Itália. Pareceu-me especialmente intolerável a imagem de meu rosto sorridente em meio a um texto tão ofensivo. Voltei para casa a pé, não antes de ter me livrado do Corriere. Temia que minha mãe lesse a resenha e a usasse contra mim. Imaginei que iria querer colocar também aquela em seu álbum para me mostrar toda vez que a incomodasse.
Encontrei a mesa posta só para mim. Meu pai estava no trabalho, minha mãe tinha ido pedir não sei o quê a uma vizinha de casa, e meus irmãos já tinham comido. Mastiguei massa com batata relendo aqui e ali umas linhas do meu livro. Pensava com desespero: talvez de fato não valha nada, talvez tenha sido publicado só para fazer um favor a Adele. Como eu tinha podido conceber frases tão insossas e considerações tão banais? E que desleixo, quantas vírgulas inúteis, nunca mais vou escrever. Estava deprimida entre o desgosto do almoço e o desgosto do livro quando Elisa apareceu com uma folhinha de papel. Foi a senhora Spagnuolo quem lhe deu — a cujo número de telefone, se eu tivesse necessidades urgentes, podia recorrer. O recado dizia que eu tinha recebido três telefonemas. Um de Gina Medotti, que cuidava da assessoria de imprensa da editora, um de Adele e um de Pietro.
Os três nomes, escritos com a letra vacilante da senhora Spagnuolo, tiveram o efeito de dar concretude a um pensamento que até um segundo antes ficara submerso. As palavras maldosas do homem de óculos pesados estavam se difundindo rapidamente, e ao longo do dia chegariam a todos os lugares. Já tinham sido lidas por Pietro, pela família dele, pelos diretores da editora. Talvez tivessem chegado até Nino. Talvez estivessem sob os olhos de meus professores de Pisa. Certamente tinham merecido a atenção de Galiani e de seus filhos. E quem sabe até Lila teria lido aquilo. De novo comecei a chorar, assustando Elisa.
“O que foi, Lenu?”
“Não estou me sentindo bem.”
“Posso lhe fazer um chá de camomila?”
“Pode.”
Mas não deu tempo. Bateram à porta, era Rosa Spagnuolo. Alegre, um pouco agitada por ter subido as escadas correndo, disse que meu noivo estava de novo ao telefone, que bela voz, que lindo sotaque do Norte. Corri para atender, me desculpando mil vezes pelo incômodo. Pietro tentou me consolar, disse que a mãe recomendava que eu não me abalasse, o essencial era que falassem do livro. Mas eu, para surpresa da senhora Spagnuolo, que me conhecia como uma pessoa dócil, quase gritei: e o que me importa que falem se estão dizendo coisas horríveis. Ele mais uma vez me recomendou calma e acrescentou: amanhã vai sair um artigo no Unità. Encerrei a ligação com frieza e disse: seria melhor que ninguém mais tratasse de mim.
À noite não consegui dormir. De manhã não consegui me conter e fui correndo buscar o Unità. Folheei depressa o jornal, ainda na frente da banca, a um passo da escola fundamental. Deparei-me de novo com minha foto, a mesma do Corriere, dessa vez não no centro do artigo, mas no alto, ao lado do título Jovens rebeldes e velhos reacionários. A propósito do livro de Elena Greco. Nunca tinha ouvido falar do nome de quem assinava o artigo, mas com certeza escrevia bem, e suas palavras agiram como um bálsamo. Elogiava meu romance sem meios-termos e destratava o prestigioso professor de óculos pesados. Voltei para casa fortalecida, talvez até de bom humor. Folheei meu livro e dessa vez me pareceu bem orquestrado, escrito com inteligência. Minha mãe disse maldosa: ganhou o terno da loto? Deixei o jornal sobre a mesa da cozinha sem lhe dizer nada.
No fim da tarde Spagnuolo reapareceu, havia um novo telefonema para mim. Diante de meu embaraço, de minhas desculpas, ela se disse felicíssima em poder ser útil a uma garota como eu e me fez muitos elogios. Gigliola não teve sorte, suspirou pelas escadas, o pai a obrigou a trabalhar na confeitaria dos Solara quando ainda tinha treze anos, e ainda bem que ficou noiva de Michele, se não, teria de suar a vida inteira. Abriu a porta de casa, me acompanhou pelo corredor até o telefone fixado na parede. Notei que tinha posto uma cadeira justamente para que eu ficasse mais confortável: quanta deferência por quem tinha estudado, estudar era considerado o truque dos rapazes mais espertos para se furtar ao trabalho duro. Como posso explicar a essa mulher — pensei — que desde os seis anos de idade sou escrava de letras e números, que meu humor depende do êxito de suas combinações, que essa alegria de ter feito bem é rara, instável, que dura uma hora, uma tarde, uma noite?
“Você leu?”, me perguntou Adele.
“Li.”
“Está contente?”
“Estou.”
“Então vou lhe dar outra notícia boa: o livro está começando a vender, se continuar assim, vamos reimprimi-lo.”
“O que significa isso?”
“Significa que nosso amigo do Corriere acreditou que estava destruindo você e, ao contrário, trabalhou para nós. Tchau, Elena, aproveite o sucesso.”
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